ONU questiona convocação de colombiano Armero, acusado de violência doméstica

Pablo Armero, zagueiro da seleção colombiana, treina em Barranquilla, Colômbia, para jogos contra Bolívia e Equador para a Copa do Mundo, em 21 de março de 2017

A ONU Mulheres pediu uma atitude da Federação Colombiana de Futebol (FCF) pela convocação do lateral Pablo Armero para os jogos da seleção nas eliminatórias para a Copa do Mundo-2018, diante das acusações de violência doméstica que pesam contra o jogador.

"Queremos manifestar (...) nossa imensa inquietação em relação à polêmica desatada no país pela convocação do jogador Pablo Armero para jogar na seleção da Colômbia, dado os antecedentes de violência contra a esposa do jogador", lamentou a entidade em comunicado.

"A violência contra as mulheres sempre é intolerável e nunca um 'assunto privado'. Por isso, solicitamos à Federação Colombiana de Futebol que tome medidas sobre qualquer membro de seu elenco que protagonize episódios de violência contra as mulheres", completou a ONU mulheres.

Armero, que joga no Bahia, foi convocado pela primeira vez nestas eliminatórias pelo argentino José Pekerman para os jogos contra a Bolívia, disputado na quinta-feira com vitória por 1 a 0 para a Colômbia, e Equador, nesta terça em Quito.

Sua convocação deu início a uma polêmica no país, com várias jornalistas reconhecidas e personalidades feministas condenando a decisão do técnico José Pekerman. Armero foi preso em maio do ano passado em Miami, nos Estados Unidos, por violência doméstica.

"Ele (Armero) tem direito à defesa e a seguir jogando futebol, mas antes de fazer isso precisa dar uma explicação ao país", declarou a jornalista Jineth Bedoya, reconhecida militante feminista e diretora da campanha "não é hora de se calar".

O lateral, titular da Colômbia na Copa do Mundo-2014, foi preso pelo Departamento de Polícia de Miami em um hotel da cidade, após queixas de outros hóspedes, por problemas com a esposa no quarto do casal.

Os agentes entraram no local e a esposa do jogador, María Elena Bazán, explicou que, ao voltar para o hotel após uma noite de bebedeira, Armero quis ter relações sexuais com ela. Diante de sua negativa, o jogador a teria agredido e cortado seu cabelo. O jogador saiu da prisão após pagar fiança.

Questionado na quarta-feira sobre o caso, Pekerman respaldou Armero. "Nós nunca tivemos uma informação de uma situação além do que apareceu na mídia", declarou em coletiva de imprensa.

Até o momento, a FCF não se pronunciou.