O dilema de Jorge Sampaoli: aceitar a Argentina ou levar um clube ao topo?

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Enquanto a Argentina está arriscada de não participar da Copa do Mundo e o Sevilla tem uma séria decadência na temporada, o técnico Jorge Sampaoli vive um dilema. Apontado por muitos como o único salvador possível da seleção albiceleste, o campeão da Copa América de 2015 com o Chile está dividido.

Sampaoli já era indicado para comandar a Argentina no ano passado, antes de assumir o Sevilla. Entretanto, ele considerou que a Europa era o lugar ideal para o momento de sua carreira. A decisão se mostrou acertada, já que ele trouxe uma proposta inovadora de jogo ao time espanhol e não à toa está em terceiro lugar na Liga local, atrás de Real Madrid e Barcelona. O fato de ter avançado para a segunda fase da Liga dos Campeões também representou um avanço para os rojiblancos, que podem até ser tricampeões da Liga Europa, mas não conseguiam chegar forte ao principal torneio europeu.

De forma objetiva, Sampaoli trouxe o estilo que o Sevilla precisava ter para bater de frente com os grandes, não só ser uma potência na segunda competição em relevância na Europa. Contratações foram feitas e o time começou tinindo a temporada. Só agora, neste primeiro trimestre do ano, é que as coisas saíram do controle. A eliminação para o Leicester da forma como foi desmoralizou um pouco o elenco, que já vinha oscilante algumas rodadas antes.

O carequinha tem algo que muitos times desejam: a sabedoria de como atacar, dar espetáculo e ao mesmo tempo brigar por títulos. Um exemplo disso é que o argentino também é alvo do Barcelona para suceder Luis Enrique, que não ficará no Camp Nou na próxima temporada. O destino de Sampaoli parece estar mesmo traçado para os lados da Catalunha. Ou não?

Para o treinador, a obsessão é com os títulos. E só ele pôde tirar o Chile de uma longa espera até a consagração na Copa América, sem falar no bom desempenho na Copa de 2014. No Barça, o desafio será não só conquistar taças, mas ser ainda melhor do que a equipe desempenhou sob o comando de Lucho. Isso envolve uma tremenda pressão, a maior que Jorge sofreria em muito tempo. O que nos leva a uma terceira alternativa: assumir a Argentina e levar a bicampeã mundial de forma segura até a Copa de 2018.

Não há dúvidas de que Sampaoli pode fazer este time render. A questão é: ele terá tempo para transmitir sua filosofia ao elenco, que ainda parece abalado pelo trauma de perder três finais consecutivas entre 2014 e 2016? Tempo é a palavra chave nesta equação. As eliminatórias acabam ao fim de 2017 e restam só quatro rodadas para o desfecho.

A próxima partida das Eliminatórias é em junho, portanto, depois do encerramento da temporada europeia. Ele precisaria dizer sim à AFA e prontamente começar a conversar com os jogadores-chave da seleção, convencê-los de que é possível sair desta má fase.

Há também um risco enorme de assumir este posto num momento tão turbulento. Se ele falhar, ficará marcado como aquele que era o técnico da primeira seleção da Argentina a ficar fora de uma Copa do Mundo desde 1970. Talvez esta possibilidade seja o grande empecilho para que ele aceite um eventual convite.

Com o Barcelona em vista e o próprio Sevilla sendo uma ótima opção em longo prazo, Jorge tem pouquíssimas chances de tomar conta da Seleção por agora. Pesaria a identificação ou a chance de entrar para a história como o redentor de uma geração. Os dados estão rolando. Sampaoli é o que há de mais atraente no futebol atual e não faltam interessados nos seus serviços. E para ele, nenhuma das escolhas para o futuro é confortável. Quem quer estar no topo, não pode jamais estar acomodado.

Um Sevilla mais forte, um Barcelona reformulado ou a Argentina classificada para a Copa do Mundo?