OPINIÃO: Renata Silveira, a pupila de Galvão Bueno, segue estilo do mestre na virada do Japão contra a Alemanha


Certamente, os deuses do futebol ajudaram, e Renata Silveira foi brindada com um jogão de bola para fazer a segunda narração dela em Copa do Mundo, na Tv Globo: Alemanha e Japão. A primeira narração feminina na tevê aberta, Renata fez nesta terça-feira, no empate entre Dinamarca e Tunísia, 0 a 0. O jogo não favoreceu em nada o trabalho dela.

Nesta quarta-feira, o confronto da técnica e da frieza dos alemães contra a aplicação tática e o esforço físico dos japoneses tinha tudo pra termina num lógico e protocolar triunfo germânico. Nada disso. Mais uma vez nesta Copa do Qatar, o futebol entrou em campo com sua principal característica, a imprevisibilidade. E isso proporcionou a rara chance que Renata Silveira tanto esperava para mostrar o que já aprendeu com as narrações do mestre Galvão Bueno.

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Mais de uma vez, ela manifestou o propósito de seguir seu estilo de narração, envolvente, informativo, emocionante. A pupila confirmou tudo isso. Renata Silveira demonstrou ter estudado, e muito, as duas Seleções, dando detalhes da vida pessoal dos jogadores, explicando situações do jogo, conversando com todos os telespectadores de maneira simples e coloquial. Mas quando o Japão começou a se impor no gramado, invertendo a lógica dos analistas de plantão e revivendo a passagem bíblica de Davi contra Golias, Renata Silveira foi junto. Japão 2 a 1, de virada, e muita emoção no ar.

Ela se envolveu no clima e como todo telespectador, que na imensa maioria estava torcendo pela mais fraco contra os tetracampeões e favoritos. Sim, era um acontecimento histórico, aos olhos de todos nós, inclusive da narradora. Como não entender esse momento emocionante, que o esporte nos proporciona. E Renata Silveira soube passar para a audiência o que todos estavam sentindo. Como Galvão, que muitas vezes narra como se fosse torcedor, Renata Silveira descreveu a reação em campo e a festa nas arquibancadas.

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Galvão já transformou em bordão algumas das suas tiradas intuitivas. Quem não se liga no ‘olha o que ele fez, olha o que ele fez’, no gol do Ronaldinho Gaúcho, na Copa América de 1999? Galvão narrou como se estivesse no sofá e disse pra quem quisesse ouvir, “olha o que ele fez”. Nada mais coloquial, mais espontâneo e verdadeiro. Ou quando Galvão Bueno quis avisar o telespectador que o Ronaldo Fenômeno ia marcar contra o Marrocos, na Copa de 1998 e, no início da corrida do artilheiro, começou a gritar ‘olha o gol, olha o gol’.

Renata Silveira ainda não chegou lá. Ela ainda é pupila. Mas quando mostraram a imagem dos reservas japoneses enlouquecidos na beira do gramado, ela reagiu como torcedora: ‘olha o banco do Japão, sensacional!’ Sim, foi sensacional o que todos vimos.