O gol que mudou a sorte do Manchester City muito antes dos investidores árabes

Goal.com

Hoje o Manchester City é um dos principais e mais ricos clubes do mundo, mas nem sempre foi assim. antes de ser comprado por um sheik árabe, o clube ia mal e estava a beira de problemas maiores. E a história poderia nunca ter mudado se não fosse um gols específico marcado em 1999. 

Pouco antes da paralisação do futebol devido à pandemia do coronavírus Covid-19, o City foi ao Santiago Bernabéu para ter uma das maiores vitórias de sua história, contra o Real Madrid. Enquanto isso, alguns dias antes, o Curzon Ashton, localizado a menos de 10 km do estádio Etihad, levou 45 torcedores a York City para um empate em 1 a 1 na Liga Nacional Norte - cinco divisões abaixo da Premier League.

Hoje, a realidade do City, um dos gigantes da Europa, é completamente diferente da de seu modesto vizinho. Mas há alguns anos, este foi o caminho do clube de Manchester, pouco antes do natal de 1998, também visto como um dos piores momentos do time na história.

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Na terceira divisão inglesa, o City conseguiu se recompor ao ponto de chegar na repescagem para subir para a segunda divisão nacional. Foi assim que, uma série de eventos levaram o time à elite inglesa. "É difícil imaginar agora quando você vê o tamanho do clube", bem colocou o ex-atacante do City Gareth Taylor.

Gareth Taylor Manchester City 2020
Gareth Taylor Manchester City 2020
Foto: Getty

Nos bastidores, o clube estava uma bagunça, com pouco investimento, constantes trocas de treinador e cercado de boatos sobre falência e possíveis aquisições. E tudo poderia ter piorado se o acesso à segunda divisão não tivesse chegado.

Devido a importância da promoção, os jogadores não ficaram sabendo o quão grande era o significado daquilo. "Sabíamos como era importante tirar o time daquela divisão para os torcedores, para o clube e talvez para as finanças", conta o atacante Paul Dickov à Goal. "Mas acho que foi só depois da final da repescagem que nos atingiu o que teria acontecido se não tivéssemos sido promovidos. Se tivéssemos consciência disso, pode muito bem ter tido um efeito negativo sobre nós".

Naquele momento, todo o foco do futebol inglês estava voltado para o Manchester United de Sir Alex Ferguson e, apenas quatro dias antes do jogo de repescagem do City contra o Gillingham, os Reds conquistaram o título da Liga dos Campeões ao derrotar o bayern de Munique, em Barcelona. 

Mas o City estava focado em seu próprio jogo. "Eu não sei sobre os outros jogadores, mas eu não podia me importar menos com o United porque eles estavam muito à nossa frente - nem sequer estávamos na divisão abaixo", aponta. "Não podíamos deixar isso nos afetar como jogadores".

"Estávamos mais preocupados em tentar sair daquela divisão na primeira tentativa e tentar dar um pouco de retorno aos torcedores", lembrou, mesmo considerando que a torcida do City, mesmo em má fase, conseguia uma média de público superior à vários times da primeira divisão. 

Paul Dickov Manchester City
Paul Dickov Manchester City
Foto: Getty

O City estava confiante no confronto contra Gillingham, depois de os ter vencido fora de casa apenas seis semanas antes, mas o jogo em Wembley foi muito disputado.

Os dois times tiveram chances e Gillingham abriu o placar aos 82 minutos, através de Carl Asaba. Pior ainda foi quando o chute rasteiro de Bob Taylor fez 2 x 0 sobre o City. "Quando Gillingham marcou o segundo, eu fui para o fundo das redes pensando que tínhamos estragado tudo", contou Dickov.

"Sentimos que tínhamos jogadores melhores do que eles e uma equipe melhor. Então, nos encontrarmos em desvantagem por dois gols e parecendo que estava tudo acabado, foi devastador".

Depois de ver o United conseguir ganhar o jogo com um milagre e dois gols nos acréscimo, o City precisava de seu próprio milagre em Wembley. E ele veio pouco antes dos 90 minutos, com um gol de Kevin Horlock.

"Eu só senti que eles tinham se desligado e continuei dizendo a mim mesmo que ainda tinha mais uma chance no jogo, fosse para mim ou para outra pessoa", lembrou Dickov.

E teve. Aos 94 minutos, a bola caiu para o próprio Dickov na entrada da área. Ele deu um toque e bateu a bola no goleiro do Gills Vince Bartram: "Não me lembro de nada sobre isso, não vou mentir".

Com o empate por 2x2, a disputa pela vaga foi para os pênaltis, e o City venceu e redescobriu a confiança.

A vitória e a promoção permitiram que, três meses depois, o clube fechasse um acordo para mudança para o novo estádio. Isso significou, inclusive, deixar o terrível campo de treino da época para trás: "Lembro que os gramados eram tão ruins no nosso campo de treinamento porque tínhamos acabado de nos mudar para lá que qualquer tipo de chuva e era como um pântano", contou Taylor.

O acordo, também é muitas vezes citado como o principal fator de atração do investimento do bilionário Sheikh Mansour bin Zayed al-Nahyan, responsável por alavancar o City.

Mas as coisas poderiam ter sido tão diferentes se o City não tivesse conseguido, de alguma forma, a vitória na repescagem em 1999.

Sergio Aguero Manchester City QPR 2012
Sergio Aguero Manchester City QPR 2012
Foto: Getty Images

Sem uma vitória de Wembley, talvez não houvesse um Estádio Etihad. Sem o impacto do então treinador Joe Royle, não teria havido Pep Guardiola e suas temporadas de recordes de títulos.

Sem o gol de Dickov, não haveria Agüero em nenhum momento.

O atacante, porém, continua modesto em relação ao gol que mudou para sempre o destino do clube e talvez o do futebol inglês.

"Sou o garoto sortudo que fez o gol", diz ele. "Tenho a tendência de receber todo o crédito por isso, mas lembro às pessoas que havia outros 14 jogadores lá fora naquele dia".

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