Por que as notas do skate feminino são mais baixas do que o masculino

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Após um 9.5 garantir a medalha de prata para o brasileiro Kelvin Hoefler no último sábado, a brasileira Rayssa Leal conseguiu a mesma medalha no domingo com um 4.21. O critério adotado pelos jurados é o mesmo tanto no masculino quanto no feminino, mas a avaliação passa por um longo processo de evolução do esporte que o LANCE! explica.

O contraste evidente entre as notas altas do skate street masculino beirando o 10 no sábado com as notas baixas do skate street feminino, até mesmo com algumas próximas do 0, no domingo impressionou os espectadores que viam o esporte nos Jogos Olímpicos de Tóquio.

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Todos os skatistas do street, tanto no masculino quanto no feminino, fizeram a primeira etapa com duas voltas, onde somavam manobras em diferentes obstáculos da pista do Ariake Urban Sports Park. Cada volta de 45 segundos receberia uma nota dos jurados somando todo o desempenho dos atletas.

No fim, todos tiveram ainda mais cinco manobras, onde os jurados novamente votariam para definir o desenvolvimento e a complexidade de cada skatista. Todas as notas - incluindo as duas voltas anteriores - foram somadas, e as três piores foram descartadas.

Nishiya Momiji do Japão comemora após a final feminina do skate em Tóquio 2020, no Japão, em 26 de julho de 2021.
Nishiya Momiji do Japão comemora após a final feminina do skate em Tóquio 2020, no Japão, em 26 de julho de 2021. (Foto de Li Ga / Xinhua via Getty Images)

O skate street masculino viu o japonês Yuto Horigome ficar com o ouro com o somatório de 37.18, enquanto Kelvin Hofler ocupou a segunda colocação com 36.15. No feminino, a japonesa Funa Nakayama venceu a prova com o somatório 15.77, enquanto Rayssa Leal foi prata com 14.91.

A diferença das notas entre skatistas homens e mulheres existe por conta do desenvolvimento do skate feminino que, ao viver em um meio marginalizado, ainda vive em evolução por aparecer recentemente no 'mainstream' do esporte mundial. 

Ao centro, a campeã Nishiya Momiji, do Japão; à esquerda, a brasileira Rayssa Leal; e Nakayama Funa do Japão, posam para foto na cerimônia de premiação da rua feminina do skate Tokyo 2020 em Tóquio, Japão, 26 de julho de 2021.
Ao centro, a campeã Nishiya Momiji, do Japão; à esquerda, a brasileira Rayssa Leal; e Nakayama Funa do Japão, posam para foto na cerimônia de premiação da rua feminina do skate Tokyo 2020 em Tóquio, Japão, 26 de julho de 2021. (Foto de Li Ga / Xinhua via Getty Images )

O skate ainda é um esporte jovem e, mesmo que o Brasil seja considerado uma potência nele, é necessário compreender que o seu desenvolvimento no país é algo recente e que passou a crescer apenas na década de 90 por conta de proibições anteriores.

Nos anos 2000, a cena do skate masculino cresceu no Brasil com o sucesso de skatistas como Bob Burnquist e Mineirinho. O skate feminino, porém, passou a ter um grande destaque no país com o surgimento de Letícia Bufoni, que disputou os Jogos Olímpicos de Tóquio.

A filipina Margielyn Didal comemora durante a final do skate street nos Jogos Olímpicos de Tóquio no Ariake Urban Sports Park em 26 de julho de 2021 em Tóquio, Japão.
A filipina Margielyn Didal comemora durante a final do skate street nos Jogos Olímpicos de Tóquio no Ariake Urban Sports Park em 26 de julho de 2021 em Tóquio, Japão. (Foto de Patrick Smith / Getty Images)

O desenvolvimento tardio do skate feminino explica o motivo das notas inferiores ao masculino. As manobras são menos complexas porque as mulheres tiveram menos apoio e evolução ao longo dos anos. A tendência, porém, é que isso mude com o passar dos anos, pois o esporte irá evoluir.

A medalha de prata da jovem Rayssa Leal, de apenas 13 anos, é um passo enorme para a evolução do skate feminino no Brasil. O desempenho da brasileira serve como inspiração para crianças que podem desempenhar um papel importante no futuro do esporte.

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