O Real Madrid ainda tem problemas sérios na defesa e precisa reagir logo

Felipe Portes
Foto: AP/Andrew Medichini

O baile que o Real Madrid levou na primeira etapa do jogo contra o Napoli, pela Liga dos Campeões, é um sinal enorme de que as coisas não vão bem para os atuais campeões europeus. A fase vacilante já vem desde o início do ano e a perda da liderança no Espanhol é um sintoma claro deste problema. Além da falta de atenção, o Real tem dado muitos espaços para os adversários atacarem.

Com Sergio Ramos se destacando mais no ataque do que na defesa, com Marcelo subindo demais e Pepe por vezes desatento, o Real Madrid vira uma presa fácil para qualquer time que saiba atacar minimamente bem. É verdade que o contexto de terça-feira era favorável ao Napoli, que jogava em casa e tinha mais interesse em agredir. Mas nem isso diminui o abismo de vontade entre os dois times. Nos primeiros 45 minutos, houve o Napoli e Keylor Navas, só.

Não sabemos ainda o que houve nos vestiários do Real, mas o time se portou de outra maneira e de fato passou a buscar o jogo. Tanto é que por ser tecnicamente superior, venceu por 3-1, replicando o placar da primeira partida. Aliás, foram duas viradas, na Espanha e na Itália. O que mostra que quando quer, o Real de Zidane pode vencer. Mas existem obstáculos para que isso aconteça com mais frequência.

Depender dos homens de frente quando a defesa não colabora é perigoso demais. Nem só de Sergio Ramos se vive em uma competição tão grande quanto a Champions. E na temporada como um todo, o Real já mostrou grande instabilidade na cozinha. Em 79% dos jogos até aqui, o Real foi vazado. Apesar de estar invicto na Europa, foram 12 gols sofridos em 8 partidas, somando fase de grupos e as oitavas de final. Se analisarmos a Liga Espanhola, a coisa fica mais preocupante: 26 gols sofridos em 25 rodadas.

As atuações mais preocupantes dos últimos meses foram contra o Valencia (dois gols contra em menos de 10 minutos na derrota por 2-1), Villarreal (time saiu de uma desvantagem de 2-0 e virou para 3-2, com erro de arbitragem) e Las Palmas (empate em 3-3). Não estamos falando de nenhuma potência e mesmo assim os merengues tiveram de sofrer demais para reagir. Para quem vinha goleando todos os rivais e sobrando na liderança, este momento da disputa parece bem escorregadio para o Real.

Existe também uma transição prevista. Pepe, que terá contrato encerrado em junho, não deve permanecer. A diretoria já procura um substituto e a bola da vez na imprensa espanhola é o zagueiro Felipe, do Porto, formado no Corinthians. Isso seria uma solução em longo prazo, elogiável ou não. Fato é que Zidane precisa trabalhar agora em uma maneira de resolver essa fragilidade de sua primeira linha, ou acabará com um enorme insucesso na Liga Espanhola e na Champions, os únicos troféus que ainda podem ser conquistados pela equipe madridista.

Qualquer que seja o novo nome para a zaga, ele só vai chegar no segundo semestre. Existe uma longa jornada até lá. E desse jeito, o Real Madrid vai tropeçar mais algumas vezes antes de conseguir comemorar um outro campeonato.