“Cadê você, Regina?”: Omissão marca gestão de Regina Duarte como secretária de Cultura

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Posse Regina Duarte como secretária de Cultura (Foto: Alan Santos/PR)
Posse Regina Duarte como secretária de Cultura (Foto: Alan Santos/PR)

Depois de um mês e meio de “noivado”, Regina Duarte e o presidente Jair Bolsonaro oficializaram a nomeação dela como secretária especial da Cultura, no dia 4 de março. Regina Duarte abriu mão de um contrato de 50 anos com a Rede Globo, no valor de R$ 60 mil por mês, passando para R$ 120 mil quando atuava em algum programa, para assumir a missão de melhorar a conturbada relação do governo com a classe artística. “Meu propósito aqui é a pacificação e o diálogo permanente com o setor cultural”, disse ela durante a cerimônia de posse.

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A relação com o governo, no entanto, parece perto do fim. Segundo informações da revista Veja, a atriz percebeu que caiu em uma “armadilha”. De acordo com a revista, Regina Duarte foi isolada numa espécie de limbo administrativo, não tem força para convencer ministros a destravar sua agenda cultural e também não conta com apoio do Planalto para sequer escolher a própria equipe.

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Com a crise causada pelo coronavírus, a insatisfação do setor cultural aumentou com a secretaria. A classe artística foi uma das mais afetadas com a proibição de aglomerações e o consequente fechamento de salas de teatro e cancelamento de shows, entre outras medidas. A omissão da Secretaria Especial de Cultura foi duramente criticada nas redes sociais, o que gerou o movimento “Cadê você, Regina?”.

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Internamente, dizem que a secretária tinha a intenção de buscar recursos para atenuar o impacto econômico do setor, mas não conseguiu apoio dentro do governo.

EXONERAÇÕES

No mesmo dia em que tomou posse, a atriz exonerou servidores ligados ao escritor Olavo de Carvalho e virou alvo de olavistas nas redes. Carvalho questionou as ações e afirmou que a nomeação dela só foi possível com seu aval.

No entanto, assim como o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro, Regina Duarte afirmou, na cerimônia de posse, que “o convite [de Bolsonaro] falava em carta branca, não vou esquecer”.

Entre os exonerados, estavam o ex-presidente da Fundação Nacional de Artes (Funarte) Dante Mantovani, que, em vídeo, disse que “o rock leva ao aborto e ao satanismo”; Ricardo Freire Vasconcellos, diretor do Departamento do Sistema Nacional de Cultura; Paulo César do Amaral, presidente do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram); Reynaldo Campanatti, secretário de Economia Criativa; Camilo Calandreli, secretário de Fomento e Incentivo à Cultura; Ednagela dos Santos Barroso dos Santos, diretora do Departamento de Promoção da Diversidade Cultural; Maurício Noblat Waissman, coordenador-geral da Política Nacional de Cultura Viva; Raquel Cristina Brugnera, chefe de gabinete da Secretaria da Economia Criativa; Gislaine Targa Neves Simoncelli, chefe de gabinete da Secretaria de Fomento e Incentivo à Cultura; Leônidas José de Oliveira, diretor-executivo da Fundação Nacional de Artes (Funarte); Marcos Villaça, secretário de Direitos Autorais e Propriedade Intelectual e Rodrigo Junqueira, secretário de Difusão e Infraestrutura Cultural.

Por outro lado, Regina não conseguiu nomear alguns dos nomes que havia escolhido para compor sua equipe, por não passarem no “filtro ideológico” do Palácio do Planalto.


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