Novo técnico da Rússia proíbe açúcar, barra capitão e diz que será o palhaço do time

·4 minuto de leitura
Valery Karpin é o novo técnico da seleção russa (Foto: Divulgação/RFS)
Valery Karpin é o novo técnico da seleção russa (Foto: Divulgação/RFS)

MOSCOU (RÚSSIA) - A partida desta quarta-feira (1) contra a Croácia, em Moscou, marcará a estreia de Valeri Karpin como treinador da seleção russa. O ex-jogador de 52 anos com passagem marcante pelo Celta de Vigo e Real Sociedad (ESP) substitui Stanislav Cherchesov, que deixou o cargo após a eliminação ainda na primeira fase da Eurocopa.

Karpin, de personalidade forte, já chegou ao time nacional impondo seu estilo e barrando o até então praticamente incontestável Artyom Dzyuba, capitão da equipe.

Leia também:

Ao divulgar a lista para os duelos das eliminatórias do Mundial-2022 contra Croácia, Chipre e Malta, o treinador disse que tomou a decisão por questão técnica.

Afirmou que para ser chamado para a seleção, um atleta precisa estar jogando, e bem, pelo seu clube para merecer a convocação. Poucos dias antes da lista, Dzyuba havia sido reserva do Zenit contra o Lokomotiv. E após quatro rodadas da Liga Russa não havia anotado nenhum gol. No momento, já são seis e ele segue zerado.

A questão técnica pode de fato ter pesado, mas o passado entre Karpin e Dzyuba não é dos mais amistosos, ainda que tenham se encontrado e conversado um pouco antes da convocação em São Petersburgo.

Eles já tiveram atritos quando Karpin foi diretor e técnico do Spartak e Dzyuba defendia o time moscovita. Também em uma oportunidade posterior, quando quase de fato trocaram agressão física em um hotel de Moscou.

Karpin por diversas vezes já afirmou que o lado pessoal não deve pesar e qualquer atleta que merecer, será chamado.

Porém, já na preparação para as três próximas partidas, o treinador cutucou o seu desafeto.

Em entrevista coletiva no sábado, foi questionado quem faria piadas e deixaria o ambiente mais leve na ausência de Dzyuba, conhecido por seu bom humor.

“Eu farei piadas agora, eu serei o palhaço”, disse Karpin.

Dzyuba ainda não se manifestou após ser barrado por Karpin. Com Cherchesov, só havia sido deixado de fora de algumas partidas da Liga das Nações após ter vazado na internet um vídeo íntimo se masturbando.

Além de barrar Dzyuba, Karpin também barrou o açúcar. Durante o período com a seleção os atletas estão proibidos de consumi-lo, assim como doces. Afirmou que não faz bem nenhum a jogadores profissionais.

“(Não devem consumir açúcar) Porque são jogadores profissionais. Antes disso, talvez até bebessem vodka e não faz bem nenhum”, afirmou.

“Para mim, não está proibido. Eu não sou jogador”, completou.

Karpin tem contrato com a seleção russa apenas até o fim do ano, com opção de ser renovado. E seu objetivo é um só: classificar o time para a Copa do Mundo do Qatar.

Passadas três de dez rodadas, a Rússia ocupa a segunda posição de sua chave, com seis pontos, ficando atrás da Croácia apenas no saldo de gols, + 2 contra + 3 dos adversários desta quarta. A chave conta ainda com Eslovênia, Eslováquia, Malta e Chipre.

Antes de assinar com a seleção, Karpin trabalhou por quase quatro anos no Rostov. Em um primeiro momento, seguiria dividindo funções. Porém, decidiu se dedicar apenas ao time nacional. Karpin também já dirigiu o Spartak, Armavir e o Mallorca (ESP).

Karpin é o 14º treinador da seleção russa desde o fim da União Soviética.

Chance para Guilherme

Guilherme volta a ter uma chance (Foto: Divulgação/RFS)
Guilherme volta a ter uma chance (Foto: Divulgação/RFS)

A chegada de Karpin para treinar a seleção foi positiva para o goleiro brasileiro naturalizado russo Guilherme Marinato. Seu ciclo na seleção parecia estar encerrado após falhas em jogo contra a Sérvia na Liga das Nações e ser deixado fora da lista da Euro. Porém, ganhou nova oportunidade e pode até ser que comece como titular na partida desta quarta-feira.

“Não foi uma surpresa. Não havia encerrado a minha carreira na selecção nacional, por isso estava sempre pronto para o desafio. Fiquei chateado por não ir para a Euro. Mas sempre quis voltar para a seleção. Estou muito feliz por ter sido convocado. Agora há cinco goleiros trabalhando aqui. A competição é grande. Vou trabalhar muito e dar o meu melhor”, afirmou Guilherme.

Reencontro com o Luzhniki

A Rússia voltará a jogar no Luzhniki após um hiato de quase dois anos. A última vez que atuou no estádio foi em 19 de outubro de 2019. Na ocasião, fez 4 a 0 sobre a Escócia pelas eliminatórias da Euro.

Este, por sinal, foi o único jogo da Rússia no lendário estádio desde o fim da Copa do Mundo.

Copa do Mundo esta que teve a Croácia como finalista atuando no próprio Luzhniki, o que também marcará um reencontro nesta quarta.

Os croatas foram derrotados no estádio por 4 a 2 pela França. Antes, na semifinal, no mesmo lugar, haviam superado a Inglaterra por 2 a 1.

Por causa de restrições em virtude da pandemia do coronavírus, 23 mil torcedores poderão acompanhar o duelo entre Rússia e Croácia. Vinte mil bilhetes foram vendidos apenas para quem se vacinou ou se recuperou do coronavírus há menos de seis meses.

A capacidade oficial do Luzhniki é de 81 mil espectadores.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos