O atacante problemático que virou voz de GPS e capitão da seleção na Rússia

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Artem Dzyuba em ação pela Rússia (Valery Sharifulin\TASS via Getty Images)
Artem Dzyuba em ação pela Rússia (Valery Sharifulin\TASS via Getty Images)

A Rússia começou uma nova era na última Data Fifa quando recebeu a Suécia em Kaliningrado e acabou empatando em 0 a 0, em jogo válido pela Liga das Nações da Uefa.

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Foi o primeiro jogo da equipe desde que Igor Akinfeev anunciou sua aposentadoria do time nacional. Foram 14 anos defendendo a seleção e 111 partidas disputadas. Em seu lugar no gol entrou o brasileiro naturalizado russo Guilherme Marinato.

E não foi apenas isso que mudou.

O posto de capitão pertence agora a Artem Dzyuba, um atacante que conquistou os russos na Copa do Mundo, com três gols anotados e muita disposição, e segue fazendo sucesso após o término do Mundial.

O jogador de 30 anos, que defende o Zenit de São Petersburgo, tem sido ovacionado onde quer que a equipe jogue.

Em partida contra o Yenisei em Tiumen em 29 de julho, por exemplo, uma multidão se aglomerou na saída do estádio para conseguir uma selfie ou um autógrafo. O jogador atendeu a todos pacientemente. E assim tem sido em diversos estádios pelo país, no qual segue deixando sua marca.

Na atual temporada da Liga Russa, ele soma cinco gols após dez rodadas e é o vice artilheiro da competição, a dois de Fedor Chalov, do CSKA. O Zenit, sua equipe, lidera o torneio nacional com 25 pontos, seis a frente do Krasonodar.

O sucesso e a idolatria é tamanha que Dzyuba emprestou a sua voz para o sistema de navegação do aplicativo Yandex Navigator, uma versão russsa do Google ou Waze. É possível configurar qualquer dispositivo com as instruções do atleta. Foram cerca de 120 frases gravadas em um estúdio.

A companhia divulgou um vídeo em seu canal no YouTube com bastidores da gravação.

Em recepção no Kremlin após o sucesso no Mundial, ele até brincou com Vladimir Putin, um fã fervoroso e praticante de hóquei sobre o gelo. Disse que o presidente deveria trocar os patins pelas chuteiras, arrancando o riso dos presentes.

Sua escolha como capitão da equipe nacional aconteceu pelo fato de o técnico Stanislav Cherchesov considerá-lo o mais experiente e preparado para o posto.

“O Mundial mudou tudo na vida dele. É um jogador carismático, falador, que conta histórias engraçadas. Não acho que ele seja o nosso melhor jogador, mas com certeza é o de mais destaque e a cara desta nova seleção. É o nosso símbolo”, analisou o jornalista russo Grigory Telingater.

Dyzuba recebendo certificado de mérito de Putin (Mikhail Metzel\TASS via Getty Images)
Dyzuba recebendo certificado de mérito de Putin (Mikhail Metzel\TASS via Getty Images)

A relação de Dzyuba e Cherchesov, aliás, mudou da água para o vinho. No ano passado, antes da Copa das Confederações, a relação esteve estremecida. Dzyuba pediu dispensa do torneio alegando problemas físicos. Algo que não foi bem aceito pelo técnico e gerou atrrito, sendo tema na imprensa russa.

Menos de 24 horas depois da Rússia ser eliminada ainda na primeira fase, Dzyuba e seu companheiro de Zenit, Alexandr Kokorin – que agora se encontra preso após agressões nas ruas de Moscou – postaram uma foto nas redes sociais colocando suas mãos entre o nariz e a boca, fazendo alusão ao bigode de Cherchesov.

Dzyuba não voltaria ser lembrado até a Copa, quando foi chamado e deu conta do recado. Suas atuações pelo Arsenal Tula, clube ao qual esteve emprestado, foram fundamentais.

No Mundial, inaugurou uma nova comemoração, prestando continência ao técnico, que agora virou sua marca cada vez que estufa as redes, seja por seu clube ou seleção.

Os gols feitos e o carisma têm ajudado o atacante a deixar para trás sua fama de encrenqueiro. Além desta rusga com Cherchesov, teve problemas com Roberto Mancini que forçaram este seu empréstimo para o Arsenal antes da Copa e também com Unai Emery e Fabio Capello.

O problema com Emery ocorreu em 2012. Naquele ano, após uma derrota para o rival Dínamo de Moscou, chamou o espanhol de “trenerishka”. Algo como treinadorzinho, em um tom pejorativo. No dia seguinte, Emery teve sua demissão anunciada, mas Dzyuba foi duramente criticado pelo tom desrespeitoso e muitos o chamaram de “igrochiska”: jogadorzinho, em português.

Quando Fabio Capello foi treinador da seleção da Rússia (2012 a 2015) foi criticado por Dzyuba “por entender pouco de futebol russo”.

Por causa do mal relacionamento, acabou sendo deixado fora da seleção para a disputa do Mundial de 2014. “Teve uma época que achavam que ele estava acabado”, relembra Telingater.

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