O que foi a Democracia Corinthiana?

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O futebol é um ambiente regido por uma palavra: disciplina. No Brasil, soma-se a isso a ditadura, instalada nos anos 1960, e a influência de metodologias militares e autoritárias, e pronto: alguns jogadores ao longo do tempo se viram motivados a enfrentar as imposições daquele sistema.

Afonsinho virou símbolo da luta pelo passe livre; Paulo César Caju convivia com as pautas engajadas e cobrava por mobilização; Reinaldo, de punho erguido, falava pelo direito ao voto; e a Democracia Corinthiana, já nos anos 1980, foi uma experiência marcante nesse contexto de um futebol que questiona.

Em 1981, o Corinthians não alcançou bons resultados, e o sociólogo Adilson Monteiro Alves foi contratado para ser diretor de futebol. Sua apresentação, em novembro, pode ser considerado um dos marcos fundadores do novo momento: ideias arejadas, maior diálogo com os jogadores e um espírito de democratizar os processos, com o elenco desgastado com a gestão pulso firme de Vicente Matheus.

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A ideia logo foi consolidada. Em um debate na PUC-SP com Sócrates, Adilson, pai de Duílio Monteiro Alves, o publicitário Washington Olivetto e o jornalista Juca Kfouri, escapa o nome que acaba adotado: Democracia Corinthiana, assim, com TH, escrito por Olivetto num guardanapo. Enquanto isso, os líderes do time se posicionam contra ações antidemocráticas de Vicente Matheus, que quer voltar ao poder.

O movimento extrapola a bola e campo. Campeão paulista, o time também chama a atenção por estampar mensagens na camisa. Ligados à cultura e próximos dos artistas, Casagrande faz o "gol Rita Lee", e pouco antes da final os jogadores fizeram uma festa para arrecadar fundos para a campanha de Lula ao governo do estado.

O engajamento político estava no auge, e Wladimir e Zé Maria foram candidatos ao Conselho enquanto Waldemir Pires era reeleito presidente sob campanha dos jogadores, e contra Vicente Matheus. Sócrates pedia adesão à greve geral. No fim do ano, o time é novamente campeão paulista, levando a faixa 'Ganhar ou perder, mas sempre com Democracia'.

No ano de 1985, aquele Corinthians teve fim. Cheio de grandes jogadores, mas marcado, principalmente, por abalar as estruturas dum grande clube brasileiro, e mexer um pouco no rígido campo de jogo chamado futebol.

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