O fator Vini: versatilidade é trunfo para Brasil ter defesa sólida e atacante como arma contra Croácia

Tite tem um plano. E ele passa por não alterar o modelo de jogo para que a seleção brasileira sofra pouco na defesa e fique plantada o maior tempo possível no ataque para agredir o adversário. Mesmo com as mudanças impostas pelas lesões na Copa do Mundo, como a que mantém Alex Sandro como dúvida, o sistema de jogo não tem sofrido alterações, o que se repetirá diante da Croácia, hoje, 12h, pelas quartas de final.

A palavra que resume essa possibilidade de manter o sistema tático baseado no jogo de posição é versatilidade. Desde que estabeleceu a formação no chamado 4-1-4-1, que com a bola se transforma em um 3-2-5 ou um 2-3-5, o técnico deixou claro que a armação das jogadas é sempre iniciada pelos zagueiros Marquinhos e Thiago Silva, com o revezamento de um lateral recuando para fazer a saída com três defensores. A partir da preparação na Itália, Tite deixou de lado a utilização de Paquetá por fora, com Casemiro e Fred como volantes. Agora, a formação se consolida para a sequência de Vini Jr na equipe titular.

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Nesse contexto, os improvisos de Danilo e Militão são os maiores exemplos do sucesso da aposta do técnico na versatilidade. Danilo deverá fazer seu segundo jogo como lateral-esquerdo, mas já avisou que em breve se reinventará para atuar exatamente como zagueiro pela direita, ou se precisar pelo outro lado. O jogador já cumpre esse tipo de papel na Juventus, clube que defende.

- O segredo do sucesso na seleção, dessa nossa capacidade de transformar os esquemas táticos, acho que é a disponibilidade dos jogadores. A comissão trabalha, vê de acordo cada um o que pode ser melhor para o jogo, mas a disponibilidade dos jogadores em quererem fazer as coisas serem possíveis, tem feito com que isso seja mais fácil - afirmou Danilo.

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O fator Vini Jr

Com o uso do experiente jogador do lado esquerdo, Tite orienta que Vinicius Junior baixe mais para buscar a bola pela lateral, já que Danilo não sobe muito pelo setor. Normalmente, atua por dentro quando o Brasil tem a bola. Assim, o atacante surge como a principal válcula de escape para acelerar o jogo em direção ao gol. Mas o modelo que o técnico determina é para que não haja tanta movimentação dos homens de frente para receber essa bola atrás da linha do meio-campo.

- A estratégia é colocar o Danilo por dentro e sair com três pra bola chegar logo até mim. Temos muitas jogadas e personalidade pra fazer. Tento aparecer ao máximo no jogo - explicou Vini JR.

Além dele, Raphinha, Paquetá e Neymar precisam marcar posição para dar profundidade ao ataque e manter a seleção dentro do campo de defesa adversário. Desta forma, também são levadas em considerações adaptações que esses jogadores podem fazer. Os pontas já possuem um comportamento defensivo bastante intuitivo, Richarlison é um centroavante que fecha bem os espaços, e Paquetá se desdobra para defender e atacar pela meia direita, enquanto Neymar ocupa a faixa central pela esquerda.

Todos sempre muito perto do gol. Nem o camisa 10 tem sido visto recuando para buscar a bola no meio-campo. Nos momentos que o Brasil não tem a posse ele faz o balanço defensivo e, aí sim, arranca para buscar um contra-ataque. A expectativa é por uma Croácia mais disposta a jogar, como foi a Coreia do Sul. Mas o Brasil também está preparado para uma defesa fechada, e para isso o sistema atual é considerado o ideal pela comissão técnica.