O que esperar de Corinthians e Ferroviária na Libertadores feminina?

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Corinthians e Ferroviária em partida válida pela final do Campeonato Brasileiro feminino de 2019. (Foto: Felipe Blanco/Ferroviária SA)
Corinthians e Ferroviária em partida válida pela final do Campeonato Brasileiro feminino de 2019. (Foto: Felipe Blanco/Ferroviária SA)

Nesta sexta-feira (11), começa a 11ª edição da Copa Libertadores feminina. Desta vez, os representantes brasileiros na competição que será realizada em Quito, no Equador, serão os paulistas Corinthians e Ferroviária. Ambos vão em busca do bicampeonato no torneio e o Yahoo Esportes conversou com os técnicos das equipes.

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No Grupo A, estão o atual campeão Atlético Huila, Cerro, Colo-Colo e Peñarol. No Grupo B, aparecem Ferroviária, Deportivo Cuenca, Estudiantes e Mundo Futuro FC. Já o Corinthians divide o Grupo C com o América de Cali, Sportivo Limpeño e Ñañas. Fechando as 16 equipes estão Independiente Medellín, Municipalidad, Santiago e Urquiza no Grupo D.

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Em sua segunda participação na Libertadores, Arthur Elias, técnico do Corinthians, diz estar seguro.

“A gente espera continuar sendo uma equipe que consegue impor a maneira de jogar em relação ao adversário, mas entendendo também que são outros adversários, com outras escolas de futebol. Já disputei Libertadores e sei como funciona. Estou muito confiante que a gente vai conseguir fazer isso”, disse o treinador.

Já Tatiele Silveira, que comanda a Ferroviária desde o início deste ano, também mostrou que acredita no desempenho de sua equipe.

“Com certeza a Ferroviária entra para a Copa Libertadores como uma das candidatas ao título por vários fatores. Claro, pela posição de ter a possibilidade de um bicampeonato, por ser o atual campeão brasileiro e pelo elenco, pelo trabalho que viemos desenvolvendo dentro da temporada. A gente vai muito confiante, mas como falei, nós temos os pés no chão e sabemos que temos que fazer uma grande competição. É outro nível, com outra cultura, com adversárias diferentes”, comentou a técnica.

Corinthians e Ferroviária em partida válida pela final do Campeonato Brasileiro feminino de 2019. (Foto: Bruno Teixeira/Ag. Corinthians)
Corinthians e Ferroviária em partida válida pela final do Campeonato Brasileiro feminino de 2019. (Foto: Bruno Teixeira/Ag. Corinthians)

O time de Araraquara, inclusive, vem de um título brasileiro conquistado justamente contra o clube do Parque São Jorge. Para Tatiele, o triunfo funciona como um incentivo a mais para as jogadoras.

“As vitórias nos trazem muita confiança e um título brasileiro mais ainda. Consolida o trabalho delas, como a gente desempenhou e como finalizou o Campeonato Brasileiro, que é tão difícil. Com certeza o título diante de uma equipe tão grande e qualificada só enobrece nossa vitória, nossa conquista. A gente sempre vai usar como uma motivação a mais e mostrar para elas toda essa capacidade que a gente sempre acreditou que elas tivessem”, considerou.

Por outro lado, Arthur Elias não vê a perda do troféu nacional como um fator preocupante e que cause pressão na equipe alvinegra.

“Era um título que a gente trabalhou bastante para conquistar, a gente tinha como objetivo ser campeão brasileiro. Mas também entendemos que fizemos um excelente campeonato, o desempenho da equipe foi fantástico, os números também foram muito expressivos. São coisas do futebol e o título brasileiro não veio, mas a gente fica muito contente com o desempenho da equipe ao longo do campeonato, ao longo do Paulista até então também. Eu vejo que a chance de a gente vencer a Libertadores passa por a gente continuar jogando da maneira que a gente vem jogando, e não nos colocar nenhum outro tipo de pressão a mais, porque os objetivos são grandes e sempre foram”, comentou.

Mas um pensamento é comum aos dois técnicos: manter a estratégia que vem sendo feita na temporada. Enquanto o corintiano exalta o bom desempenho da equipe, a comandante da Ferrinha faz uma ressalva para os jogos em sequência.

Destaques

Na visão de Tatiele, a meio-campista Aline Milene, a zagueira Luana e a goleira Luciana estão em evidência no momento da Ferroviária. “A Aline Milene, uma jogadora que cresceu muito nessa fase final. Essa liderança técnica, que é extremamente importante. A goleira Luciana, que fez uma grande temporada e foi decisiva não só pelos pênaltis. E eu acho que também posso acrescentar a Luana, zagueira, jovem de 21 anos que tem uma experiência dentro da Seleção Brasileira sub-20, e que agora nesse momento profissional da fase adulta fez uma temporada muito bacana”, comentou.

Arthur Elias vê a equipe inteira em condições de conquistar destaque e deixa a escolha para o público. “É difícil eu te dizer isso na minha equipe, porque o futebol tem sido jogado coletivamente muito bem. E obviamente individualmente elas vão criando destaque a cada jogo, a cada momento. E não dá para ter uma certeza de quem vão ser as jogadoras que podem se destacar mais nessa competição. A gente trabalha para que todas se destaquem, que todas estejam jogando em alto nível e é isso o que tem acontecido ao longo da temporada. Cabe a vocês eleger quem vai conseguir chamar mais a atenção”, considerou.

Histórico

A primeira conquista da Ferroviária aconteceu em 2015, quando o campeonato foi disputado na Colômbia. Na ocasião, a equipe era comandada por Leonardo Mendes e derrotou o Colo-Colo por 3 a 1 na final.

A Ferroviária foi campeã da Libertadores em 2015. (Foto: Conmebol)
A Ferroviária foi campeã da Libertadores em 2015. (Foto: Conmebol)

“Claro que já ter essa experiência, já ter no passado esse título é importante. Mas assim como no Campeonato Brasileiro, a gente foi desenvolvendo com o grupo. Porque é um grupo novo, que se formou nessa temporada e a gente tenta tirar essa pressão para que elas consigam pensar nesse momento, no momento presente, em tudo aquilo que elas construíram juntas”, avalia Tatiele.

A Ferroviária não esperava disputar a Libertadores novamente neste ano, mas por conta da desistência do Flamengo e da dissolução da equipe do Rio Preto, foi convidada pela CBF para ocupar a segunda vaga brasileira na competição.

“As meninas ficaram muito felizes, e nós da comissão técnica também, porque é uma nova oportunidade de mostrar nosso trabalho e dar continuidade no nosso projeto e nessa temporada, que acabou se tornando muito vitoriosa”, disse a treinadora da Ferrinha.

Já o Corinthians, que herdou a vaga com a conquista do Brasileirão de 2018, também já conquistou a Libertadores antes, mas em condições diferentes. O troféu veio em 2017, já sob o comando de Arthur Elias, com a vitória sobre o mesmo Colo-Colo, por 5 a 4 nos pênaltis. Naquele ano, o torneio aconteceu no Paraguai.

O Corinthians foi campeão da Libertadores em 2017. (Foto: Conmebol)
O Corinthians foi campeão da Libertadores em 2017. (Foto: Conmebol)

Porém, a disputa daquela edição foi fruto de uma parceria com o Audax, e o Corinthians acabou ficando de fora da competição no ano seguinte. Isto porque a sociedade foi desfeita e a inscrição estava no CNJP do outro clube. Arthur Elias não esconde a frustração por não ter participado do torneio em 2018, mas mostra confiança de que o bicampeonato pode vir nesta temporada.

“A gente teve uma alegria muito grande de conquistar a primeira Libertadores e vamos sempre reconhecer esse título como um título importante. E agora buscar essa nova conquista, que talvez vai ser um campeonato de nível até melhor do que o de 2017, e o que mudou foi que agora a gente não tem mais o Audax como parceiro e estamos usando toda a estrutura oferecida pelo Corinthians. Ao longo desses dois anos a gente evoluiu muito em termos de estrutura e de qualidade de jogo também. A sequência do trabalho nos deu a oportunidade de melhorar nosso nível de jogo”, considera o técnico corintiano.

A Ferroviária será a primeira equipe brasileira a entrar em campo nesta edição. O time de Tatiele Ferreira já entra em campo nesta noite, às 21h30, contra o Mundo Futuro, da Bolívia. O Corinthians de Arthur Elias estreia no sábado, às 19h, diante das equatorianas do Club Ñañas.

Neste ano, o campeão do torneio levará o prêmio de US$ 85 mil (348 mil reais), recorde na Libertadores feminina. O segundo lugar leva US$ 50 mil, enquanto o terceiro fica com US$ 30 mil.

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