De olho em novos mercados do UFC, Vicente Luque revela segredo do sucesso: "Vender ingresso"

Diego Ribas

Vicente Luque é um atleta  fora do esteriótipo padrão de lutador. De fala mansa, dono de um discurso direto e fluente em três idiomas, o meio-médio (77 kg) do UFC parece ligado às mudanças de seu esporte também no que se refere ao mundo fora do octógono. E é com essa mentalidade que ele vê no desafio deste sábado (18), em Londres (Inglaterra), uma grande oportunidade.

Diante do dono da casa Leon Edwards, Luque colocará em risco sua sequência de quatro vitórias, mas é competindo contra a torcida que ele pode se destacar a ponto de chamar a atenção de um novo público e, quem sabe, aumentar sua base de fãs na Europa, continente que visita pela primeira vez.

“Durante a minha carreia, eu já tive isso [de enfrentar a torcida]. Já fiz lutas de muay thai na Bahia e lá a torcida era contra. Quando eu lutava em Goiânia, sempre tinha a rivalidade com Brasília e sempre vaiavam muito. Mas, de certa maneira, tenho ideia do que é, de como vão vaiar. Mas isso me dá vontade de ganhar torcida na hora. […] Em Goiânia, lutando muay thai contra um invicto, consegui ganhar por nocaute no segundo round e o pessoal gritou. Vários vieram me dar parabéns depois, criaram respeito, acabaram respeitando”, narrou em conversa com a reportagem da Ag. Fight.

Ex-participante do TUF nos EUA, brasileiro de coração e fluente em espanhol, Luque, embora longe de ser um astro da organização, já marcou presença em diferentes mercados da empresa e competiu em cards variados. Para estrear em shows na Europa, o jovem de 25 anos vê no interesse financeiro da organização a oportunidade para se colocar como opção para ajudar na popularização do esporte.

“Essa é outra parte do MMA que é importante e que temos que explorar. É um entretenimento, não é só esporte. Não é como esporte olímpico que tem ranking que você vai disputar o mundial, vai disputar o cinturão… Tem vários fatores, um deles é a capacidade de trazer público. Tem que vender ingresso. Não que eu sou desrespeitoso, sou da arte marcial. A minha maneira de ganhar a torcida é entrar e dar o meu melhor, entreter eles”, narrou antes de relevar outro detalhe de sua postura.

Enquanto usar o trash talk e polêmicas para promover lutas se tornou rotina na organização e contestar as decisões do evento uma postura quase que obrigatória, Luque, que venceu quatro adversários em sequência, sequer questionou ao ver que o nome de seu próximo oponente não está entre os top 15 da categoria. De bem com o UFC, ele prefere apontar as vantagens do duelo que pode colocá-lo definitivamente no radar dos rivais dos meio-médios.

“Não fiquei surpreso. Na verdade, o card de Londres me interessava. A Europa é um grande público e eu já tinha interesse em lutar, queria lutar com um top 15, claro. Mas quando me apresentaram [Leon Edwards], não fiquei decepcionado. Ele vem de vitórias, é muito bom e tem muito a acrescentar”, finalizou.