Os dez meninos do Fla também eram esperanças de uma vida melhor

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Alojamento do CT do Flamengo, destruído após o incêndio. Foto: Thiago Ribeiro/Agif/Gazeta Press
Alojamento do CT do Flamengo, destruído após o incêndio. Foto: Thiago Ribeiro/Agif/Gazeta Press

A morte dos dez meninos do Flamengo, após o incêndio na ala das categorias de base do CT, é um soco no estômago em qualquer ser humano. Sou pai de dois filhos com 14 e 12 anos e me coloquei no lugar dos pais que perderam seus entes queridos. Os dois adoram jogar futebol e não fazem parte de nenhuma escolinha ou clube, mas sabem o que representa vestir a camisa de um time como o Flamengo e ser a esperança de uma família inteira.

Sou jornalista há 27 anos e trabalho no esporte, desde então. Perdi a conta de quantas vezes, um pai ou mãe vieram falar comigo a respeito do filho que estava lutando por uma oportunidade para se tornar jogador de futebol. Inúmeras vezes, equipes de base treinavam contra os profissionais, nos chamados coletivos. Ali, já era uma chance de chamar a atenção dos treinadores e jornalistas, que podiam acompanhar as atividades. Raros são os que conseguem se destacar e conquistar seu espaço num grande clube.

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Os garotos que acabaram falecendo, além do sonho de se tornarem grandes nomes do futebol, fizeram parte de um grupo que, na sua maioria, são as únicas esperanças de uma vida melhor para suas famílias. E geralmente, é assim, espalhados por diversas equipes no território nacional. Sem hipocrisia e vivendo num mundo real, quem nasce pobre, sabe que terá poucas chances no Brasil, um país injusto e indecente nas questões sociais. O futebol acaba sendo a válvula de escape e aposta num presente e futuro melhores. O discurso de que venci, trabalhando desde os seis anos de idade, é para muito poucos.

Então, além da perda sentimental e pessoal, de todo o trauma vivido, sonhos são desfeitos para muitos, de garotos talentosos e promissores, que poderiam viver e aproveitar o que a vida oferece de bom, estendendo isso a toda uma geração familiar.

O dia 08 de fevereiro de 2019 se transforma numa data de luto do futebol mundial, sem esquecer que milhares de jovens, lutam e batalham no dia-a-dia pela realização de um sonho: se tornar um grande jogador de futebol. Para nossa tristeza, dez não terão essa chance.

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