O dia em que só a TV sueca viu o pênalti de Júnior Baiano na Copa de 98

Tore Andre Flo, da Noruega, disputa bola com Júnior Baiano na Copa do Mundo de 1998. Foto: Stu Forster /Allsport
Tore Andre Flo, da Noruega, disputa bola com Júnior Baiano na Copa do Mundo de 1998. Foto: Stu Forster /Allsport

O Brasil nunca ganhou da Noruega. Foram quatro jogos, com dois empates e duas derrotas brasileiras. Portanto, domínio absoluto do país do Haaland, o cometa.

Nos confrontos, oito gols sofridos pela Seleção Brasileira e cinco marcados pelos pentacampeões mundiais.

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Em 1998, na Copa da França, a nossa seleção, dirigida à época por Mario Jorge Lobo Zagallo, foi derrotada por 2 a 1 pelos noruegueses.

Um ano antes, já dirigido por Zagallo, o Brasil atuou em Oslo, capital da Noruega. Era um amistoso preparativo para a copa do ano seguinte.

Foi 4 a 2 para a Noruega.

O que doeu ainda mais para a Seleção Brasileira nesta derrota em Oslo foi o fato de os noruegueses quebrarem uma série invicta.

Até a goleada histórica, o Brasil não sabia o que era perder há três anos, seis meses e treze dias.

A invencibilidade foi derrubada pelos carrascos dos brasileiros. A última derrota brasileira havia sido em 18 de junho de 1993, quando foi massacrada pela Dinamarca, por 4 a 0.

A Copa de 98 entrou para a história como a da convulsão de Ronaldo Fenômeno no dia da grande final.

As outras duas polêmicas da competição foram as buscas sobre o que teria provocado a convulsão de Ronaldo.

Na época, boatos deram conta de que Pedro Bial, repórter da Rede Globo que fazia muito sucesso à época, estaria tendo um romance com a Suzana Werner, que era a namorada de Ronaldo.

O fato foi desmentido pelo próprio Pedro Bial, mas ganhou as manchetes dos programas de fofoca da televisão.

Outro assunto foi o pênalti marcado contra o Brasil.

Foi no jogo disputado em Marselha.

Aos 42 minutos do segundo tempo, quando o jogo estava empatado em 1 a 1. Após um cruzamento da esquerda, Júnior Baiano disputou a bola com o centroavante norueguês Andre Tore Flo.

Pela televisão, parecia um lance normal. Sem falta. Mas o árbitro da partida correu para a marca de pênalti e marcou falta máxima.

Na Globo, o comentarista de arbitragem Arnaldo Cezar Coelho criticou de forma contundente o árbitro do jogo, Esfandiar Baharmast, dos Estados Unidos.

O narrador Galvão Bueno também foi duro em suas análises contra o árbitro da partida.

Kjetil Rekdal, da Noruega, marca o gol da vitória sobre o Brasil na Copa de 1998. Foto: Tony Marshall/EMPICS via Getty Images
Kjetil Rekdal, da Noruega, marca o gol da vitória sobre o Brasil na Copa de 1998. Foto: Tony Marshall/EMPICS via Getty Images

Dois dias depois do jogo, imagens de uma televisão sueca deixaram claros os motivos que fizeram o árbitro marcar o pênalti com tanta certeza.

Percebe-se claramente pelas imagens da TV sueca que Júnior Baiano puxou infantilmente a camisa de Andre tore Flo. Pênalti indiscutível.

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Criticado pela decisão, Bahamast foi absolvido pelo mundo do futebol.

“Fiquei desapontado quando soube que as pessoas estavam comentando que não foi pênalti. Eu sabia que tinha sido. Fiquei feliz quando a TV sueca mostrou para todos que foi pênalti”, disse Andre Tore Flo.

“A partida de 1998 mudou a minha vida. Para muitos noruegueses aquele é o melhor jogo da seleção nacional em todos os tempos. Havia sido muito difícil se classificar para Copa do Mundo. E aquela vitória nos levou para a próxima fase da copa. Com certeza é algo grande”, completou Andre Tore Flo.

No Jornal Nacional, o informativo mais importante da Globo, o relato do jogo foi de um Brasil que errou, que teve Dunga calado, um Zagallo que não procurou alternativas e uma ironia de William Bonner, ao dizer que 32 seleções jogavam a Copa há 14 dias, mas mesmo assim o técnico do Brasil disse que a Copa do Mundo mesmo só a partir daquela partida.

Pedro Bial, no centro das discussões por causa do propalado namoro com Suzana Werner, preferiu comentar sobre o fato de Dunga ter sido “light” demais.

Recorde-se que no jogo anterior, Dunga havia tido uma discussão ríspida com o atacante Bebeto, o que fez alguns jogadores colocarem em dúvida a sua liderança.

O que é certo é que o pênalti, tão contestado, foi mesmo pênalti.

Com ele, a Noruega conquistou uma vitória épica, que nunca mais será esquecida pelos noruegueses.