Olimpíada: Efeito pandemia? Primeiras finais da natação registram vencedores mais lentos em anos

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O recorde mundial da equipe feminina da Austrália no 4x100m livre passa uma impressão errada do que foi o primeiro dia com finais da natação nos Jogos de Tóquio. Em geral, as disputas foram marcadas por tempos baixos, que não levariam a medalha de ouro em edições anteriores.

Ao todo, quatro finais foram realizadas no Centro Aquático de Tóquio. De todos, o pior resultado foi no 400m livre. Foi também a prova com o resultado mais surpreendente: a vitória do tunisiano Ahmed Hafnaoui. Entre os últimos campeões, seu tempo (3m43s36) é o mais baixo desde Atlanta-1996.

Hafnaoui é um campeão improvável. Classificado para a final com apenas a oitava melhor marca, ele não esteve sequer entre os 100 melhores nos 400m livre há dois anos. No Mundial junior de Budapeste-2019, não passou nem das eliminatórias. É possível que, se os Jogos fossem em 2020, ele não tivesse a mesma performance. Mas, com o adiamento dos Jogos, teve a oportunidade de melhorar seu desempenho.

Nos 400m medley, a vitória do americano Chase Kalisz arrancou uma comemoração efusiva de Michael Phelps, que acompanhava a prova de dentro do Centro Aquático. Mas a verdade é que seus 4m09s42 não venceriam nenhuma das últimas quatro edições. É o pior desde Sidney-2000. Para se ter uma ideia, em Londres-12, Kalisz sequer subiria no pódio.

Nos 400m medley feminino, Yui Ohashi garantiu a primeira medalha de ouro do Japão em Tóquio. Mas seu tempo (4m32s08), é o mais lento de uma vencedora desta prova desde Atenas-2004.

Já os 3m29s69 das australianas que "salvaram" a noite não chegou a ser uma surpresa. Os bons tempos apresentados na seletiva olímpica nacional já haviam gerado a expectativa de que o recorde da prova fosse quebrado neste sábado. Mas suas concorrentes não foram nada bem. A diferença da equipe da Oceania para as canadenses, que ficaram a prata, foi de 3 segundos, algo fora do comum.

Finais pela manhã: outro fator

É inevitável associar os tempos mais baixos com a pandemia de Covid-19. Afinal, obrigou que equipes de todo o mundo passassem meses sem treinar e, na volta, alterou de forma impactante suas rotinas.

Mas, como se não bastasse a pandemia, outro fator precisa ser levado em consideração. Em Tóquio, as finais da natação ocorrem na parte da manhã. Já o horário da noite, normalmente destinado às decisões, ficou reservado para as eliminatórias. Com isso, as medalhas são disputadas num momento em que os nadadores estão mais frios.

Um exemplo disso é o fato de muitos tempos registrados nas eliminatórias terem sido melhores do que nas finais. Nos 400m livre masculino, por exemplo, o alemão Henning Mühlleitner, quarto colocado, teria levado o bronze com seu tempo nas qualificatórias.

Nos 400m medley masculino, a situação é ainda mais gritante. O australiano Brendon Smith, bronze na final, teria sido ouro com o tempo das eliminatórias. E o neozelandês Lewis Clareburt, que terminou em sétimo, teria ficado com o bronze se tivesse repetido a primeira marca.

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