O dilema da vacinação de atletas às vésperas das grandes competições

Cyril TOUAUX, con las oficinas de la AFP
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Os anéis olímpicos que anunciam os Jogos de Tóquio, adiados para 2021, em 1º de dezembro de 2020

É preciso priorizar a vacinação dos esportistas de alto nível? A poucos meses dos Jogos Olímpicos e da Eurocopa, em um momento em que as mutações do vírus preocupam, a questão abre um dilema com conotações éticas.

Nem a UEFA, organizadora da Eurocopa, que deve começar no dia 11 de junho em 12 cidades de 12 países europeus, nem o Comitê Olímpico Internacional (COI), responsável pelos Jogos (23 de julho a 8 de agosto), responderam a essa pergunta.

"É muito cedo para tomar uma decisão", disse um porta-voz da Uefa à AFP, garantindo que a questão "faz parte da reflexão para o protocolo médico da Eurocopa".

O mesmo vale para o COI, que vai abordar a questão da possível vacinação de atletas em sua comissão executiva no dia 27 de janeiro. Até agora, permanecem as palavras de seu presidente Thomas Bach: "Nem a obrigação de vacinar, nem a prioridade aos atletas seriam surpreendentes para o resto da população".

A pergunta inevitável é se os atletas podem ser considerados uma população prioritária, com acesso à vacina antes de pessoas que correm risco.

- Uma decisão clara -

"A última coisa que eu gostaria é de tomar a vacina de alguém que precisa muito mais", resumiu Neil Fachie, um ciclista paraolímpico britânico, entrevistado pela BBC.

Mas há muitas opiniões quanto à taxa de vacinação em diferentes países e regiões.

Na França, onde a vacinação começou lentamente, a ministra dos Esportes, Roxana Maracineanu disse "esperar" uma decisão clara do movimento esportivo sobre o assunto, "seja das federações internacionais ou do COI".

Uma linha não compartilhada pelo Comitê Nacional Olímpico e Esportivo da França (CNOSF), que preconiza a vacinação rápida dos atletas antes dos Jogos.

"Não podemos correr o risco de ter um atleta infectado que contamina o restante da equipe. Seria lógico que todas as pessoas credenciadas para os Jogos estejam vacinadas", disse Denis Masseglia, presidente do CNOSF.

A opinião é compartilhada por Paul Tergat, presidente do Comitê Olímpico do Quênia: "Queremos que todos os que vão a Tóquio sejam vacinados logo, para que se sintam seguros. Quanto mais cedo melhor".

O mesmo ocorre na Austrália, onde o comitê olímpico "incentiva" os atletas a se vacinarem e a se prepararem para os Jogos "em total segurança".

- Brasil e Rússia: posições opostas -

Na Itália, o movimento esportivo aguarda a reação de seu governo. "Sim, somos favoráveis, mas temos que esperar o que nosso Ministro da Saúde vai dizer", disse à AFP um porta-voz do Comitê Olímpico Italiano (CONI).

No Brasil, a questão parece desatualizada. "Não negociamos uma eventual imunização dos atletas", disse Marco Antonio La Puerta, vice-presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, garantindo que o respeito às medidas de proteção, testes e quarentenas deve ser suficiente.

É uma posição muito distante da Rússia, que planeja "vacinar os atletas das seleções nacionais, inclusive as categorias de base", explicou o ministro russo do Esporte à AFP.

Mas qual vacina que está sendo aprovada será considerada válida em Tóquio? "Confio no COI para decidir sobre isso", disse o francês Denis Masseglia.

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