Biólogo explica fala polêmica da OMS sobre assintomáticos e garante: recomendação de distanciamento prossegue

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Foto: AP Photo/Leo Correa
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Uma declaração de Maria van Kerkhove, chefe do programa de emergências da Organização Mundial de Saúde (OMS), está repercutindo no mundo inteiro, inclusive no Brasil e pelo próprio presidente Jair Bolsonaro (sem partido). A especialista afirmou que a transmissão de Covid-19 por pessoas assintomáticas 'parece rara', mas ressaltou que isso não se aplica aos pré-sintomáticos (pacientes já contaminados, que ainda não apresentaram sintomas, mas virão a apresentar).

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Atila Iamarino, biólogo e doutor em microbiologia, afirma que a declaração foi tirada de contexto e ressalta que as recomendações da OMS para frear a pandemia do novo coronavírus estão mantidas.

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“Foi uma colocação muito infeliz e tirada de contexto. A recomendação deles [da OMS] de cuidado das pessoas e distanciamento social continua sendo a mesma. Nós não sabemos quem vai manifestar os sintomas, quando as pessoas vão transmitir os vírus, por isso todo mundo tem que continuar usando máscara e mantendo o isolamento social, se possível", disse Iamarino em entrevista à Globonews nesta terça-feira (09).

Ele afirmou que nunca houve muito conhecimento sobre a transmissão de assintomáticos, mas fez coro com a especialista em relação aos pré-sintomáticos, que formam grande parcela daqueles que transmitem o novo coronavírus.

“O que ficou de fora dessa declaração que é importante é que existem pessoas que não têm sintomas e depois os manifestam, que são as pessoas pré-sintomáticas. Elas são a maior fonte de transmissão da doença. Grande parte dos casos de Covid-19 foram transmitidos nesse período em que pessoas que ainda vão ter sintomas já tinham o vírus no nariz, no corpo e já transmitiam ele. Então, a transmissão principal, medida no mundo inteiro, acontece 2 a 3 dias pré-sintomas".

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Iamarino explica que é exatamente esse quadro de pré-sintomáticos que diferente a Covid-19 das doenças transmitidas por coronavírus que já existiam no mundo.

“Esse é o momento crucial [pré-sintomático] da doença, por isso que nós não conseguimos parar a Covid-19. A, Sars, doença anterior de Coronavírus que já tivemos 2003, foi parada porque as pessoas tinham sintomas quase sempre, então era só retirar alguém com febre da população geral que você impedia a transmissão. Com a Covid-19, isso não é possível porque a pessoa já está transmitindo o vírus antes dela manifestar essa febre”, garante o biólogo.

Sobre o contexto da fala, ele deixou claro ainda que se tratava da melhor forma de como se realizar o rastreio de possíveis infectados. Na hora de buscá-los, estudos indicam que é melhor começar pelos que apresentam os sintomas.

“Quando a OMS falou sobre isso em entrevista eles estavam falando sobre o rastreio de contatos, que é uma coisa que o Brasil tem feito muito pouco. [O rastreio] é você ter uma equipe de pessoas dedicadas para, quando alguém aparece com os sintomas, você conseguir rastrear o contato dessas pessoas, com , quem é a família dela, qual é a região em que ela vive, para ver quem mais pode ter Covid-19 nesse local".

Bolsonaro repercute fala

O presidente brasileiro, que sempre se mostrou contra medidas de isolamento social defendidas pela OMS e que já ameaçou recentemente romper com o órgão, repercutiu a fala de Maria van Kerkhove para voltar a se manifestar contra as medidas de distanciamento.

"Após pedirem desculpas pela Hidroxicloroquina, agora a OMS conclui que pacientes assintomáticos (a grande maioria) não têm potencial de infectar outras pessoas. Milhões ficaram trancados em casa, perderam seus empregos e afetaram negativamente a Economia", escreveu o presidente nesta segunda-feira (08).

Apesar da insistência de Bolsonaro em refutar a importância das medidas de isolamento social, estudos de instituições renomadas continuam respaldando as práticas.

Uma pesquisa, divulgada nesta segunda-feira pela renomada Imperial College de Londres, avalia que as medidas, iniciadas na Europa no começo de março, obtiveram um “efeito substancial” ao ajudar a reduzir a taxa de reprodução do vírus, podendo ter evitado mais de três milhões de mortes no continente.

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