"Highlander" da vela, Robert Scheidt chega a Tóquio sem pensar em aposentadoria

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Brazil's Robert Scheidt competes in the Laser Men sailing class on Guanabara Bay in Rio de Janerio during the Rio 2016 Olympic Games on August 13, 2016. / AFP / WILLIAM WEST        (Photo credit should read WILLIAM WEST/AFP via Getty Images)
Robert Schedit durante regata nas Olimpíadas de 2016 (WILLIAM WEST/AFP via Getty Images)

Aos 48 anos, Robert Scheidt vai para a sua sétima Olimpíada, com cinco medalhas e ainda sem pensar na aposentadoria. O "Highlander" da vela brasileira coloca o amor pelo esporte como a sua grande motivação para seguir competindo, mas vê os Jogos de Tóquio como o ponto final em sua trajetória na classe laser, modalidade do iatismo onde o atleta é solitário no barco.

- No Laser, certamente será a última, pois é um barco que exige muito do físico do atleta. Em outras classes, como a Star, depende do programa das próximas Olimpíadas. Fato é que eu não vou me afastar da vela. O que me motiva é a paixão pelo esporte. Não só velejar, mas competir, testar meus limites. O que estou fazendo na Laser, ninguém nunca fez. Além disso, posso mostrar para a juventude que eles têm muita lenha para queimar, que se cuidando e querendo muito, dá para velejar por muito tempo. No meu caso, é isso, a chama, a paixão, a vontade de tentar de novo e lutar.

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No Japão, Scheidt se tornará o segundo atleta sul-americano com mais participações nos Jogos, atrás do atirador peruano Francisco Boza, com oito, e experimentará uma "sensação" nova. Pela primeira vez, não entrará na competição como um dos favoritos.

O brasileiro, no entanto, garante que a motivação por uma medalha não será menor e o seu currículo prova isso. Das seis Olimpíadas disputadas, ele só não subiu ao pódio em uma única oportunidade, no Rio de Janeiro, em 2016.

- Eu me sinto mais leve que em outros Jogos. Não sendo o favorito, você pode fazer as coisas com mais tranquilidade, já que os holofotes não estão em você o tempo todo. Mas isso não significa que eu queira menos a medalha, que eu sonhe menos. Pelo contrário, a vontade de chegar no pódio e fazer uma boa campanha é igual das outras vezes. Na verdade, é até maior. Estou chegando no final da minha carreira e as chances de poder seguir nessa caminhada olímpica vão diminuindo.

Robert lembra que, em 1996, em sua primeira participação olímpica, ele achava que 35 anos era o limite de idade para ter uma boa performance, mas hoje vê a longevidade mais viável, de acordo com a qualidade dos treinamentos desenvolvidos.

- Em 1996, com 23 anos, eu achava que 35 anos era o limite de idade para se ter uma boa performance. E essa questão do tempo de carreira está mudando em todos os esportes. Hoje, o atleta consegue ter maior longevidade. Tudo depende de como ele se cuida, de sua força interior e do quanto ele quer brigar por resultados e medalhas. Assim, uma comparação básica é que, em 1996, meu treino priorizava a quantidade. Hoje, a prioridade é a qualidade. A vontade de competir me desafia e segue a mesma.

Favoritos ao ouro e nível da competição das Olimpíadas de Tóquio

Sobre os principais adversários nos Jogos de Tóquio, o brasileiro coloca o alemão Philipp Buhl, australiano Matt Wearn e o neozelandês Sam Meech, como os principais favoritos ao ouro, embora acredite que a competição possa ter algumas surpresas.

- No momento, um dos nomes mais fortes para os Jogos é o alemão Philipp Buhl, que é o atual campeão mundial e venceu em Vilamoura com um ponto a mais do que eu. Ele está em uma fase boa e, aos 30 anos, é experiente. Em relação aos outros nomes, temos o Matt Wearn, da Austrália, e o Sam Meech. Mas ainda é uma incógnita como eles chegarão a Tóquio. Eles estão treinando isolados em seus países e não tive oportunidade de velejar contra eles em 2021. Só tive contato com os atletas norte-americanos, europeus e sul-americanos. Além desses, velejadores da Croácia, Chipre e França, no caso o Jean Baptist Bernaz, que é meu companheiro de treino, são nomes fortes. Acredito que teremos dez a 12 atletas lutando pelas três medalhas e acredito que estou entre eles. A classe Laser é muito forte, com uma grande representatividade no mundo e é a classe na qual o velejador faz a diferença. Quando a gente chegar na Olimpíada, todo o material vai ser fornecido pela organização - vela, mastro e barco - então, o que conta é a maneira como se veleja, as escolhas táticas.

Por conta da pandemia de Covid-19, Robert Scheidt vê a preparação dos atletas prejudicada, já que não foi possível viajar tanto para competir e conhecer a raia olímpica.

- Devido à pandemia, nenhum atleta conseguiu se preparar de maneira perfeita. Normalmente na vela, os atletas se deslocam para o local de competição muitas vezes para se adaptar à raia, ao vento, ao mar, enfim, ao clima, que é tão importante no nosso esporte. E, dessa vez, ninguém teve muitas chances de treinar na raia olímpica. Assim, difícil fazer uma previsão sobre o nível dos velejadores. Porém, certamente vai ser uma disputa dura e de muita pressão.

Ao falar de si, Scheidt lembra que teve um 2020 complicado, ao acompanhar com tristeza o desenrolar da pandemia e por conta de muitos problemas físicos, que prejudicaram o seu desempenho no mundial de iatismo. O paulista, porém, afirma que aproveitou o tempo se organizar e elevar o seu nível.

- Do lado humano, a pandemia é uma coisa muito triste. Muitas vidas perdidas. Para mim, também foi um momento de bastante apreensão. Porém, pelo lado esportivo, o tempo a mais teve um impacto positivo. No ano de 2020 eu não vinha em uma fase muito boa, tive problemas físicos, com lesões e não fiz um bom Campeonato Mundial. Com os meses e esse ano a mais eu consegui me organizar melhor, ajustar alguns pontos na preparação e mexer em coisas que não estavam muito boas. Trabalhei muito duro nesse período e consegui elevar meu nível. Assim, acredito que esse tempo a mais foi benéfico.

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