Segundo paciente com Covid-19 morre após incêndio no Hospital de Bonsucesso no Rio

João Conrado Kneipp
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Paciente é carregada durante remoção dos pacientes do Hospital de Bonsucesso, no Rio. (Foto: REUTERS/Ricardo Moraes)
Paciente é carregada durante remoção dos pacientes do Hospital de Bonsucesso, no Rio. (Foto: REUTERS/Ricardo Moraes)

A tragédia do incêndio no Hospital Federal de Bonsucesso, no Rio de Janeiro, nesta terça-feira já deixa, pelo menos, duas vítimas.

Além da radiologista Núbia Rodrigues, de 42 anos, que estava com quadro grave de Covid-19 e morreu durante o processo de transferência, um outro paciente, também diagnosticado com coronavírus, não resistiu. A informação foi confirmada no fim da tarde.

O paciente, que ainda não teve a identidade divulgada pelo hospital, estava no CTI coronariano, no terceiro andar do prédio 1 do Hospital Federal de Bonsucesso. Ele estava entubado, com quadro grave, e, durante o fogo, foi transferido às pressoas para o CTI da maternidade do HFB, onde teve uma infecção pulmonar e morreu.

O óbito da radiologista ocorreu durante o procedimento de retirada dos internados. De acordo com o coordenador assistencial do hospital, Carlos Cesar Asseff, a paciente era uma mulher de 42 anos e que estava entubada, e internada em estado grave. Ela deixou o prédio com vida, mas morreu durante a transferência para outra unidade hospitalar.

Bombeiros de cinco quartéis do Rio de Janeiro, das unidades de Fundão, Ilha do Governador, São Cristóvão, Penha e Central, estão realizando o combate às chamas no hospital. Os militares usam ferramentas para quebrar a estrutura de concreto e facilitar o acesso ao local.

O edifício atingido pelas chamas é o prédio 1, onde ficam as enfermarias. Exames de raio-x também são realizados no local. De acordo com o hospital, o incêndio começou no subsolo e pegou em uma parte do almoxarifado onde fraldas ficam guardadas, material que pode ter contribuído com a propagação do fogo.

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De acordo com o comandante-geral da corporação, Leandro Monteiro, o hospital não possui certificação do Corpo de Bombeiro.

“O hospital sofreu duas notificações, depois o procedimento e dois autos de infração e agora estamos em um processo de interdição. Estamos trabalhando em conjunto para que esse processo não seja finalizado. É humanamente impossível interditar um hospital com 400 leitos”, disse Monteiro.

O Hospital Federal de Bonsucesso é uma das unidades de saúde mais importantes da cidade do Rio de Janeiro. Segundo a assessoria do hospital, esse edifício foi totalmente evacuado e 200 pacientes foram transferidos para outras áreas.

Os pacientes evacuados foram acomodados no pátio do hospital ou em outros blocos da unidade. No momento em que as chamas começaram, havia pacientes sendo operados e que precisaram ser retirados às pressas.

LOJA DE PNEUS VIROU ‘HOSPITAL DE CAMPANHA’

Parte dos pacientes foram levados para um galpão de pneus em frente ao hospital.

Funcionária do local, Ana Cristina Sardemberg estima que quase 50 doentes foram transferidos para o galpão da loja. Alguns em camas com equipamentos de oxigênio e monitoramento, outros em cadeiras de roda.

Segundo ela, os funcionários do hospital agiram com muita rapidez. Os pacientes agora estão sendo retirados em ambulâncias. “Já saíram umas oito ambulâncias daqui. Elas estão levando dois doentes por vez. Estão sendo muito rápidos”, disse Ana Cristina.

A Rio Paiva Pneus fica em frente ao hospital. Os pacientes transferidos tiveram que atravessar a rua para chegar até o galpão.

VISTORIA FEITA EM 2019 REVELOU ‘FALHAS GRAVES’

Uma vistoria realizada em abril de 2019 no Hospital Federal de Bonsucesso (HFB) revelou falhas graves no sistema de prevenção e combate a chamas e "alto risco de explosão" e de inoperância total do sistema elétrico da unidade.

As causas da ocorrência desta manhã ainda serão investigadas.

Técnicos do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (Proadi-SUS) identificaram superaquecimento em dois transformadores da subestação principal do hospital. Uma delas chegou a atingir 148,6 graus e outra, 128,6 graus.

Na época, foi constatada também ausência de licença e de plano de prevenção e combate a incêndio aprovado pelo Corpo de Bombeiros, além da inexistência de sistemas de detecção de fumaça e sprinklers.

Foram encontrados também hidrantes desativados com mangueiras danificadas e sem qualificação para uso. Havia ainda cabos expostos, instalações elétricas irregulares e equipamentos obsoletos e em desacordo com normas técnicas.