O epicentro global da pandemia por jogadores brasileiros e o retorno da MLS

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Torneio de volta da MLS está sendo disputado em complexo da Disney em Orlando, na Flórida (AP Photo/Phelan M. Ebenhack)
Torneio de volta da MLS está sendo disputado em complexo da Disney em Orlando, na Flórida (AP Photo/Phelan M. Ebenhack)

Os Estados Unidos, país líder mundial em número de pessoas infectadas pelo coronavírus e de mortes por Covid-19, retomou a principal liga de futebol do país, a Major League Soccer (MLS). Também tem data marcada para o retorno da NBA, segundo campeonato mais assistido pelos americanos (perde apenas para a NFL). Todos as equipes das duas ligas estão concentradas em Orlando, no estado da Flórida. Para ser mais preciso, no mesmo complexo de luxuosos hotéis da Disney. Um mundo à parte foi criado para possibilitar o retorno dos torneios, com direito a teste de Covid-19 a cada dois dias no caso da MLS. Para entender como foi o esquema de guerra montado para o retorno da liga norte-americana, conversamos com alguns brasileiros que atuam no torneio. Eles também relataram como foi o período de confinamento nas cidades em que moram e as alternativas para manter a forma física durante a quarentena.

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O brasileiro Héber, atacante do New York City, conta como o clube sediado na cidade com mais de 220 mil casos de Covid-19 se adaptou aos treinamentos.

“Em 8 de março, recebemos a notificação do clube para ficarmos em casa. Os casos começaram a explodir em Nova York e o risco era iminente. Alguns dias depois, enviaram um kit para treinamento em casa com anilha, peso, bola e itens que permitissem montarmos uma mini academia. Logo depois, recebemos um relógio, onde o clube controlava via aplicativo se as atividades passadas pelo preparado físico eram cumpridas”.

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A tecnologia não permite trapaça por parte dos jogadores. Mesmo em casa, os programas de treinamento precisam ser seguidos. No entanto, com o isolamento, a rotina de atividades não é o suficiente para manter o bem-estar mental. Matheus Rossetto, meia campeão da Copa do Brasil em 2019 pelo Athletico Parananense e atualmente no Atlanta United, falou sobre o período confinado.

“O psicológico fica um pouco abalado. Ficamos totalmente isolados em casa no período de quarentena. Não saímos nem para fazer compras no mercado. Pedíamos pelo celular e entregavam em casa”, afirma.

O estado do time de Rossetto, a Georgia, contabiliza mais de 120 mil infectados pelo coronavírus. Mesmo com um número bem inferior a este, o estado de Utah (mais de 30 mil casos), onde joga pelo Real Salt Lake o brasileiro Everton Luiz, teve cenários de guerra. O volante natural de Porto Alegre descreve como foi a experiência quando precisou sair de casa.

“Chegamos a ver o mercado vazio. As estantes sem nada, não tinha papel higiênico, álcool e coisas básicas. Foi assustador. Demos sorte pois minha mulher havia feito uma compra grande pouco tempo antes”, conta.

Depois de deixarem os jogadores por cerca de dois meses em casa, os clubes americanos seguiram o mesmo modelo gradual de retorno. Primeiro, pequenos grupos faziam atividades em áreas delimitadas do campo. Depois, esses grupos foram se ampliando, até a retomada do coletivo. Os jogadores tinham a temperatura medida na entrada do CT e iam com o uniforme de casa.

Em comum entre os depoimentos dos três atletas: a disponibilização de aparelhagem para treinamento por partes dos clubes, reuniões com o staff por chamadas de vídeo e compras online no supermercado.

Retorno da MLS

Todos os 26 times da Major League Soccer se reuniram na cidade de Orlando, no resort Swan and Dolphin para disputar o chamado MLS is Back Tournament. Até 11 de agosto, cada equipe jogará três vezes na fase de grupos, divididos pelas Conferências Leste e Oeste. Os pontos conquistados irão contar para a classificação da temporada regular da liga. Os dois primeiros colocados das seis chaves, mais os quatro melhores terceiros avançam para a fase final. O vencedor do torneio conquista a vaga na Champions da Concacaf de 2021.

Para tornar a continuidade do torneio possível, um esquema rígido de segurança foi montado no complexo. Os jogadores não podem sair do local. “Quem quiser sair, só vai passar vontade, pois não podemos sair pra nada”, comenta Héber, atacante revelado no Figueirense-SC. O volante Everton Luiz, que antes de chegar à Salt Lake alcançou destaque atuando no SPAL, da Itália, confirmou o lockdown no resort e afirma que até mesmo o contato com conhecidos é coibido por seu clube: “a orientação é não parar para ficar conversando nem com conhecidos. Como todos os times estão aqui, é natural encontrar os jogadores brasileiros, mas, neste momento, só dá para cumprimentar. Não tem resenha.”

A frequência das testagens de Covid-19 também impressiona. De acordo com os jogadores, os times testam em média três vezes por semana. O volante Everton explica como o seu clube procedeu, até a chegada em Orlando.

“Em Salt Lake, eram três testes por semana da saliva e um do nariz. Quando chegamos em Orlando, fazíamos o teste e tínhamos que ir para o quarto para aguardar o resultado. A frequência de testes aqui tem sido bem alta, no mínimo, três vezes por semana”, conta o jogador que atuou no CRB-AL antes de ir à Europa.

Mesmo com a rigidez nos protocolos, o Dallas FC, time do zagueiro brasileiro Bressan e do volante Thiago Santos, se retirou do torneio após a confirmação de dez casos positivos de Covid-19 entre os jogadores.

Héber antes de jogo do New York City FC (Jeremy Reper/ISI Photos/Getty Images).
Héber antes de jogo do New York City FC (Jeremy Reper/ISI Photos/Getty Images).

Desconhecido no Brasil faz sucesso em Nova York 

“Não tem como, é a melhor cidade do mundo, onde todo mundo queria estar”, descreve Héber, o atacante do New York City Football Club, equipe pertencente ao mesmo grupo detentor do Manchester City, da Inglaterra. Na temporada passada, o camisa 9 anotou 15 gols e foi o artilheiro do time. 

No Brasil, Héber não é muito conhecido. É nascido no estado de Rondônia, mas fez toda a base no Figueirense, levado por um empresário de sua cidade natal. Antes, havia feito testes no Atlético-MG e Cruzeiro, sem sucesso. Segundo Héber, um apelo de sua mãe o convenceu a fazer a última tentativa. Conseguiu não só passar na peneira, mas ir ao time principal do Figueira e anotar três gols na série A. Porém, uma lesão no joelho o atrapalhou. Acabou indo para o rival Avaí, mas também não conseguiu jogar muito por lá. Subiu ao Norte para atuar no Paysandu, mas, em cinco meses, jogou somente três partidas. Então. surgiu a oportunidade de ir pra Armênia, país europeu não muito conhecido no Brasil.

“Ali, foi o início do sucesso da minha carreira fora do Brasil. Fiz muitos gols por lá e depois joguei em dois times na Croácia. No último, o Rijeka, fui eleito o melhor jogador do campeonato croata na temporada 2018/19. Foi aí que o New York City se interessou em me contratar. Quando cheguei na Europa, não sabia nem o que era hi. Meu inglês era péssimo. Hoje, me comunico bem e aproveito o fato de estar na melhor cidade do mundo”.

Morando sozinho em Nova York, Héber diz que a cidade tem tudo a oferecer, “a qualquer hora”. Nascido em Colorado do Oeste, município de 18 mil habitantes em Rondônia, o atacante se diz realizado pelas experiências que obteve.

“Tirando o período de quarentena, que fiquei mais de um mês dentro de casa, aproveitei muito a cidade, que é incrível e te possibilita ter tudo a hora que você quiser. Já tive o prazer de jogar contra nomes como Nani, Ibrahimovic, Schweinsteiger, Carlos Vela... a liga está cada vez mais forte e quero continuar aqui”, conclui o atacante de 28 anos.

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