Olimpíadas: Alison dos Santos é bronze nos 400 metros com barreiras

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Brazil's Alison Dos Santos celebrates after winning the men's 400m hurdles semi-finals during the Tokyo 2020 Olympic Games at the Olympic stadium in Tokyo on August 1, 2021. (Photo by Jewel SAMAD / AFP) (Photo by JEWEL SAMAD/AFP via Getty Images)
Brazil's Alison Dos Santos celebrates after winning the men's 400m hurdles semi-finals during the Tokyo 2020 Olympic Games at the Olympic stadium in Tokyo on August 1, 2021. (Photo by Jewel SAMAD / AFP) (Photo by JEWEL SAMAD/AFP via Getty Images)

Tem festa em Tóquio! Alison dos Santos, o Piu, conquistou a medalha de bronze na final dos 400 metros com barreiras nas Olimpíadas. A prova foi realizada nesta terça (3), no Estádio Nacional, na capital japonesa.

O noruguês Karsten Warholm levou o ouro e bateu seu próprio recorde mundial, sendo o primeiro homem a baixar dos 46 segundos na prova. A medalha de prata ficou com o norte-americano Rai Benjamin. 

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O Brasil não ganhava uma medalha olímpica em prova individual em pista de atletismo desde os Jogos de Seul-1988, quando Joaquim Cruz ficou com a prata nos 800 metros e Robson Caetano levou o bronze nos 200 metros.

Depois disso, o país subiu ao pódio em provas de salto (Maurren Maggi em 2008 e Thiago Braz em 2016), no revezamento (4x100 m em 1996 e 2000) e na maratona (Vanderlei Cordeiro de Lima, em 2004).

É a 11ª medalha do Brasil em Tóquio. Ítalo Ferreira se tornou o primeiro campeão olímpico do surfe e Rebeca Andrade a primeira mulher a levar ouro na ginástica artística, Kelvin Hoefler, Rayssa Leal (skate street) e Rebeca Andrade (ginástica artística) conquistaram prata, e Mayra Aguiar, Daniel Cargnin (judô), Fernando Scheffer e Bruno Fratus (natação) e a dupla Laura Pigossi e Luisa Stefani (tênis) levaram bronze. Abner Teixeira e Hebert Conceição (boxe) já têm medalhas garantidas, mas ainda sem cor definida.

Quem é Alison dos Santos

Apelidado de Piu, Alison dos Santos é a maior revelação do atletismo do Brasil nos últimos anos. Nesta temporada, o corredor paulista bateu quatro vezes o recorde sul-americano dos 400 m com barreiras recolocando o país no mapa mundial da prova, algo que não acontecia desde a aposentadoria de Eronilde Nunes Araújo, quinto colocado nos Jogos de Sydney-2000.

Alison, porém, tem um lastro grande de vitórias pessoais que o ajudaram a forjar uma personalidade confiante. Quando tinha apenas dez meses, morando na casa dos avós, virou sobre si uma panela de óleo quente, usada para fritar peixe.

Passou quase quatro meses internado no Hospital de Câncer de Barretos e carrega marcas até hoje, a principal delas na cabeça e em um dos braços.

"Hoje eu falo tranquilamente do acidente. Antes, tinha vergonha. Foi um processo mesmo. O atletismo me fez crescer aquilo que sou por dentro. Eu era tímido e tinha vergonha por conta da minha cicatriz, sempre tentava esconder. Agora, eu sou o Piu", diz.

Piu "com u", como gosta de ressaltar, é o apelido que carrega desde a chegada ao atletismo. Ele passou a ser chamado assim pela semelhança física com outro garoto de um projeto social da cidade, conhecido por Piu.

"Eu não sou do atletismo, não tinha nem noção do que era isso. Fazia judô e kung fu, mas foram na escola e me apresentaram o esporte. Achei curioso o fato de me chamarem de canto para ir treinar. Enrolei muito, só apareci depois de cinco meses, quando um amigo meu foi junto", relembra.

Obsessivo por melhoras, ele estuda constantemente provas de atletas como os americanos Edwin Moses, bicampeão olímpico em 1976 e 1984, e Kevin Young, medalhista de ouro em Barcelona-1992 e recordista mundial até hoje.

"Sou o único que corre a prova de uma maneira diferente de todos que hoje competem comigo. Tenho que estudar e adaptar trabalhos para a minha individualidade. Não consigo ser tão rápido em alguns espaços da barreira, por meio que faltar chão. O Kevin Young tem a corrida semelhante à minha, fazemos a mesma corrida, da mesma maneira", explica.

"Por eu ser muito alto (2 metros) não dá para me comparar com um atleta de 1,75 m ou 1,80 m. Estudamos as pessoas que se aproximam mais do meu biotipo para buscar ser melhor, para buscar ser mais eficiente na barreira e no número de passadas", acrescenta.

* Com informações da Folhapress

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