Pai de grávida baleada em operação na Maré relata demora no socorro e diz que não houve confronto: 'Um tiro só'

Ana Carolina Torres
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Grávida de quatro meses, Maiara foi baleada em operação da Polícia Civil na Maré
Grávida de quatro meses, Maiara foi baleada em operação da Polícia Civil na Maré

O pai de Maiara Oliveira da Silva, de 20 anos, que está grávida de quatro meses e foi baleada, nesta terça-feira, durante uma operação da Polícia Civil no Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio, relatou demora no atendimento a ele por parte dos agentes. O conferente Alberon Sales da Silva, de 48 anos, disse ainda que não houve tiroteio no momento em que a filha foi atingida: ele afirmou ter ouvido apenas um disparo.

- Não teve confronto. Escutei um tiro só - contou Alberon.

Ele disse que assim que soube que Maiara havia sido atingida, foi para o beco na comunidade Nova Holanda onde ela estava. Contou ter visto várias viaturas a cerca de 40 metros de onde a jovem estava e não entende o motivo de uma delas não ter sido usada para socorrer a jovem. O conferente disse que ele chamou o motorista de um táxi e pediu ajuda para levar a filha para um hospital:

- Saí em desespero. Vi o táxi, que tinha acabado de deixar um passageiro, e pedi para o motorista ajudar. Dois policiais só ajudaram a levar a Maiara até o táxi. Eles nem pediram socorro. E ainda levaram a cápsula que estava no beco.

Maiara está internada no Hospital municipal Evandro Freire, na Ilha do Governador, também na Zona Norte. O pai diz que a última informação que recebeu dos médicos é que a filha está em estado grave.

- Isso que fizeram com ela foi uma tentativa de assassinato - disse Alberon.

Maiara está grávida de seu primeiro filho. Segundo o pai, a jovem recebeu a notícia da gravidez com muita alegria. Alberon descreveu a filha como uma pessoa comunicativa e de bem com a vida:

- Tentaram acabar com isso.

O EXTRA procurou a Polícia Civil, por e-mail, na manhã desta quarta-feira, para que a corporação comentasse as declarações de Alberon, mas ainda não recebeu um posicionamento.

Em nota enviada nesta terça-feira, a Polícia Civil informou a operação Gota D'Água visava a prender "acusados de participação em cerca de 70 grandes crimes, entre homicídios e assaltos, ocorridos nos últimos 3 anos, totalizando mais de R$ 200 milhões de prejuízos. As investigações também apontaram que a organização criminosa está envolvida na morte do menino Leônidas Augusto da Silva de Oliveira, de 12 anos, que aconteceu no dia 9 de outubro deste ano. Os policiais prenderam 19 pessoas, apreenderam fuzis; granadas; silenciadores; grande quantidade de drogas e material para embalar, e dezenas de carros e motos roubados. Além disso, os agentes descobriram um depósito clandestino com 30 toneladas de produtos falsificados, como brinquedos, avaliados em R$ 20 milhões; e 200 mil mochilas falsificadas".