Ouro em Tóquio, Hebert Conceição fala sobre admiração por Mayweather e planos para carreira

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Medalha de Herbert na Olimpíada. Foto: Wander Roberto - COB
Medalha de Herbert na Olimpíada. Foto: Wander Roberto - COB

O baiano Hebert Conceição foi um dos medalhistas de ouro do Brasil mais inesperados em Tóquio. Talvez não para quem acompanhe de perto o boxe, já que Hebert fora bronze no campeonato mundial da categoria com apenas 21 anos. Na ocasião, a luta que o tirou da final do torneio disputado na Rússia foi contra o anfitrião Gleb Bakshi. Justamente contra este oponente, mais uma vez em uma semifinal, só que desta vez das Olimpíadas, a vitória veio. “Nunca perdi uma revanche”, se orgulha Hebert, que concedeu entrevista exclusiva ao Yahoo! Esportes.

“Depois do ouro em Tóquio, me tornei uma pessoa mais pública. Venho recebendo muitos convites para entrevistas e eventos, virtuais e presenciais. Fora isso, minhas redes sociais passaram a ser mais utilizadas e uma ferramenta muito boa para mim”, conta o lutador.

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Além de curtir o momento, Hebert aproveita para tratar uma lesão na mão, cumprir a agenda de palestras e eventos e tentar capitalizar a conquista. Mas a rotina de treinos diários é mantida, incluindo compromisso aos sábados – mesmo com a agenda de competições vazia pelo menos até o começo de 2022. Agora, ele quer esfriar um pouco a cabeça, após período de foco total em Tóquio.

“Me afastei totalmente de tudo que tirava o meu foco. A primeira luta, por tudo que envolvia, foi com toda certeza a mais difícil. A estreia tem uma ansiedade a mais. Na final, você chega um pouco mais leve, pois tem a consciência que já é finalista olímpico. Foi uma luta muito dura contra o ucraniano (Oleksandr Khyzhiniak), mas graças a Deus pude conquistar a vitória com um nocaute”, comemora o boxeador.

Estilo Mayweather

Hebert Conceição tem como seu maior ídolo Robson Conceição, que conquistou o Ouro nas Olimpíadas do Rio em sua terceira tentativa nos jogos. “No meu último dia em Salvador antes de ir rumo a Tóquio, passei a tarde inteira na casa do Robson. Ele sempre foi um grande mentor. Me passou muita coisa, experiência olímpica e dicas fundamentais que fizeram a diferença”. Assim como Hebert, Robson é de Salvador, grande celeiro de talentos do boxe.

“De estilo, eu admiro muito o Floyd (Mayweather). Tento trazer um pouco do jogo dele para o meu boxe. Ele é f*** . Mas também gosto muito do Muhammad Ali, que tem uma história incrível até fora dos ringues. Myke Tyson e Manny Pacquiao são outros caras que me inspiram. Porém, sou muito observador e busco ter como referência pessoas próximas. Tiro de exemplo as qualidades delas. Mas o Robson está acima de qualquer ídolo internacional, é minha principal referência. Além de ser próximo a mim, a vitória mais marcante que eu vi na minha vida foi a dele, em 2016 no Rio.”

Herbert está voando alto. Foto: Miriam Jeske - COB
Herbert está voando alto. Foto: Miriam Jeske - COB

Início no futebol e muay thai

Em salvador, Hebert treinava na tradicional academia Champion com o Mestre Luiz Dórea, que já foi professor de nomes como: Popó Freitas, Junior Cigano, Anderson Silva, Lyoto Machida, Minotauro e Minotouro, Vitor Belfort e Robson Conceição. O local não poderia ser mais propício para que sua carreira decolasse. No entanto, o boxe não foi sua primeira opção quando era adolescente.

“Pratiquei todo tipo de esporte quando era garoto, e cheguei a treinei capoeira e futebol. Mas sempre assisti e gostava bastante de luta. Aí comecei a praticar jiu-jitsu e muay thai. Em 2013 comecei a praticar o boxe com seriedade e simultaneamente fazia jiu-jitsu. Neste mesmo ano, pude disputar o meu primeiro campeonato, o Brasileiro de boxe. Logo de cara, me sagrei campeão. Nesta época, vi que poderia almejar algo maior dentro do esporte, e talvez disputar uma olimpíada”, relembra Hebert.

A partir de 2017 ele começou a levar o boxe mais a sério, quando passou a treinar no CT da Confederação Brasileira de Boxe, em São Paulo, onde conta com uma boa estrutura, rotina com profissionais e dieta apropriada - quando não estava lá, treinava na academia Champion, em Salvador.

Planos para o futuro: profissionalização no boxe?

Hebert Conceição explica que possui contrato com a federação nacional de boxe no momento, mas a possibilidade de profissionalização existe. Ele ainda está estudando sua decisão para o próximo ano. “As portas estão abertas, principalmente depois que fui campeão olímpico. Preciso pensar no lado financeiro também, o que contará muito para mim e minha família. Se eu me mantiver no boxe olímpico, irei buscar mais uma medalha em Paris”.

Um atleta profissional de boxe luta em circuitos do Conselho Mundial de Boxe e da Federação Internacional de Boxe e costuma ter visibilidade e rendimentos maiores. Porém, há muitas diferenças. Enquanto no boxe olímpico as lutas possuem apenas três rounds, no boxe profissional são 12.

“No Brasil ainda é difícil um profissional ser chamado para a Olimpíada, pois a confederação investe em atletas para irem à Olimpíada em seu programa. É raro chamarem um atleta profissional, que não treina junto e não está integrado ao time Brasil. Mas hoje isso já permitido (a autorização ocorreu em 2016). É uma escolha complicada de se fazer. São estilos um pouco diferentes também. Outro fator: se um boxeador estiver em um nível de campeão mundial, ele pode querer não se expor em uma olimpíada. Vai que perde na primeira luta por conta de uma incompatibilidade de estilos, como que fica? Mas não que não seja possível, e vontade eu tenho (de se profissionalizar)”, destaca Hebert.

Rotina ao lado da mãe

“Procuro ficar bastante com a minha mãe. Ela é aposentada e tem 71 anos, fico junto dela o máximo que posso aqui em Salvador. Também fico bastante com a minha namorada. Mas minha família sempre foi a minha base, em momentos de dificuldade fui amparado e consolado. Então nos momentos de alegria e comemoração busco naturalmente estar junto deles. Minha família também é importante na minha preparação psicológica. Quando estou em competição, é fundamental o contato que tenho com minha mãe e minhas irmãs. (ele tem três: uma mora no Rio de Janeiro, outra na Suécia e apenas uma está em Salvador). Minha irmã que é filha do mesmo pai e da mesma mãe que eu acabou de casar e sair de casa, então eu tomei a decisão de não deixar minha mãe sozinha, por isso sempre busco estar aqui com ela.”

Com apenas 23 anos, Hebert Conceição já foi medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos de Lima, em 2019, bronze no Mundial amador da categoria em Ecaterimburgo no mesmo e Ouro nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 (disputado em 2021), sempre na categoria de até 75 kg.

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