Nonato, do Fluminense, critica episódios recentes de homofobia e diz: 'Se fere toda uma comunidade, deixa de ser opinião'

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Se alguns atletas, incluindo o atacante Fred, demonstraram apoio após a demissão de Maurício Souza do Minas Tênis Clube, outros vão na contramão. Nesta terça-feira, o volante Nonato, do Fluminense, publicou um texto nas redes sociais onde apoia a luta contra a homofobia e faz um paralelo com o racismo, tratado como normal há alguns anos atrás no mundo. O jogador afirma que se algo que "sai da sua boca fere toda uma comunidade, deixa de ser opinião".

- Me assusta como a sociedade gosta de atacar o seu próximo pelo simples fato de ser diferente. Sobre os acontecimentos mais recentes na mídia sobre homofobia, vou fazer um paralelo com outro tipo de preconceito: o racismo. Há 80 anos, era "só uma opinião" popular que um negro era incapaz de ser um chefe de estado. Assim como foi "só liberdade de expressão" grande parte da sociedade julgar e desaprovar veementemente a entrada de princesas pretas da disney no mercado, pela simples quebra de padrão com o que era considerado normal na época - escreveu o jogador.

- A partir do momento que o que sai da sua boca (ou mais comumente nas suas redes sociais) fere toda uma comunidade, ela já DEIXA DE SER UMA OPINIÃO. (...) Toda luta gera um desconforto devido à essa quebra de paradigmas. É natural que muita gente se incomode, afinal, o novo e o diferente causam certo estranhamento no começo, mas eu tenho convicção de qual é o lado certo disso tudo e que o tempo vai provar - completou.

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No fim da publicação, Nonato ainda cita o trecho da Bíblia que diz "amarás o teu próximo como a ti mesmo". A demissão de Maurício e o comentário de Fred geraram repercussão nas redes sociais nos últimos dias. O Flu chegou a se posicionar afirmando que o atacante apenas se solidarizou com o atleta de vôlei.

Nos últimos anos, o Fluminense tem feito cada vez mais campanhas de engajamento em causas sociais, como na prevenção ao suicídio ao longo de setembro, além do racismo e também no Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+, em junho. Na estreia da da nova camisa branca, o clube coloriu os números dos atletas e a faixa de capitão com o arco-íris, assim como o patch com #TimeDeTodos no peito.

Vale lembrar que Samuel Xavier foi acusado de ter sido homofóbico após postagem nas redes sociais na véspera desta campanha do Fluminense. O clube, porém, afirmou na época ver um ambiente seguro para a comunidade LGBTQIA+ e exaltou as campanhas feitas.

VEJA O TEXTO NA ÍNTEGRA:

"Falta entendimento e sobra ignorância.

Eu não costumo postar nada além do meu trabalho por aqui, mas me assusta como a sociedade gosta de atacar o seu próximo pelo simples fato de ser diferente. Sobre os acontecimentos mais recentes na mídia sobre homofobia, vou fazer um paralelo com outro tipo de preconceito: o racismo. Há 80 anos, era "só uma opinião" popular que um negro era incapaz de ser um chefe de estado. Assim como foi "só liberdade de expressão" grande parte da sociedade julgar e desaprovar veementemente a entrada de princesas pretas da disney no mercado, pela simples quebra de padrão com o que era considerado normal na época. A partir do momento que o que sai da sua boca (ou mais comumente nas suas redes sociais) fere toda uma comunidade, ela já DEIXA DE SER UMA OPINIÃO.

Acredito que essas lutas (anti-racismo e anti-homofobia) estão em estágios diferentes, porém a importância é a mesma.

Toda luta gera um desconforto devido à essa quebra de paradigmas. É natural que muita gente se incomode, afinal, o novo e o diferente causam certo estranhamento no começo, mas eu tenho convicção de qual é o lado certo disso tudo e que o tempo vai provar.

Ah, e caso eu não tenha sido claro o suficiente, sugiro que abra a Bíblia no livro de Mateus, capítulo 22, versículo 39. Talvez agora faça sentido.
"

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