Novo chefe da base corintiana, Yamada explica saída da Think Ball e promete austeridade

Ex-goleiro do Timão, Yamada é desde terça-feira o novo gerente-geral da base alvinegra

“Eu me desliguei 100% da Think Ball. Não tenho mais qualquer vínculo, não cuido de nenhum atleta”. É desta maneira que Yamada colocou um ponto final à polêmica que surgiu dentro do Corinthians após sua contratação como gerente-geral das categorias de base. A crise se deu pelo fato de ele ter trabalhado como gestor por aproximadamente um ano. Nesta entrevista exclusiva ao Blog, a primeira desde que assumiu o novo cargo, o ex-goleiro revelado no próprio Terrão minimizou o período como executivo e lembrou dos 22 anos como atleta e gestor. Ele também falou de seus planos para melhorar a imagem do departamento, prometeu pôr fim aos escândalos na base e revelou ter ótima relação com Fábio Carille e Alessandro, técnico e gerente do time principal.

BLOG: Qual a sensação de voltar ao Corinthians depois de 16 anos?
YAMADA: Estou muito feliz. Nunca escondi de ninguém que tinha o desejo pessoal de retornar ainda como atleta. Eu pedi para sair do Corinthians (em 2001) e depois me arrependi. Na época, queria jogar como titular porque tinha na cabeça que a carreira de um atleta tem prazo de validade.

Seu retorno rendeu polêmica porque você atua há mais de um ano como gestor. Há algum conflito de interesse?
Eu me desliguei 100% da Think Ball. Não tenho mais qualquer vínculo, não cuido de nenhum atleta e só era prestador de serviços. O que as pessoas precisam saber é que trabalhei 22 anos no futebol, primeiro como atleta, depois como gestor, contra apenas um como executivo de uma empresa. E essa experiência também foi importante, porque aprendi muito no aspecto jurídico, visitei grandes clubes do país e na Europa…

Por que você acha que foi escolhido para comandar a base?
O Nei Nujud (diretor da base) foi meu diretor no profissional na década de 1990 e no início de 2000 e me conhece há 20 anos. Assim que ele assumiu, entendeu que o clube precisava do perfil de um ex-jogador com identificação e história no Corinthians. Além disso, eu tenho trânsito livre no profissional. Joguei com o Alessandro na seleção brasileira sub-17 e atuei com o Carille no próprio Corinthians em 1996.

Então não é verdade que foi o Edu Gaspar quem o indicou?
Ele é meu amigo, fizemos cursos de gestão juntos, chegamos a viajar para a Europa, mas assim como ele, tenho outros grandes amigos, como o Joaquim Grava, o Nei, o Carrile e o Alessandro… Não tem nada a ver.

Tem fundamento a história de que você quase voltou ao Corinthians em 2015?
Eu me aposentei no Grêmio Osasco em 2014 e assumi na sequência como gerente da base. Graças ao trabalho, o time sub-20 foi vice-campeão paulista e o sub-15 ficou com o título. Ainda cuidei da criação do sub-23 e tudo isso começou a chamar atenção. Dá para dizer que no segundo semestre de 2015 houve um namoro com o Corinthians, mas acabou não havendo acordo.

Quais as suas metas à frente da base do Corinthians?
Um dos objetivos é resgatar a gratidão do atleta da base ao Corinthians. Outro desafio é reduzir custos, porque o momento do Corinthians é delicado, assim como o do Brasil, que passa pela maior recessão de sua história. Vamos ter de achar alternativas para diminuir a folha do departamento sem diminuir a qualidade do trabalho.

Como vê a imagem das categorias inferiores do Corinthians?
Está muito arranhada, a ponto de todo mundo se achar no direito de falar mal. Vamos resgatar isso e trabalhar para repetir o que ocorreu com a minha geração, que foi a que mais deu frutos. Kleber, Gil, Anderson, Edu Gaspar, Fernando Baiano, Ewerthon… esse pessoal subiu e rendeu muito ao clube.

E onde está o segredo para revelar tantos jogadores?
São três pontos: identificar o perfil do profissional para trabalhar na base do clube; criar bom ambiente para os jogadores; e investir na captação dos atletas. Quando não se faz uma captação positiva, o clube tem de ir ao mercado no topo da pirâmide, no sub-17 e no sub-20. Aí, as contratações custam caro, pode ocorrer a divisão dos direitos econômicos…

É possível garantir o fim dos escândalos no Terrão?
O Nei foi muito claro ao dizer que não vai aceitar nada errado. Eu penso da mesma maneira e vou trabalhar pela transparência total. Os princípios são inegociáveis. É óbvio que estamos sujeitos a erro nas escolhas dos jogadores, mas vou proteger o clube. Garanto que não vai haver nada errado.

O Corinthians mudou os técnicos de todas as categorias inferiores nos últimos dias. As mexidas vão continuar?
Não quero cometer injustiça, então passarei os próximos dois ou três meses observando para tirar minhas próprias conclusões. Aí sim, se for o caso, remanejarei ou substituirei. O que não vai dar mais para aceitar é que o profissional não trabalhe em tempo integral para o Corinthians.

Isso tem a ver com alguma ideia de manter os atletas por mais tempo no Corinthians?
Com certeza. Quero que eles permaneçam o maior tempo possível, a partir dos 14 anos, no Corinthians para ser bombardeado de informações e atividades sob os aspectos técnicos. Se o treino foi pela manhã, teremos outras atividades à tarde. Pode ser palestra com um árbitro, bate-papo com ex-jogadores, debate sobre sistema de jogo, apresentação de partidas importantes…

O que fará para garantir que a transição de uma categoria para a outra seja mais fácil?
Vou integrar todas as categorias. O Célio Silva, por exemplo, treinará o sub-13, mas vai transitar sempre no sub-15 ao lado do Zé Augusto. Não quero essa história de rivalidade entre uma categoria e outra e isso facilitará a transição.

Qual a obrigação dos treinadores: ganhar títulos ou revelar os jogadores?
No Corinthians, tem que ganhar também, mas é óbvio que avaliarei o trabalho levando em consideração também a quantidade de jogadores revelados e a capacidade do treinador em formar o caráter dos atletas. Muitos meninos passam mais tempo com o técnico do que com os próprios pais. Acho que essa questão fica dividida em 33% para cada coisa.

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