Calça branca, macacos selvagens, lambada e Isaura – o que os russos sabem sobre o Brasil?

Yahoo Esportes
Torcedora do Brasil na Rússia. Foto: Getty Images
Torcedora do Brasil na Rússia. Foto: Getty Images

Por Sandro Fernandes

A imagem que o mundo tem do Brasil é de um país de festa, onde reinam o Carnaval, o café, as praias e o futebol. Na Rússia, não é diferente. Mas além desses estereótipos clássicos, o país tem outras imagens menos tradicionais do Brasil.

Role para baixo para continuar lendo
Anúncio

Você já viu o novo app do Yahoo Esportes? Baixe agora!

Muitos russos, por exemplo, acham que os brasileiros usam sempre calça branca. Sim, isso mesmo. Em um livro publicado em 1928 pelo escritor Ilya Petrov, o protagonista conta que sonha em visitar o Rio de Janeiro e passear pelo calçadão de Copacabana usando calça e chapéu brancos. Ele é um malandro chamado Ostap Bender e esse sonho dele vem sendo passado de geração para geração, há décadas, e ainda hoje faz parte do imaginário dos russos sobre o Rio de Janeiro e o Brasil. O livro virou até filme, mas ainda não foi traduzido ao português.

Outra ideia que os russos têm sobre o Brasil é de que existem muitos “macacos selvagens” no país. E a culpa é de uma comédia soviética chamada “Olá, eu sou sua tia”. Na obra, um jovem malandro – mais uma vez – se esconde da polícia entrando na casa de pessoas ricas e fingindo ser uma tia que acaba de chegar do Brasil.

A frase preferida da tia falsa é “Eu sou sua tia do Brasil, onde vivem muitos macacos selvagens nas florestas”. A frase pegou. Não é raro encontrar russos que acreditam que existam macacos selvagens andando livremente pelas grandes cidades brasileiras. Os pequenos e tranquilos micos-leões do Rio de Janeiro podem ser uma decepção para os turistas russos.

Leia também:
– Veja a nossa página especial de Copa
– Boneca russa de Neymar cai… no gosto dos turistas
– Real Madrid diz que não fará proposta por Neymar

A música brasileira também está na boca dos russos. A bossa nova toca em praticamente todas as cafeterias da cidades. E o samba, apesar de ainda ser muito exótico no maior país do mundo, ganha cada vez mais fãs. É bem verdade, no entanto, que muitos russos ainda acham que no Brasil dança-se salsa.

Mas um ritmo que conquistou completamente o coração dos russos foi a lambada, cantada em português ou na versão em russo. A canção foi hit dos anos 90 na Rússia, mas ainda toca hoje no país inteiro, de festas de crianças a boates. Na internet, é possível encontrar vídeos de competições de lambada nas escolas da Rússia, gravados há três décadas. A malemolência russa não deixa ninguém indiferente.

Das canções mais contemporâneas, “Ai Se Eu Te Pego” é sem dúvida a mais tocada. Por sonoridade, os russos cantam “Melissa, Melissa, assim você me mata”. Melhor não revelar a forma correta, não é mesmo?

E se o assunto é música brasileira, é bom aprender a versão russa de “Bate Forte o Tambor”. Sim, o “tic tic tac” também passou pela Rússia. E com força. A canção do grupo brasileiro Carrapicho, lançada em 1996, virou “Málchik hotet v Tambov”, em russo, seguindo também a sonoridade. A música em russo significa apenas “O rapaz quer ir pra Tambov”. O clipe, de gosto muito duvidoso, mistura integrantes da Família Adams e dançarinas havaianas, bem diferente da influência amazonense original. Tambov é uma cidade de ‎280 mil habitantes que fica a 474km de Moscou. A maioria dos russos nem sabe que a música russa é uma versão de um hit brasileiro.

Mas o que os russos, sim, sabem é de onde vem uma unanimidade nacional – a novela Escrava Isaura. Hoje em dia, vários países da América Latina exportam novelas para a Rússia, mas em 1988, Escrava Isaura foi a primeira série não soviética exibida na União Soviética. O sucesso foi estrondoso. Reza a lenda que até uma reunião do Parlamento russo foi adiada para que os parlamentares assistissem ao último capítulo do folhetim. A palavra “fazenda” foi incorporada ao dicionário russo e hoje é usada como sinônimo para “datcha”, a casa rural das famílias russas. Até a perestroika soviética contou com um toque brasileiro.

Leia também