Olimpíada ‘peculiar’ inspira simpósio com treinadores brasileiros que vão a Tóquio

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(Foto: Getty Images)
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Por Marcelo Laguna (@MarceloLaguna)

Após as edições de Londres-2012 e Rio-2016, os Jogos Olímpicos retornam ao Oriente 12 anos depois da edição realizada em Pequim. Preocupado com os obstáculos de adaptação que os atletas deverão encontrar em Tóquio no ano que vem, o COB (Comitê Olímpico do Brasil) vai organizar uma série de simpósios entre os treinadores brasileiros que terão atletas no evento. O objetivo é fazer uma grande troca de ideias para abordar todos os detalhes que possam fazer a diferença na hora de brigar por uma medalha.

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O primeiro destes encontros acontecerá no final desta semana na sede do Comitê, no Rio de Janeiro, de sexta-feira (8) até domingo (10). A estratégia repete algo que já havia sido feito no último ciclo olímpico, antes da Rio-2016. “Neste primeiro encontro, vamos falar do planejamento de modo geral, detalhes operacionais, mas também abordar questões que podem oferecer algum risco aos atletas e debater sobre isso”, afirma Jorge Bichara, diretor de esportes do COB.

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No simpósio, um dos temas que terá atenção especial entre os debatedores será a questão do calor. Ao contrário da primeira vez que recebeu a Olimpíada, em 1964, quando a competição foi realizada em outubro, no outono, os Jogos de Tóquio-2020 serão disputados entre 24 de julho e 9 de agosto, em pleno verão.

E de acordo com os especialistas em clima, não será um verão qualquer. A previsão é que a capital japonesa tenha um dos verões mais rigorosos de todos os tempos. Este ano, em virtude das altas temperaturas, 57 pessoas morreram e 1.800 foram hospitalizadas em todo o território japonês.

A situação é tão séria que na semana passada, mesmo sob protesto da governadora de Tóquio, Yuriko Koike, o COI (Comitê Olímpico Internacional) aprovou a mudança do local das provas da maratona e marcha, do atletismo, que deixarão Tóquio e serão realizadas em Sapporo, a 800 km da sede olímpica. Historicamente, na época em que a Olimpíada acontecerá, as temperaturas em Sapporo costumam ficar pelo menos até seis graus centígrados a menos do que em Tóquio.

O pavor dos dirigentes olímpicos é que se repitam no ano que vem as cenas deprimentes que ocorreram durante o último Campeonato Mundial de atletismo, realizado na escaldante Doha, no Qatar. Embora o estádio onde a maioria das provas ocorreu fosse climatizado, aconteceram diversos incidentes justamente na maratona e marcha atlética. Mesmo acontecendo em plena madrugada, o forte calor fez com que diversos atletas desistissem antes do final. Na maratona feminina, algumas corredores tiveram que sair de cadeira de rodas para o atendimento médico.

“Há uma expectativa geral a respeito dos efeitos do calor. A própria mudança da maratona e da marcha para Sapporo demonstra isso. Outros eventos ao ar livre terão horários especiais, mais cedo ou mais tarde, para fugir do calor excessivo. Estivemos lá em agosto, para o evento-teste do triatlo, e vimos como as condições são complicadas, a umidade é muito grande. O nosso consolo é que estará assim para todo mundo”, afirma Sebastian Pereira, gerente executivo de Alto Rendimento do COB.

O simpósio contará com a participação de especialistas em diversas áreas consideradas delicadas nesta reta final de preparação olímpica e que costumam ser um problema em competições na Ásia, como fuso horário, “jet leg” e alimentação. “Alto rendimento é detalhe e se a gente puder facilitar um pouco a vida dos nossos atletas durante os Jogos, já será um grande ganho. O detalhe é que fará a diferença no final”, diz Pereira.

Ele lembra que o Brasil terá nove bases de apoio às diversas modalidades que competirão nos Jogos de 2020, onde além das instalações de treinamento próprias, os atletas terão à disposição cardápio com comida brasileira.

O COB espera reunir neste primeiro encontro cerca de 100 pessoas, entre treinadores, auxiliares técnicos, preparadores físicos e coordenadores técnicos. Eles irão trocar experiencia entre si e ouvir também o que há de novidade na área de preparação de especialistas da Alemanha, Estados Unidos e Canadá. “Nesta reta final, a cerca de nove meses para os Jogos Olímpicos, quem erra menos chega em melhores condições. Encontros como este são fundamentais numa preparação”, diz Jorge Bichara.

“A nossa intenção é fazer pelo menos mais dois ou três encontros até os Jogos, para que possamos apurar todos os detalhes importantes e ver se tem algo diferente dentro do processo, o que estes atletas e treinadores tenham encontrado nesta caminhada. O que a gente puder promover de troca de experiência entre as várias modalidades será fundamental”, completa Sebastian Pereira.

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