O histórico recente de confusões do Peñarol merece atenção

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Em um passado não tão distante assim, era comum que jogos na América do Sul acabassem e se transformassem em batalhas campais. A rivalidade ou um contexto acirrado específico sempre favoreceram o quebra-pau entre jogadores, delegação e até mesmo torcedores. Pois bem, dentro desta seara de equipes que sempre arrumam barracos por onde passam, está o Peñarol. Um time com DNA vencedor e guerreiro, mas que às vezes ultrapassa o limite da desportividade.

As cenas que vimos nos duelos contra o Palmeiras reforçam a ideia de que o Peñarol catimba mais do que joga bola. Mas não é bem assim que se pode tratar a questão, além de ser uma generalização burra para falar de um clube pentacampeão da Libertadores. A intimidação sempre fez parte do jogo para os sul-americanos. Algumas equipes sabem andar nesta corda, outras não.

E já que estamos falando de questões morais, é justo que se iguale na balança o efeito da cera prolongada, de porradas fora do lance às simulações e malandragens de jogadores brasileiros. Não há santo dentro do futebol e é muito ingênuo tratar os times daqui como vítimas o tempo todo.

Em Peñarol x Palmeiras, o jogo transcorreu normalmente nos 90 minutos, sem qualquer lance que pudesse ser visto como maldade, violência ou agressividade excessiva. O problema se desenrolou quando o juiz apitou e os uruguaios partiram para cima de Felipe Melo, outro que não é santo, mas neste caso em especial, nada tinha feito. Quer dizer, à parte de ter dito que daria “tapas na cara de uruguaios” (depois assumido pelo próprio volante como um erro), ele não teve nenhuma atitude que provocasse a ira dos carboneros em Montevidéu. A briga começou como uma retaliação ao que aconteceu em São Paulo, quando Felipe ouviu ofensas racistas e protagonizou mais polêmicas na entrevista pós-jogo.

Comemorar a vitória em campo com os braços erguidos continua não sendo um motivo sólido para que um grupo de jogadores parta para cima de Felipe. E ele poderia muito bem ter saído de campo sem dar socos, mas falando bem a verdade: quem não teria feito o mesmo? Não sejamos hipócritas, é questão de legítima defesa, pura e simples. As imagens divulgadas pela Fox Sports mostram que Felipe apenas se defendia do avanço do Peñarol.

E quem é que vai dar razão ao Peñarol depois que vimos aquele amontoado de gente cercando a delegação palmeirense, com ajuda do policiamento, que intencionalmente fechou o portão para impedir a saída dos visitantes do gramado? Todo o fuzuê no Campeón del Siglo pareceu bem premeditado.

 

Um amistoso problemático

Em janeiro deste ano, o Atlético Paranaense se preparava para estrear na Libertadores. O clube convidou o Peñarol para um amistoso na Arena da Baixada, para entrar no clima da competição. Afinal, teria duas preliminares antes de jogar a fase de grupos. Pois é, o futebol ficou em segundo plano na partida. O empate em 0-0 foi manchado por uma confusão dentro de campo, com Thiago Heleno em foco. O zagueiro brasileiro se irritou com algo dito pelos aurinegros e teve de ser contido pelos companheiros para não distribuir pancadas.

Em plena final de Libertadores

O Santos também pode falar que o Peñarol arrumou confusão. Logo após o apito final da Libertadores 2011, no Pacaembu, a festa do Peixe foi ofuscada por pancadas, empurrões e a turma do deixa disso. Teve chute pra todo lado e a segurança teve de intervir para evitar o pior. Tudo começou com a invasão de um torcedor, que teria provocado os uruguaios. Ainda assim, nada que justificasse o clima de guerra que se estabeleceu entre jogadores e comissão técnica.

Outro amistoso manchado pela violência

Em 2009, o Newell’s Old Boys foi até Montevidéu para um amistoso de pré-temporada contra o Peñarol. Uma entrada desleal de Mateo, do Newell’s, desencadeou uma baita briga, aos 37 minutos do primeiro tempo. A partida teve de ser cancelada antes mesmo do intervalo, para evitar maiores problemas. E o Peñarol venceu. Sim, a primeira atitude violenta veio do Newell’s, mas ninguém espera um quebra-pau em um amistoso, né?