Oceania ou Ásia? Entenda onde a Austrália se encaixa na 'geografia' da bola

Que a Austrália fica na Oceania não é segredo para ninguém. Todo mundo aprendeu isso na escola. Mas você deve se perguntar: por que o país disputa as eliminatórias para a Copa pelo continente Asiático?

O motivo é simples: para aumentar a competitividade.

O futebol disputado na Oceania hoje é considerado amador — afinal, apenas a própria Austrália e Nova Zelândia possuem ligas organizadas e profissionalizadas. A Fifa nunca deu às classificatórias do continente uma vaga direta para a Copa do Mundo, apenas à repescagem. Já na Ásia é diferente: os quatro colocados têm vaga garantida na competição. Além disso, normalmente, os jogadores convocados atuam em locais onde a prática do futebol é mais tradicional, como em países da Europa.

Diferentemente de Israel, que joga pela Europa por motivos políticos, em 2005 a Austrália passou a integrar oficialmente a Confederação Asiática de Futebol (AFC). Desde então, disputou todos os Mundiais.

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Para muitos essa era a única maneira dos Socceroos — como são conhecidos os jogadores da seleção australiana, continuar evoluindo no futebol e participar de campeonatos de maior importância. Na época em que era membro da Confederação de Futebol da Oceania (OFC), os jogos mais competitivos eram contra algumas poucas seleções do continente e principalmente jogos amistosos com países de outras confederações. Não é à toa que a seleção só havia disputado a Copa de 1974, na Alemanha, quando sequer marcou um gol.

A diferença da Austrália para as outras seleções do continente oceânico eram exorbitantes. Nas eliminatórias para a Copa de 2002, venceram Tonga por 22 a 0 e Samoa Americana por 31 a 0. Quatro anos mais tarde, ainda na OFC, conquistou a classificação para a Copa de 2006 ao eliminar o Uruguai nos pênaltis.

Na época, o então presidente da AFC, Mohammed Bin Hammam, afirmou que a aprovação da seleção australiana na Confederação asiática foi um importante passo, pois a Austrália é um país desenvolvido no futebol e na economia, por isso traria benefícios para ambos os lados. “Faz sentido para ambos. Do ponto de vista da Oceania, e para a Ásia é bom que tenhamos mais um forte país na disputa”, disse.

Caminho aberto

Do lado da Oceania, as outras seleções ficaram entusiasmadas ao ver a nação mais preparada, que sempre ficava com as vagas de competições maiores, migrar para outro continente, deixando assim os demais países do continente com mais chances de brigar por títulos e classificações.

Na época presidente da Fifa, Joseph Blatter alegou que ambas as partes estavam satisfeitas com a mudança e que, a partir daquele momento, haveria mais chances para as seleções da OFC se classificarem: “Agora, a Nova Zelândia e as ilhas do Pacífico têm ao menos uma chance. Será um sucesso”.

Logo nas primeiras eliminatórias que não contaram com a participação da equipe australiana, a Nova Zelândia soube aproveitar a oportunidade e se classificou para a Copa de 2010, na África do Sul, pela repescagem. Os neozelandeses haviam participado apenas uma vez de uma Copa do Mundo, em 1982, na Espanha, quando foram eliminados na primeira fase — num dos jogos, foram goleados pelo Brasil por 4 a 0, com dois gols de Zico, um de Falcão e um de Serginho Chulapa.