Apresentada, Pia Sundhage exalta “nova página” do futebol feminino

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Pia recebeu uniforme das mãos de Rogério Caboclo (Lucas Figueiredo/CBF)
Pia recebeu uniforme das mãos de Rogério Caboclo (Lucas Figueiredo/CBF)

A sueca Pia Sundhage foi apresentada oficialmente como nova técnica da seleção feminina. Depois de assinar o contrato de dois anos, que pode ser renovado por mais dois, a treinadora conheceu a Granja Comary na manhã desta terça-feira, em seguida se reuniu com Vadão e a comissão técnica para receber relatórios e informações da equipe. De tarde, recebeu o uniforme da seleção das mãos do presidente Rogério Caboclo e deu entrevista coletiva.

Pia é a primeira estrangeira da história da seleção feminina e apenas a segunda mulher no comando. A primeira foi Emily Lima, que hoje esta à frente do Santos, mas entre 2016 e 2017 ficou dez meses no comando da seleção, sem disputar nenhuma competição oficial, e acabou demitida sob a justificativa de “resultados".

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É sabido que Emily criou problemas nos bastidores por ser muito questionadora, perfil parecido com o de Pia, que historicamente lutou por melhorias no futebol de mulheres. Ao ser questionada se tinha receio de seguir os mesmos passos de Emily, a sueca reconheceu que a CBF cometeu um erro, mas afirmou que isso já é página virada.

"Eu olho para a situação como um todo. É preciso dar um primeiro passo e abrir uma nova página. É normal cometer erros no campo, a mesma coisa acontece aqui. Eu diria que existe agora muito mais energia, então vamos lembrar do que prometemos", afirmou Pia.

Segundo Caboclo, presidente da CBF, a treinadora também será responsável por coordenar as seleções sub-17 e sub-20, que estão sem comando técnico há meses.

"É uma grande honra, um grande orgulho ter ela aqui", disse Caboclo. “Se em algum momento o futebol menino não foi tão prestigiado, posso garantir que a partir de hoje será.”

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“O futebol feminino ganha a partir de agora uma nova categoria. Seremos vencedores. Estaremos definindo as próximas décadas do que será o futebol feminino do Brasil, certamente será com sucesso”, afirmou o dirigente na coletiva, que contou com a presença de Tite, Juninho Paulista e do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia. Na plateia também estava o coordenador de seleções femininas, Marco Aurélio Cunha, e Vadão.

Porém, Pia ainda não soube dar respostas concretas sobre como serão formadas as comissões técnicas, tampouco quem estará ao seu lado na equipe principal.

Apesar disso, Pia prometeu que terá respostas “em breve", exaltou a importância de implementar as mudanças passo e passo e se mostrou muito contente de assumir o desafio de comandar a seleção brasileira.

"Tenho respirado futebol, é um grande passo para mim. Tenho o maior orgulho e estou muito feliz pelo fato de olhar ao meu redor e sentir muita expectativa. Quando você tem muita expectativa de um treinador, é claro que você quer mais. Estou assumindo um grande time", afirmou a treinadora, prometendo que logo aprenderá a falar português e a cantar samba.

"O maior desafio é o seguinte: a seleção precisa mudar, mas não tem que ser muito radical, pois podemos perder a confiança. O Brasil jogou bem na Copa do Mundo, mas não pode ser também uma mudança muito pequena. É preciso ter uma mudança que faça a diferença, isso é o mais importante”, acrescentou.

No final da coletiva, a CBF exibiu um vídeo das jogadoras da seleção desejando boas-vindas à treinadora. Marta, que já jogou em diversos clubes do país natal de Pia, mandou seu recado em sueco e arrancou um grande sorriso da treinadora.

Pia chegou no Brasil há dois dias, tempo em que conheceu as instalações e aproveitou para recolher dados com a antiga comissão técnica. Ela voltará para a Suécia na quinta. A treinadora ainda não escolheu quem serão seus auxiliares nem deu detalhes sobre como será o trabalho, mas já adiantou que quer ao menos um assistente brasileiro para poder entender como funciona a modalidade no país.

"Se eu conseguir trazer o melhor dos Estados Unidos e o melhor da Suécia, diria que vamos ter uma jornada interessante”, disse a treinadora, que foi bicampeã olímpica com as americanas e prata da Rio 2016 com as suecas.

O principal objetivo de Pia Sundhage é a Olimpíada de 2020, em Tóquio, A depender do desempenho, a CBF pode renovar o contrato por mais dois anos, visando a Copa do Mundo de 2023. O primeiro compromisso de Pia será uma data Fifa prevista para agosto, mas ela não soube especificar quantos amistosos e compromissos o Brasil terá no caminho até o Japão. "Hoje, mais tarde, vamos falar do cronograma. Sei que precisamos de boas partidas contra grandes adversárias. Não consigo infelizmente dizer quando, mas é um privilégio jogar com pressão.”

A estreia do novo comando técnico será no final de agosto, em torneio amistoso no Pacaembu que terá Brasil, Argentina, Chile e Costa Rica. A primeira convocação de Pia está prevista para ocorrer até o dia 11, segundo o Globo Esporte.

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Confira os principais pontos da coletiva de Pia Sundhage:

Sobre a Olimpíada de 2020

"Existe uma pequena diferença entre vencer e não vencer. Eu falaria sobre 2004 e 2008, o Brasil foi até a final. Esperamos chegar na final, mas precisamos trabalhar muito e dar o primeiro passo. E não falar ainda sobre medalha. Ao fazer o dever de casa, as coisas acontecem.”

Renovação e trabalho de base

"Claro que isso vai acontecer, cedo ou tarde (renovação com a base). Mas é preciso ir passo a passo, é importante priorizar as coisas. O primeiro passo é entender como as coisas funcionam, sei o que é necessário quando a gente fala de desenvolvimento. Se você quer que a Seleção jogue um futebol excelente, você precisa de um sub-20 e sub-17 muito bons. Vai acontecer passo a passo.”

Tempo de contrato e auxiliares

"Primeiro, é um contrato de dois anos com mais dois renováveis. Tenho respeito pela comissão que estava antes de mim, gostaria de manter a equipe. Terei a oportunidade de falar com cada um deles. Para conseguirmos que eu dê o melhor de mim, teremos um assistente. É uma pessoa que vai me fazer melhor. Não tenho uma resposta ainda de quem será [auxiliar], mas será em breve [a escolha].”

Relação com Marta

"Pretendo ser bem respeitosa. Marta tem sido a melhor há tanto tempo, tem esse coração do futebol. Não sei que posição vai ter em campo, preciso ganhar o respeito dela. Falei com ela, está determinada a fazer algo positivo. Não é só a Marta, mas o time todo. No fim das contas, é a equipe que vence, a Marta sabe disso."

“Fã de Pelé” e relação com Brasil

"Claro que todos na Suécia se lembram do Brasil em 1958. Eu era muito fã do Pelé quando garotinha. Gostava de ser chamada de Pelé, adorava futebol. Outra jogadora é a Marta, inspiram muito. Vocês são tão mais técnicos do que os suecos, que isso é algo que trago comigo. O Brasil é muito especial.”

Desenvolvimento do futebol feminino

"É difícil demais responder agora [sobre o desenvolvimento interno do futebol feminino]. Sei que a CBF começou a fazer coisas maravilhosas, mas preciso saber como o futebol funciona aqui. Vocês têm excelentes figuras públicas, isso é ótimo. Ainda é cedo para responder esse tipo de pergunta.”

Visita à Granja Comary

"Quase chorei. Vi uns meninos treinado, excelentes técnicos fazendo ótimos treinamentos. Viajei o mundo todo, mas nunca vi isso antes. Foi difícil segurar as lágrimas, vocês têm algo muito especial e muito mágico. Todo mundo respira futebol, quase consegui sentir que algo que você toca no ar, é algo sólido."

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