O que é preciso para que surjam mais talentos no FA feminino em condições de disputar as ligas nos EUA?

Valinor Conteúdo
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Em abril de 2020, uma atleta do Brasília Pilots, Gabriella de Carvalho Lima, foi selecionada para atuar em uma equipe nos Estados Unidos, o San Diego Tridents, que atua na Liga Women's Football League Association.
A ida da defensive tackle para uma liga organizada e com reconhecimento abre espaço para novos testes e quem sabe, mais brasileiras mostrando seu talento na Terra do Tio Sam.

Gabi conseguiu realizar o sonho porque fez um trabalho individual, focado em sua carreira. O apoio ao esporte feminino no Brasil é mais raro, e dentro do FA, a situação é ainda mais difícil. Ela sempre contou com o apoio da família e da iniciativa própria, com o envio de highlights para diversas equipes, até que foi convidada pelo San Diego para uma reunião, que teve um final feliz.

-Foi um processo seletivo com várias atletas de todo o mundo, entre elas jogadoras da LFL, por meio de videoconferência, que durou aproximadamente quatro horas. Estavam presentes, o presidente do time, o comissário da liga, todos os diretores, dentre outros. No dia seguinte, por e-mail, fui informada por um dos diretores que naquele momento, eu estava sendo avaliada pela comissão técnica. Mais tarde, com grande surpresa e emoção, recebi o resultado dizendo que eu fui aprovada por unanimidade. Todos fizeram questão de me falar com muita alegria que eu recebi SIM-disse à época.

Mas, o que falta para que surjam mais “Gabriella” sem que se exija sacrifícios e recursos próprios para consolidar um intercâmbio sólido com equipes dos EUA? Talento o FA nacional possui.

Um passo inicial é a redução drástica do preconceito com quem pratica o FA feninino no Brasil. O esporte, ainda majoritariamente masculino, pode ofertar mais apoio e espaço para as moças buscarem metas dentro e fora do país, gerando mais praticantes.

- O preconceito sempre existiu e sempre vai existir. O esporte feminino não é valorizado no nosso país. Ainda mais no amador. Vivemos numa sociedade machista, que acredita que mulher não tem direito a fazer tudo que quer. Mas felizmente o preconceito não nos impede de galgar nosso espaço. Seria muito mais fácil sem ele. Mas com ele, seguimos em frente também. A aceitação entre as mulheres cresce mais a cada dia, todo ano temos mais equipes surgindo, novos talentos nas equipes e ver essa evolução é algo muito gratificante pra mim, que cheguei no esporte quando ele ainda era praticado somente por homens - disse Tatiana Sabino, a primeira mulher a jogar futebol americano no país e fundadora do Big Riders, que o América Big Riders, uma das únicas equipes do país que possui todas as modalidades ativas em nível nacional (Flag e futebol americano feminino e masculino).

A chegada de Cris Kajiwara à presidência da CBFA (Confederação Brasileira de Futebol Americano), pode ser um marco não só para a gestão do FA no Brasil, mas também para o feminino. Segundo Cris, o foco do seu mandato será criar programas de incentivo à prática do esporte.

-Vamos dar continuidade no trabalho já iniciado com a seleção feminina de futebol americano e dar ainda mais apoio e visibilidade às atletas que já nos representam tão bem no flag football. Além disso, realizar um trabalho contínuo para o desenvolvimento das atletas, descobrir novos talentos, incentivar que mais mulheres comecem a praticar o esporte-disse.

A conferir o trabalho da CBFA com os times e ligas para que o espaço conquistado por Gabi se torne frequente e o FA se consolide também entre as meninas, gerando novas Gabriellas e Tatianas.