O Atlético de Madrid é o único favorito para chegar às semifinais da Champions

Foram definidos os confrontos de quartas de final da Liga dos Campeões. Em sorteio na cidade de Nyon, na Suíça, os últimos oito clubes no torneio conheceram seus adversários. E o único jogo que tem um claro favorito é o de Atlético de Madrid e Leicester.

Há muito equilíbrio nos confrontos. Temos o grande chamariz que será Bayern e Real Madrid, assim como Juventus e Barcelona, uma reedição da final de 2015. O jovem Borussia Dortmund pega o surpreendente Monaco e os atleticanos enfrentam o último inglês sobrevivente, o Leicester, que por acaso é o atual campeão nacional. Que tal então um prognóstico sobre cada um destes duelos?

Juventus x Barcelona, 11 e 19 de abril

Não julguemos o Barcelona como amplo favorito pelo que fez contra o Paris Saint-Germain nas oitavas. Agora o adversário é muito mais complicado, tendo uma defesa quase intransponível e um craque como Dybala em grande fase, sem falar no goleador Higuaín. O Barça terá de suar para fazer sequer um golzinho em Turim. A vantagem a ser construída dependerá mesmo do jogo no Camp Nou, e mesmo que haja um agregado elástico para reverter, os catalães não terão a mesma facilidade para marcar seis gols na Juventus.

Ambos são os atuais campeões de seus países, mas a Juventus se preparou melhor para chegar até este ponto e seguir na Liga dos Campeões. Será um legítimo duelo de ataque contra defesa em Barcelona, enquanto na Itália, a Juve deve propor mais o jogo para construir uma vantagem.

Dortmund x Monaco, 11 e 19 de abril

Quase imprevisível. São dois times com enorme apreço pela ofensividade e que possuem como marca forte a grande capacidade de fazer gols. Aubameyang x Falcao será um belíssimo confronto de goleadores. As defesas também não ficam muito atrás, embora a dos franceses pareça mais sólida. A semelhança dos times se faz na forma como Leonardo Jardim e Thomas Tuchel encaram as partidas. Eles gostam de explorar defeitos nas formações adversárias, mas essencialmente são equipes que primam pela técnica e pelo bom futebol, características muito importantes no cenário atual.

O Dortmund leva uma pequena vantagem por estar acostumado a jogar partidas grandes na Europa. Finalista em 2003, tem um time que pode chegar longe com a força de sua dinâmica coletiva e a presença artilheira de Aubameyang. O Monaco, por outro lado, também não depende de um jogador só. Mesmo sem Falcao, a equipe venceu bem o Manchester City para avançar até este estágio. A atuação de Mbappé provou que Leonardo Jardim tem várias outras cartas na manga. É um duelo de estrategistas, em suma.

Bayern de Munique x Real Madrid, 12 e 18 de abril

Eles adoram trocar jogadores entre si. Toni Kroos e Xabi Alonso são os mais recentes que mudaram de lado. E Carlo Ancelotti era o técnico do Real Madrid campeão europeu e mundial em 2014. Agora as coisas mudaram bastante para ambos. O Real é a grande potência e o adversário a ser batido. O Bayern vem muito bem na Alemanha e chega sempre forte para qualquer disputa.

Favorece os alemães o fato de Ancelotti conhecer bem a espinha dorsal madridista, mas Zinedine Zidane não é o tipo de treinador que opta pelo óbvio. Será um confronto decidido nos detalhes, já que elenco por elenco, as forças são bem equivalentes. O Bayern ficará sem Douglas Costa, lesionado, o que deve forçar Ancelotti a procurar outras alternativas dentro do curto plantel bávaro. Para o Real, continuar na competição é a única forma de se manter emocionalmente firme para também vencer o Espanhol após alguns anos de espera. Sem baixas, os espanhóis virão com tudo para este duelo.

Atlético de Madrid x Leicester, 12 e 18 de abril

Aí sim podemos falar quem sai na frente. O Atlético tem time, tem experiência e acima de tudo tem muito talento e organização para chegar às semifinais. O trabalho de Diego Simeone deveria render uma estátua em Madri, por tudo que o técnico argentino já fez à frente do clube. Embora sempre pareça um azarão, o Atlético é o único capaz de impedir que Real Madrid e Barça vençam novamente a Champions.

O Leicester chega só com a sua grande façanha a esta fase. Motivado por ter tirado o Sevilla em uma boa virada, o time inglês não é tão forte quanto parece e tem na simplicidade a grande chave para o seu sucesso. Resta apostar na invencibilidade e no feitiço que Craig Shakespeare conseguiu envolver os jogadores. Apostar nos Foxes é como continuar acreditando que a fantasia vai se repetir. Há pouco ou nenhum lugar para as zebras no formato atual da Champions. É improvável? É. Mas improvável e impossível são palavras com significados bem diferentes.