O fim do Dinizismo: Passagem de Fernando Diniz no São Paulo teve eliminações, liderança e 'entreveros'

Gabriel Santos
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A era Fernando Diniz no São Paulo terminou na última segunda-feira (1), quando o Tricolor resolveu demitir o treinador após sete jogos sem vencer, com quatro derrotas e três empates. A sua passagem como comandante do clube foi repleta de altos e baixos, eliminações e algumas 'brigas' com jogadores.

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Diniz chegou ao São Paulo em setembro de 2019 para o lugar de Cuca, que havia pedido demissão. Na ocasião, a estreia dele foi contra o Flamengo, no Rio de Janeiro, à época treinado por Jorge Jesus. O que parecia uma derrota certa, foi um empate sem gols com alguns bons momentos do São Paulo em campo.

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O São Paulo terminou o Brasileirão na sexta colocação, conseguindo a vaga para a fase de grupos da Libertadores. Com isso, Diniz conseguiu uma certa tranquilidade no cargo para a temporada seguinte, que começou com uma eliminação traumática e deu início a vexames.

ELIMINAÇÕES MARCARAM A PASSAGEM DE DINIZ
Em boa fase, o São Paulo encerrou a primeira fase do Campeonato Paulista de 2020 como líder do grupo e uma das melhores campanhas. Passada a pandemia, o time perdeu do Mirassol, que havia se remontado e foi eliminado em pleno Morumbi. Naquele momento, o trabalho de Diniz já foi contestado.

- Não vou tacar pedra no time, que estava indo bem (antes da pandemia). A gente não voltou (da paralisação) como a gente vinha jogando, e, infelizmente, não conseguimos a classificação - lamentou na ocasião.

O tempo passou e o Tricolor começou a disputa da fase de grupos da Copa Libertadores. O primeiro jogo já foi um baque: derrota para o Binacional-PER por 2 a 0, fora, rival considerado 'saco de pancadas' do grupo, que contava com LDU-EQU e River Plate-ARG.

Esse revés foi decisivo para a eliminação da equipe na competição continental, onde terminou na terceira colocação, com sete pontos ganhos em seis jogos. Como consolo, o Tricolor se classificou à Sul-Americana, mas veio outro vexame logo no primeiro adversário.

O Lanús-ARG foi o rival do São Paulo na segunda fase da Sula e eliminou o Tricolor. No jogo de ida, vitória dos argentinos por 3 a 2, na Argentina. Na volta, o São Paulo venceu por 4 a 3, mas foi eliminado pelo gol fora de casa, sofrido aos 47 minutos do segundo tempo.

A última eliminação na temporada foi diante do Grêmio, nas semifinais da Copa do Brasil. O clube do Morumbi vivia excelente fase no Brasileirão, líder do campeonato, com sete pontos de diferença para o vice-líder. O São Paulo perdeu por 1 a 0 em Porto Alegre e empatou sem gols no Morumbi, dando adeus ao título inédito na história do clube. E esse jogo é tratado como o ponto da virada na moral de Diniz e do elenco.


DINIZISMO ESTEVE ON NA TEMPORADA

Não foi somente de momentos ruins que viveu Fernando Diniz à frente do comando do São Paulo. O time vinha em má fase na temporada, com seis jogos sem vencer. Um triunfo contra o Atlético-GO - curiosamente o último adversário na sua passagem pelo Morumbi - no primeiro turno, fez com que a confiança no trabalho do treinador fosse prolongada.

A equipe engatou uma sequência de 18 partidas sem perder na Copa do Brasil e no Campeonato Brasileiro, chegando à liderança da competição nacional, com sete pontos de vantagem para o vice-líder, na época o Atlético-MG. Tudo isso faltando dez rodadas para o fim do torneio, que o São Paulo não vence desde a temporada 2008.

Na ocasião, Diniz contou com a grande fase dos atacantes Brenner e Luciano, que mantiveram bons números sendo destaques do time em vários jogos. As vitórias convincentes sobre o Flamengo, apontado como o melhor time do Brasil, foi o auge de Diniz no comando técnico do São Paulo.

- Acho que estamos caminhando para um grande momento. Estamos sempre melhorando as relações. O time soube se unir cada vez mais e tirar o melhor de cada um e não o pior. O normal seria o time se despedaçar. Essa é a rotina do futebol brasileiro e isso vai crescendo, mas no São Paulo aconteceu o contrário. Soubemos criar laços mais fortes quando a pressão veio de fora - afirmou Diniz após avançar às semifinais da Copa do Brasil.

Naquele momento, novembro de 2020, tudo parecia ser um conto de fadas para o São Paulo. Mas a virada do ano e, coincidentemente, a chegada de Julio Casares para presidir o time, viraram tudo de cabela para baixo. O primeiro capítulo foi na derrota por 4 a 2 para o Red Bull Bragantino, com a participação especial de um jogadores mais queridos por Diniz no elenco.

'DISCUSSÃO' COM TCHÊ TCHÊ FOI O INÍCIO DO CALVÁRIO
Era o dia seis de janeiro de 2021. Primeiro jogo do ano, liderança do Brasileirão e a esperança de um novo futuro com Julio Casares na presidência e Muricy Ramalho na coordenação de futebol. O Tricolor enfrentou o Red Bull Bragantino em Bragança Paulista e com dez minutos já perdia de 2 a 0.

No entanto, um episódio ficou marcado na cabeça do torcedor são-paulino: a discussão de Fernando Diniz com o meia Tchê Tchê, um de seus atletas preferidos no mundo de futebol, onde foram vice-campeões paulistas no Audax, em 2016.


- Seu ingrato do c..., seu perninha do c..., seu mascaradinho. Vai se f... - gritou Diniz para o camisa oito são-paulino. O jogador acabou sendo expulso na segunda etapa e o Tricolor perdeu por 4 a 2. Depois disso, foram somente resultados negativos. Sete jogos sem vencer, com quatro derrotas e três empates em 2021.

No jogo seguinte, após a derrota para o Santos por 1 a 0 no Morumbi, Diniz tratou de pedir desculpas ao jogador e ao elenco.

- Foi um erro que cometi, pedi desculpas para o Tchê Tchê pela exposição e o time. Mas também a culpa tem uma curva que é benéfica e depois te traz prejuízo - afirmou em entrevista coletiva.

GOLEADA CONTRA O INTER E ATAQUE AO ÔNIBUS AFUNDARAM DE VEZ
Ainda brigando pelo título, o São Paulo teve um confronto direto contra o Internacional em casa. No entanto, o time não se encontrou e sofreu a pior derrota de sua história no Morumbi: 5 a 1, com três gols de Yuri Alberto.

Raí e Daniel Alves deram entrevistas defendendo o treinador, mas o clima já se mostrava insustentável. Ali, ficava claro como o ambiente estava pesado.

E ele esquentou de vez no jogo seguinte. O São Paulo foi enfrentar o Coritiba no Morumbi, onde empatou por 1 a 1 com a equipe paranaense. Mas a partida ficou em segundo plano. Isso porque 20 torcedores atacaram pedras e soltaram bombas em direção ao ônibus que levava a delegação são-paulina ao estádio. O time empatou e Diniz permaneceu no cargo.

No jogo seguinte, não teve jeito. O São Paulo perdeu por 2 a 1 para o Atlético-GO, caiu para a quarta posição no Campeonato Brasileiro. Fim da passagem de Fernando Diniz no cargo. Fim do 'Dinizismo'.