Pagamento por WhatsApp é seguro? Saiba como a novidade pode facilitar (ou não) golpes

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Foto: WhatsApp / Ilustração
Foto: WhatsApp / Ilustração

O WhatsApp anunciou nesta segunda-feira (15) o lançamento de um novo recurso de pagamentos para usuários brasileiros. Agora é possível transferir dinheiro, sem taxas, entre pessoas físicas usando o app de mensagens, ou para pagar compras com empresas.

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Com a chegada da novidade, que estreia no Brasil antes de outras partes do mundo, a primeira reação de muitos foi pensar em como essa tecnologia pode facilitar a aplicação de golpes financeiros. O WhatsApp já é a principal arma de golpistas para atrair vítimas no ambiente online.

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A crise provocada pela pandemia de coronavírus agravou a situação. Uma pesquisa do Dfndr Lab, laboratório especializado em segurança digital da PSafe, indica que pelo menos 11 milhões de brasileiros caíram em golpes envolvendo o auxílio emergencial de R$ 600 oferecido pelo governo, por exemplo.

Em um desses golpes, uma mensagem repassada em grupos indica um link para que a vítima possa conferir se está apta para receber a "bolsa auxílio" do governo. Ao abrir o link, o usuário é levado a uma página falsa que simula a página oficial do auxílio emergencial com o objetivo de roubar dados pessoais.

Com o lançamento do recurso de pagamentos, inédito no mundo, criminosos podem estar diante de uma nova ferramenta para tirar dinheiro de usuários incautos. Mas o WhatsApp se antecipou à polêmica e deu detalhes de como vai funcionar o sistema de proteção da ferramenta para evitar fraudes.

Passo a passo: como transferir dinheiro pelo WhatsApp

O processo passa por ao menos 10 etapas antes de confirmar o envio do dinheiro pela primeira vez. Assim, o WhatsApp espera que, a cada etapa, o usuário possa ser interrompido se aquela for uma transação fraudulenta. Além disso, a burocracia impede que toques acidentais acabem causando prejuízos.

Primeiro, é preciso tocar no ícone de um clipe de papel (ou um sinal de adição, no iOS), como se fosse enviar uma foto, e escolher a opção "Pagamento". O seu contato também pode fazer uma cobrança enviando a você o valor a ser pago. Basta tocar no valor para iniciar a transferência.

Os valores são movidos entre carteiras virtuais. O sistema se chama Facebook Pay, já que o Facebook é dono do WhatsApp (e também do Instagram). Para realizar pagamentos e recebê-los, portanto, antes de tudo é preciso criar uma conta no Facebook Pay, que vai garantir a autenticidade da pessoa que está recebendo o seu dinheiro.

Para criar a conta, é preciso inserir dados pessoais, como nome e CPF, e cadastrar um cartão de crédito ou débito que será responsável por realizar, na prática, o pagamento. No momento, apenas cartões das bandeiras Visa e Mastercard emitidos pelo Banco do Brasil, Nubank e Sicredi são aceitos na plataforma.

Os dados do seu cartão não ficam visíveis para a pessoa que está recebendo o dinheiro, mas este é um ponto de fragilidade do processo. Assim como no golpe da "bolsa auxílio", um usuário mais distraído pode acabar clicando num link falso para uma página que simula a do Facebook Pay e, sem perceber, acabar entregando os dados do seu cartão para criminosos.

Supondo que você tenha de fato feito o cadastro na página verdadeira do Facebook Pay, a próxima etapa é verificar o cartão cadastrado por uma de três opções: recebendo um código via SMS, e-mail ou pelo app do seu banco (BB, Nubank ou Sicredi).

A exigência desse código, também chamada de autenticação em duas etapas, pode ajudar na prevenção de fraudes, mas também pode facilitá-los. Se usando de engenharia social um golpista induzir a sua vítima a lhe entregar o código de autenticação – através de uma ligação telefônica, se passando pelo gerente da sua conta, por exemplo –, ele pode até cadastrar o seu cartão na conta virtual de outra pessoa.

Agora que sua conta do Facebook Pay está configurada, basta digitar o PIN criado para ela (uma senha numérica de seis dígitos) para autorizar transações pelo WhatsApp. Essa senha é diferente do PIN de autenticação em duas etapas usado pelo WhatsApp para autorizar o login em outro dispositivo.

Também é possível usar o sistema de biometria do celular, como o leitor de impressões digitais ou o reconhecimento facial, para autorizar as transações no lugar do PIN. O dinheiro que você recebe na sua carteira do Facebook Pay pode virar crédito na sua conta do BB, Nubank ou Sicredi.

Para transferir dinheiro entre duas pessoas físicas, o WhatsApp também impõe algumas restrições:

  • Apenas cartões de débito são aceitos no modo de pagamento do Facebook Pay;

  • Cada transação não pode passar de R$ 1.000;

  • Uma só pessoa pode receber no máximo 20 pagamentos por dia;

  • Em um mês, só é permitido receber até R$ 5.000.

Para driblar essas restrições, é preciso possuir uma conta do WhatsApp Business, a versão para empresas do aplicativo. Nesse caso, as transações são taxadas em 3,99% e a operação é processada pela Cielo. A taxa inclui a remuneração da operadora e também do Facebook.

Nesse caso, além de todas as etapas anteriores, é preciso criar uma conta digital com a Cielo, com CPF ou CNPJ, nome da empresa, endereço e dados pessoais do responsável (nome, data de nascimento, e-mail e CPF); e dados bancários, incluindo banco, agência, conta e tipo de conta. A verificação é feita em até 3 dias úteis, e só então é possível receber dinheiro pelo WhatsApp.

Com todas essas etapas de verificação, o WhatsApp garante que os bancos e a operadora das transações, a Cielo, poderão rastrear quem recebe e envia dinheiro. No caso de uma fraude, então, pode ser mais fácil recuperar o prejuízo.

Mesmo com todas as ferramentas de segurança em ação, a ingenuidade do usuário é a principal arma na mão de estelionatários. Especialistas consultados pelo Yahoo recomendam todo o cuidado possível ao lidar com dinheiro no WhatsApp. Se você não se sente seguro para usar o novo recurso do app, talvez seja melhor evitá-lo a todo custo.

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