'Omisso' e 'traidor da pátria': Arthur Lira é hostilizado ao chegar no jantar do PL; veja vídeo

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), foi hostilizado por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) na porta do restaurante em que ocorreu o jantar do Partido Liberal, na noite desta terça-feira, em um clube na Asa Sul de Brasília. Ao chegar ao evento, Lira foi chamado de "omisso" e "traidor da pátria" por cerca de dez bolsonaristas que acompanhavam a chegada de parlamentares da sigla do presidente. A reação ocorreu no mesmo dia em que o PT e o PSB formalizaram apoio à reeleição do presidente da Câmara. Bolsonaro também participou do evento.

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— Omisso, se manifeste. O Brasil não vai se entregar, não. Ou viver a pátria livre, ou morrer pelo Brasil. Covarde, traidor da Pátria. Como você dorme à noite? Você não tem família? Vendido — gritaram os manifestantes.

Na saída do jantar, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, disse que não é um problema ter o PT no mesmo bloco para a reeleição de Lira.

— Na presidência da Câmara existe interesse e a situação é diferente. Isso não quer dizer que amanhã a gente vai votar junto com o PT. Não quer dizer nada disso— afirmou Valdemar.

Este foi o primeiro evento político que o presidente Jair Bolsonaro participou após a derrota nas urnas para Lula (PT). Cerca de 150 pessoas participaram do jantar, entre senadores, deputados, governadores e convidados, como o ministro da Secretaria de Governo, Célio Faria, o ex-ministro da Defesa Braga Netto, e o advogado da família Bolsonaro, Frederick Wassef. De acordo com os parlamentares, Lira usou do espaço para pedir votos para sua reeleição.

O evento foi convocado por Valdemar como um encontro de “confraternização” para apresentar parlamentares antigos aos bolsonaristas, que migraram para o PL junto com o presidente da República e têm conseguido ditar os rumos da sigla.

A reunião, porém, foi uma tentativa de acalmar os ânimos após o partido ser penalizado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com uma multa de R$ 22,9 milhões na semana passada por ter entrado com uma ação pedindo a anulação, sem provas, de votos no segundo turno das eleições. A ação do partido, que questionou, sem provas de fraude, a legitimidade das eleições, atendeu a uma pressão dos aliados de Bolsonaro, mas gerou críticas internas da ala mais pragmática.