O retorno do Rei: volta de Juninho ao Vasco completa dez anos

Felippe Rocha
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A bola parada. A braçadeira no braço. O chute seco. Os braços abertos. Há dez anos, Juninho Pernambucano repetia uma cena guardada com enorme carinho no imaginário do torcedor do Vasco. Aquele gol foi em julho. O anúncio do retorno do Reizinho foi num 27 de abril, como hoje.

Era época de vacas aparentemente mais saudáveis do que as atuais em São Januário. O então presidente, Roberto Dinamite, com popularidade alta à época, havia repatriado, no ano anterior, Felipe, outro ídolo cruz-maltino. Juninho chegou com valor simbólico de um salário mínimo de salário.

Fora um namoro longo até a volta. Juninho brilhou na Colina, depois virou também do Lyon, da França, e optou pelo futebol dos Emirados Árabes Unidos. Por duas temporadas defendeu o Al-Gharafa. Apesar do anúncio em abril, a reestreia foi só em seis de julho, depois de uma festa marcante em São Januário. Foi contra o Corinthians o gol descrito na primeira linha deste texto.

A redonda ainda quicou na tinta da pequena área antes de ludibriar o goleiro Júlio César. A equipe, que também tinha Fernando Prass, Dedé e Diego Souza naquela partida, acabaria levando a virada, mas o ano terminou quase perfeito. A Copa do Brasil havia sido conquistada pouco antes, e o título do Campeonato Brasileiro escapou por pouco.

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Juninho marcou cinco gols em 26 partida pelo Vasco, dez anos atrás. Na temporada seguinte, marcou 14 em 50 partidas. Só que a crise financeira da época refletia em campo e deixava o ambiente pesado. Em dezembro, ele rumou ao New York Red Bulls.

- Ambiente é propício a vagabundo, propício a quem quer tirar dinheiro do clube (...) Indo embora eu ajudo mais do que ficando. Se eu ficasse, eu estaria contra tudo o que eu penso - afirmou, franco como sempre, numa entrevista à TV Globo na ocasião.

Mas nem tudo foram flores nos Estados Unidos. Tanto que ele voltou no meio de 2013 e tentou ajudar na manutenção da equipe na primeira divisão. Foi batalha vencida, o Cruz-Maltino acabou rebaixado pela segunda vez e, após a pré-temporada, Juninho até tentou continuar a carreira.

A força mental, todavia, não foi suficiente. Nem o corpo resistiu. O meio-campista já não treinava cobranças de falta pois as lesões lhe maltratavam. A vitoriosa carreira chegou ao fim com uma entrevista coletiva emocionante em São Januário.