O Campeonato Mineiro 2020 vai continuar? Clubes do interior não estão animados

Victor Martins
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Testes de Covid-19 já começaram nos jogadores e funcionários dos clubes de Belo Horizonte (Pedro Souza/Atlético)
Testes de Covid-19 já começaram nos jogadores e funcionários dos clubes de Belo Horizonte (Pedro Souza/Atlético)

América-MG, Atlético-MG e Cruzeiro já preparam o retorno aos treinamentos após a paralisação por causa da pandemia do novo corona vírus. Na última semana os jogadores atleticanos fizeram testes de Covid-19 e as atividades na Cidade do Galo devem ser retomadas nos próximos dias. Nesta segunda-feira será a vez de os jogadores cruzeirenses serem testados, algo que já aconteceu com comissão técnica e funcionários na semana anterior. O América também vai iniciar os testes nesta segunda. Mas os clubes de Belo Horizonte vão jogar as rodadas finais do Campeonato Mineiro ou já é o começo da preparação para o Campeonato Brasileiro?

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O questionamento é válido diante do cenário completamente diferente que se encontra nos times do interior do estado. Entre os outros nove participantes do Módulo 1, apenas dois têm previsão de volta aos treinos. O Coimbra recebeu na última semana a liberação da prefeitura de Contagem para realizar atividades no seu centro de treinamento. A equipe da região metropolitana de Belo Horizonte já tem todo a programação acertada para o retorno das atividades. Já o Uberlândia tem previsão de retornar aos treinos somente no dia 15 de junho.

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As demais equipes do estado aguardam por um posicionamento da Federação Mineira de Futebol (FMF) e até da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), nos casos dos clubes que vão disputar as Séries C e D do Brasileirão. Entre os dirigentes existe quase um consenso sobre não disputar os jogos que restam da edição 2020 do Campeonato Mineiro. Um bom exemplo é o Tombense, que ocupa a vice-liderança do torneio, um ponto atrás do América. Para Leandro Gaviolle, gerente de futebol do time de Tombos, não existe mais clima para seguir com a competição.

“Vamos ver quando e como vai voltar, mas acho que para este ano já perdeu o interesse”.

Em alguns casos não existe nem mesmo elenco e comissão técnica. Caldense, Patrocinense, URT e Villa Nova não renovaram os contratos dos jogadores que ficaram sem vínculo no começo de maio e dispensaram os profissionais do futebol. Como o Campeonato Mineiro tinha previsão de encerramento na última semana de abril, vários clubes tinham acordos por apenas quatro meses com vários atletas.

Diante desse cenário, a continuidade do Campeonato Mineiro é colocada em dúvida. Para o Villa Nova, que está na zona do rebaixamento, a competição de 2020 deveria ser anulada. A equipe de Nova Lima mantém contrato com alguns atletas formados pelo clube e que estão treinando em casa, já que vai disputar a Série D, mas é contra a retomada do Estadual.

Uma saída para o problema pode ser a alteração no regulamento, com o fim do rebaixamento nesta temporada, assim como será no Rio Grande do Sul. Não haverá descenso no Campeonato Gaúcho de 2020. Para compensar, quatro clubes vão ser rebaixados no próximo ano, para que em 2022 a competição volte a contar com 12 participantes, como é atualmente.

“Acredito que seja o mais justo, pois o grau de competitividade que existia não irá existir com o retorno, pois todas as equipes pequenas dispensaram seus atletas e comissões técnicas. Com o retorno, quem não correm risco de rebaixamento irá voltar com equipe praticamente de base, para cumprir tabela, o que irá prejudicar as equipes que lutam contra o rebaixamento. Isso sem contar a total desestruturação de todos, o que levará algum tempo para o retorno ao ponto que paramos. Por isso, acho que a decisão da Federação Gaúcha foi a mais acertada”, disse Cláudio Dias, vice-presidente do Tupynambás, o lanterna do Mineiro.

Outro ponto levantado pelos dirigentes é a falta de recursos para a remontagem de elencos. Alguns clubes encerrariam a temporada 2020 já em abril, com o término do Mineiro. Sem dinheiro para recontratar os jogadores que atuaram na primeira fase do Estadual ou novos nomes, a solução pode ser a utilização de jogadores das categorias de base e até mesmo de atletas amadores.

Para o encerramento do Estadual em Minas Gerais são necessárias mais seis datas. Faltam duas rodadas da primeira fase, para se definir os clubes semifinalistas, os que ficam com as vagas na Série D do Brasileirão de 2021 e os rebaixamentos, além de duas partidas pela semifinal e mais duas pela final.

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