OMS recua e reconhece transmissão assintomática da Covid-19, mas diz que falta 'saber quanto'

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Na segunda, uma representante da OMS declarou que a transmissão por pessoas que não manifestam sintomas "é muito rara". (Foto: AP Photo/Frank Franklin II)
Na segunda, uma representante da OMS declarou que a transmissão por pessoas que não manifestam sintomas "é muito rara". (Foto: AP Photo/Frank Franklin II)

Após reações de especialistas em diferentes países e de governos como o do Brasil, a OMS (Organização Mundial da Saúde) esclareceu nesta terça-feira (9) que há registros de transmissão de Covid-19 por pacientes assintomáticos, mas que ainda não se sabe a dimensão do processo.

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Na segunda-feira, uma representante da entidade declarou que a transmissão do coronavírus por pessoas que não manifestam sintomas "é muito rara" com base em estudos de Cingapura, país que tem adotado rigoroso rastreamento de contatos.

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“Estamos absolutamente convencidos de que a transmissão por casos assintomáticos está ocorrendo. A questão é saber quanto”, afirmou o diretor de emergências da OMS, Michael Ryan. Na segunda, a chefe da unidade de doenças emergentes da entidade, Maria Van Kerkhove, comentou o estudo do país asiático quando indagada por uma jornalista em uma coletiva de imprensa.

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“Nós temos relatórios de países que estão realizando o rastreamento de contatos (mapeamento de indivíduos que estiveram com pacientes diagnosticados no período de incubação do vírus) de maneira bastante criteriosa. Eles estão acompanhando casos assintomáticos e não identificaram a transmissão para outros indivíduos. É muito raro e muitos desses detalhes ainda não foram publicados na literatura (médica)”, afirmou Maria. “Estamos analisando constantemente esses números e seguimos na tentativa de obter mais informações destes países para responder definitivamente a essa dúvida.”

Hoje, a representante da OMS voltou a se pronunciar e reconheceu que alguns modelos estimam uma taxa de transmissão de 40% no caso de pacientes assintomáticos.

ESPECIALISTAS REBATEM

Nesta manhã, em uma reunião ministerial, o presidente Jair Bolsonaro criticou a OMS e disse que, a partir das declarações da diretora da unidade de doenças emergentes, avaliaria a reabertura de escolas e do comércio. O chanceler Ernesto Araújo também criticou o que chamou de "vai e vem" da OMS.

"Após pedirem desculpas pela Hidroxicloroquina, agora a OMS conclui que pacientes assintomáticos (a grande maioria) não têm potencial de infectar outras pessoas. Milhões ficaram trancados em casa, perderam seus empregos e afetaram negativamente a Economia", escreveu o presidente nesta segunda-feira (08).

As declarações de Maria Van Kerkhove, no entanto, foram rebatidas por epidemiologistas de vários países. Especialistas lembraram que há estudos consolidados sobre o papel dos assintomáticos e lembraram que parte expressiva do contágio pelo coronavírus é promovido por pacientes na fase pré-sintomática. Estima-se que o vírus comece a ser transmitido dois a três dias antes da manifestação dos primeiros sintomas.

“Eu fiquei muito surpreso com a declaração da OMS. Isso vai contra a minha percepção dos dados científicos que sugeriram, até agora, que pessoas assintomáticas e pré-sintomáticas (que contraíram o vírus e ainda não manifestarma sintomas) são importantes fontes de contágio para outras pessoas”, disse Liam Smeeth, professor de epidemiologia clínica na Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, pontuando que desconhece dados que embasariam a fala de Maria.

“(Considerar os pacientes assintomáticos) Tem importantes implicações para medidas de identificaçao, rastreamento e isolamento que estão sendo implementadas por vários países”, afirmou Babak Javid, consultor de doenças infeciosas do hospital da Universidade de Cambridge (Reino Unido).

A força-tarefa contra a Covid-19 de Cingapura informou à Reuters que identificou casos de transmissão assintomatica no país, em especial entre pessoas de vizinhanças próximas. Na última semana, a China informou que os 300 casos assintomáticos identificados em Wuhan, cidade onde o coronavírus foi identificado pela primeira vez e cuja população de 11 milhões foi testada, não se mostraram infecciosos.

Uma pesquisa, divulgada nesta segunda-feira pela renomada Imperial College de Londres, avalia que as medidas, iniciadas na Europa no começo de março, obtiveram um “efeito substancial” ao ajudar a reduzir a taxa de reprodução do vírus, podendo ter evitado mais de três milhões de mortes no continente.

com informações da agência O Globo

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