O espetacular ano de 2000 de Romário merecia o prêmio de Melhor do Mundo

Goal.com

O futebol brasileiro não se leva a sério muito antes de realmente ficar bastante abaixo do nível do futebol europeu, o que fica evidenciado na análise de algumas das temporadas de craques ignoradas em âmbito mundial. Dentre essas, porém, a principal delas se deu em 2000, quando Romário teve o melhor ano da carreira.

Esqueça a lenda de que Edmundo foi o melhor da temporada 1997, ainda que os seus 42 gols em 51 jogos e o respeitável título de artilheiro do Brasileiro merecessem mais crédito da Fifa. O Animal fez um excelente Nacional, mas não manteve o nível no resto da temporada. Ronaldo, o ganhador, fez 47 gols em 49 jogos e era titular da seleção brasileira, enquanto Edmundo era reserva do Fenômeno e de Romário.

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Três anos depois, também pelo Vasco, Romário atingiu números praticamente inimagináveis nos dias de hoje. A começar pelo número de redes balançadas: foram 66 gols e 16 assistências em 71 partidas disputadas pelo clube carioca. Além disso, balançou a rede sete vezes em dois jogos pela seleção brasileira. Incríveis 73 gols e 16 assistências em 73 jogos.

Romário foi tudo o que os melhores atacantes costumam ser em seus grandes anos. Artilheiro (considerados Módulo Azul e mata-mata), melhor jogador e campeão da Copa João Havelange, que substituiu o Campeonato Brasileiro naquela temporada, coroando com um gol em cada partida da decisão contra o São Caetano (o gol marcado em 2001, na última partida decisiva, não está na conta acima). Sua temporada, porém, vai além.

VASCO CORINTHIANS 2000 WORLD CUP
VASCO CORINTHIANS 2000 WORLD CUP

O Baixinho começou com tudo no Mundial de Clubes, sendo o artilheiro da competição na qual o Vasco foi vice-campeão. Depois, foi artilheiro tanto do Torneio Rio-São Paulo, disputado apenas entre os grandes de cada estado, quanto do Campeonato Carioca.

Em ambas ocasiões, o Vasco acabou perdendo na final, mas isso não impediu o destaque do Baixinho. Ele chegou a marcar três vezes na goleada por 5 a 1 contra o arquirrival Flamengo, que valeu ao Cruz-Maltino a Taça Guanabara. Na decisão, porém, se machucou e não conseguiu jogar a partida final.

O desempenho foi tão impressionante que forçou o seu retorno a uma combalida seleção brasileira que sofria nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2002. Aos 34 anos, correspondeu ao chamado de Candinho anotando três gols contra a Bolívia e quatro contra a Venezuela.

Sem Ronaldo, machucado, o Baixinho voltou a ser o principal jogador do país, mesmo longe da flor da idade. Foi tão bem em 2000 que jogou outras cinco vezes pelo Brasil em 2001, aos 35 anos de idade, marcando três gols. Dois em um amistoso contra o México e outro diante do Peru, pelas Eliminatórias da Copa.

Romário terminou aquelas eliminatórias como terceiro maior artilheiro no geral e dividiu o posto de goleador do Brasil com Rivaldo, ambos com oito redes balançadas. O meia do Barcelona, no entanto, fez 15 jogos, enquanto Romário esteve em apenas cinco.

A excelente temporada foi fechada com chave de ouro na hoje extinta Copa Mercosul, que reunia os times mais tradicionais de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai no segundo semestre. A avaliação é subjetiva, mas seria um torneio entre a Libertadores e a Sul-Americana em termos de importância.

Foi nela que o camisa 11 desfilou pelos campos sul-americanos, anotando ao menos um gol em todos os times que enfrentou. Foram dois no Peñarol, três no San Lorenzo e um no Atlético Mineiro. Na semifinal, outro no River Plate. O show principal, porém, ficou para a decisão.

Diante do Palmeiras, fez um gol no primeiro jogo, no Maracanã. Na segunda partida, vitória dos paulistas por 1 a 0 no Palestra Itália, forçando o terceiro jogo. No dia 20 de dezembro daquele ano, veio o momento histórico: comandou a virada de 3 a 0 para 4 a 3, com três gols e uma assistência, assegurando outro título na temporada.

Sem revisionismo

Obviamente, o título de Melhor do Mundo está em ótimas mãos com Zidane. O francês foi vice-campeão italiano e não teve grandes campanhas na Copa da Uefa e na Copa da Itália. Sua França, porém, foi campeã da Eurocopa e impulsionou a conquista do craque.

Romário, no entanto, nem foi considerado para a disputa, algo que não se justifica em nenhum aspecto. Para se ter uma ideia de quão competitivo era o futebol aqui, ainda que desorganizado, seguem abaixo as "seleções" da Bola de Prata de 2000 e da Premier League do mesmo ano.

Brasil

seleção Bola de Prata Brasil 2000
seleção Bola de Prata Brasil 2000
  • Goleiro: Rogério Ceni (São Paulo)

  • Lateral-direito:  Arce (Palmeiras)

  • Zagueiros: Cris (Cruzeiro) e Lúcio (Internacional)

  • Lateral-esquerdo: Sorín (Cruzeiro)

  • Volantes: Mineiro (Ponte Preta) e Ricardinho (Cruzeiro)

  • Meias:  Juninho Paulista (Vasco) e Juninho Pernambucano (Vasco)

  • Atacantes: Romário (Vasco) e Ronaldinho Gaúcho (Grêmio)

Inglaterra

GFX Bola de Prata ING
GFX Bola de Prata ING
  • Goleiro: Nigel Martyn (Leeds United)

  • Lateral-direito: Gary Kelly (Leeds United)

  • Zagueiros: Jaap Stam (Manchester United) e Sami Hyypiä (Liverpool)

  • Lateral-esquerdo: Ian Harte (Leeds United)

  • Volantes: Roy Keane (Manchester United) e Patrick Vieira (Arsenal)

  • Meias: David Beckham (Manchester United) e Harry Kewell (Leeds United)

  • Atacantes: Andy Cole (Manchester United) e Kevin Phillips (Sunderland)

Alguma dúvida de quem é melhor? Bom, essa diferença não impediu David Beckham, do Manchester United, e Thierry Henry, do Arsenal, de serem o sexto e o sétimo na eleição de Melhor do Mundo.

Veja abaixo um raio-x de Romário em 2000

  • 73 jogos

  • 73 gols

  • 16 assistências

  • 71 jogos pelo Vasco

  • 66 gols pelo Vasco

  • 16 assistências pelo Vasco

  • 2 jogos pela seleção

  • 7 gols pela seleção

  • Artilheiro do Mundial de Clubes

  • Artilheiro do Brasileiro (Módulo azul e mata-mata)

  • Artilheiro da Copa Mercosul

  • Artilheiro do Campeonato Carioca

  • Artilheiro do Rio-SP

  • Artilheiro do Brasil nas Eliminatórias

  • Campeão do Brasileiro

  • Campeão da Copa Mercosul

  • Vice-campeão do Mundial de Clubes

  • Vice-campeão do Carioca

  • Vice-campeão do Rio-SP

  • 2 gols na final do Brasileiro

  • 4 gols na final da Copa Mercosul

  • 1 gol na final do Rio-SP

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