O futuro do surfe é uma mulher

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Caroline Marks quer revolucionar o surfe feminino com aéreos e tubos (WSL/Kelly Cestari)
Caroline Marks quer revolucionar o surfe feminino com aéreos e tubos (WSL/Kelly Cestari)

Por Emanoel Araújo

Lebron James não foi à faculdade. O talento o fez saltar do 3º colegial direto para NBA.

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Aos 18 anos, Serena Willians conquistava, em casa (Aberto dos Estados Unidos), seu primeiro Grand Slam.

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Pelos exemplos citados acima, é possível ver que a grandeza do personagem abaixo se equipara ao de Lebron e Serena. Ambos americanos como Caroline Marks. Todos com um ponto em comum: tão talentosos a ponto de mudarem o esporte.

O irmão Zach [de boné] é surfista e a incentivou a deixar o hipismo (Reprodução)
O irmão Zach [de boné] é surfista e a incentivou a deixar o hipismo (Reprodução)

Em abril, noticiamos aqui a primeira mulher a receber uma premiação em dinheiro igual ao dos homens. No entanto, o que não foi noticiado é que, de tão nova, a vencedora do Boost Gold Coast estava proibida por lei de consumir a cerveja do patrocinador. Com 17 anos, Caroline ainda está longe de poder beber. E esse talento nato já chama – e muito – a atenção.

Tomara que os próximos campeonatos ofereçam algo dentro da lei. Afinal, o retrospecto garante que em metade das edições do mundial, quem venceu a primeira etapa leva o caneco no final do ano. Conhecida no circuito como “The next world Champion” (A próxima campeã mundia), Caroline mostra que há muitos pódios a subir.

E Gold Coast foi o primeiro da promissora história. Na final, a garota de 17 anos venceu a tricampeã mundial Carissa Moore. O resultado não era surpresa pra quem a viu no dia anterior vencendo, de forma incontestável a heptacampeã Stephanie Gilmore. No palanque alternativo, a praia de D’Bah (que a australiana chama de ‘casa’) quem parecia à vontade era Marks. Veja:

Eu quero ser a próxima geração. Eu quero começar a fazer aéreos, entubar e surfar ondas maiores. Não acho que estou tão nervosa quanto as pessoas pensariam que estivessem. Na verdade estou muito animada e, realmente, quero colocar pra baixo”

Domadora de cavalos e ondas

Em uma de suas primeiras experiências no mar...e lá se vão 10 anos (Arquivo pessoal)
Em uma de suas primeiras experiências no mar...e lá se vão 10 anos (Arquivo pessoal)

Quem conhece Caroline Marks sabe que nada disso foi fruto da sorte. O destino fez com que, aos 8 anos de idade ela fosse surfar com dois (dos quatro) irmãos. O mais velho, Zach competia em concursos de surfe e juntava a família toda para assistir. Nos momentos de folga (da escola ou do hipismo), ela começou a usar o tempo livre pra ir à praia com seus irmãos. Demorou apenas um ano para que ela se inscrevesse em um campeonato local. Para surpresa de todos, ela estreou com título.

Sorte de iniciante ou presságio?

“Lembro que a família se dividia entre os finais de semana para os festivais [de surfe] do meu irmão e nos dias de semana era minha vez de cavalgar”

Se surfar é, de certa forma, domar as ondas, Caroline começou do jeito certo. Até os 11 anos de idade ela se dividia entre os campeonatos de hipismo e o surfe. Apenas nesta idade ela sofreu sua primeira derrota e deixou claro que não gostaria de ter essa sensação novamente. Pior pro hipismo: foi a vez de focar nos treinamentos na água.

A decisão mais acertada que fez na vida, Marks garante que não pensou sob influência de ninguém. O pai, que também é surfista, nunca foi seu técnico ou empresário. Tanto ele quanto a mãe jamais interferiram na carreira da atleta.

A família se mudou para o outro lado dos EUA para acompanhar Caroline (Arquivo pessoal)
A família se mudou para o outro lado dos EUA para acompanhar Caroline (Arquivo pessoal)

Após vencer a Liga Nacional Escolar e o Mundial da ISA (Associação Internacional de Surfe), aos 13 anos a americana estreia em seu primeiro campeonato profissional. A história é tão impressionante que não entraremos em detalhes. Somos jornalistas e só acreditamos vendo. Na apuração não encontramos vídeos do primeiro título. Para nos ajudar, o vídeo abaixo mostra uma menina de 15 anos comemorando o bicampeonato do torneio, que é chamado de ‘Copa do Mundo’ do surfe.

Recorde até na elite

Entrar na elite do surfe parecia algo certo. Mas como Lebron e Serena, Caroline Marks não sabe fazer outra coisa a não ser história. Com 15 anos de idade, ela debuta no WCT e se torna a surfista mais nova a competir - em toda a história da elite (incluindo homens e mulheres). Nem mesmo Kelly ou Medina foram tão precoces.

“No começo do ano [2017] eu nem sabia que tentaria me qualificar. As coisas aconteceram muito rápido (...) O meu verdadeiro foco neste ano era melhorar o meu surf – melhorar os aéreos, surfar Cloudbreak [onda tubular em Fiji] e ganhar experiência em ondas maiores e mais pesadas”

Ela ainda não podia dirigir, mas em 2018 ela começou a rodar o mundo. Parou nas quartas de final em sua estreia entre ídolos. Pela primeira vez na carreira, a surfista de 17 anos termina a temporada sem títulos nas etapas, mas leva de consolação o título de “Caloura do Ano”.

Após a vitória em Gold Coast e a vice-liderança do mundial de surfe, só nos resta ver o que 2019 promete a Caroline Marks.

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