O caminho até a final: a dramática queda e o renascimento do AS Monaco

O sonho acabara. Eles acordaram em meio a uma catástrofe. Desacreditado e subestimado, o Porto destruiu o Monaco ao aplicar 3 a 0 na final da UEFA Champions League 2004 em Gelsenkirchen, na Alemanha.

"Estou desapontado pelos atletas. Ele fizeram muito bem o seu trabalho durante uma longa temporada", afirmou Didier Deschamps, treinador da equipe à época.

Essa foi uma temporada muito longa, na qual o clube imaginava jogar a segunda divisão da França, sobretudo depois das dívidas estimadas pela UEFA atingirem entre 53 milhões e 87 milhões de euros.

Patrice Evra Didier Deschamps Monaco Porto 26052004

O Monaco havia gasto uma grande fortuna para tentar segurar Fabien Barthez e Thierry Henry. E ainda mais para contar com Christian Panucci, Oliver Bierhoff, Vladimir Jugovic e Marco Simone. Agora, eles estavam pagando preço.

Após quatro semanas frenéticas, o Monaco ganhou um refresco, recuperando seu lugar na Ligue 1 ao conseguir novos investidores. Ter batido o Real Madrid, repleto de Galácticos, havia sido uma conquista.

"Isso é algo muito especial, porque é uma equipe jovem", disse Deschamps depois que seu time bateu o Chelsea nas quartas de final.

Patrice Evra, Ludovic Giuly, Emmanuel Adebayor e Jerome Rothen se tornaram atletas cobiçados em todo o continente. Em Deschamps, eles tinham um jovem treinador com o mundo a seus pés. O Monaco era um clube de topo naquela ocasião.

"Eu não conseguia imaginar nosso time jogando a Ligue 2", disse Henri Biancheri, gerente de futebol do clube à época. E ele não tinha que fazer isso.

Christian Vieri 11012006

Nos próximos sete anos, o Monaco caiu de terceiro a 10º e para 12º, sendo rebaixado em 2011 - desta vez, pelas falhas dentro de campo. A má administração custou caro ao clube do Principado.

Deschamps e suas estrelas seguiram em frente. Uma série de nomes badalados chegaram ao clube, como Freddy Adu, Christian Vieri e Mahamadou Diarra. Os atletas, porém, trouxeram pouco retorno. No meio de sua temporada na segunda divisão, o time estava mal.

Então veio um salvador. Da Rússia, com amor, e muito mais dinheiro que os moradores de Monte Carlo, poderia sonhar. O bilionário Dmitry Rybolovlev chegou a liderar um ressurgimento do clube.

El Príncipe Alberto y el presidente de Mónaco, Dmitriy Rybolovlev.

Claudio Ranieri foi trazido e os grandes gastos voltaram. O norueguês Tor-Kristian Karlsen se tornou diretor de futebol, com o intuito de levar o clube de volta à Ligue 1.

O Monaco seguiu para o título e, na temporada seguinte, a folha de cheques chegou a um patamar surreal. Mais de 150 milhões de euros foram investidos para ter James Rodríguez, Radamel Falcao, João Moutinho e Geoffrey Kondogbia.

Contudo, em seguida, os proprietários do PSG elevaram os gastos da Ligue 1 de forma ainda maior. O Monaco não poderia competir e não iria, apesar das isenções fiscais que recebem do Principado.

Um divórcio amargo esperava o clube no caro relacionamento com Rybolovlev, suspeito de traficar obras de artes. Então, Kondogbia, James e Anthony Martial tiveram que ser vendidos.

James Rodriguez Monaco

O Monaco precisava encontrar outro caminho. Eles passaram a focar em atletas jovens. "O que eu aprendi durante minha passagem pelo Monaco é que o clube tinha a melhor rede de jovens promessas da França. Os jogadores até a idade de 11 ou 12 anos foram mapeados em todo o país", disse Karlsen ao The Guardian.

Um dos identificados foi Kylian Mbappe, principal artilheiro do Monaco na UEFA Champions League. O parisiense de 18 anos chegou da capital francesa à cidade litorânea há três anos e foi avaliado em mais de 100 milhões de euros.

Ele foi acompanhado por Ivan Cavaleiro, Bernardo Silva, Gabriel Boschilia, Jemerson, Fabinho e Guido Carillo - jovens estrangeiros e com grande futuro. Uma série de jovens foi recrutada no mercado doméstico.

Kylian Mbappe Monaco Toulouse Ligue 1 29042017

(Fotos: Getty Images)

O Monaco também encontrou alguém para liderar as jovens estrelas. Leonardo Jardim, ex-treinador de handebol, foi uma contratação surpreendente. Ele chegou após passagem pelo Sporting Lisboa e é cobiçado pelos maiores clubes da Europa.

"Ele é um treinador muito inteligente, que lê os jogos muito bem. Ele também é muito bom em ter os jogadores e entender o que eles precisam", comentou Falcao García ao site da UEFA.

Nesta quarta-feira (3), a equipe enfrenta a Juventus, pela partida de ida da semifinal da UEFA Champions League, e sonha com um triunfo no Stade Louis II, em Monaco, para retornar à decisão do principal torneio continental.