Por que a Nokia voltou ao Brasil em meio à crise – e sem o 'tijolão'?

Yahoo Finanças
O clássico Nokia 3310, lançado em setembro de 2000, virou símbolo da marca e ganhou o apelido de "tijolão" no Brasi. Foto: SSPL/Getty Images
O clássico Nokia 3310, lançado em setembro de 2000, virou símbolo da marca e ganhou o apelido de "tijolão" no Brasi. Foto: SSPL/Getty Images

Após um hiato de seis anos, os brasileiros podem, novamente, comprar smartphones da Nokia no varejo. A finlandesa HMD Global, que comprou a marca da Microsoft em 2016, desembarcou no Brasil em maio no que parece ser o pior momento para o comércio do país em décadas: na pandemia do coronavírus.

Baixe o app do Yahoo Mail em menos de 1 min e receba todos os seus emails em 1 só lugar

Role para baixo para continuar lendo
Anúncio

Siga o Yahoo Finanças no Google News

A seu favor, a Nokia traz o fator nostalgia. A marca ganhou espaço no imaginário brasileiro com celulares básicos de longa duração de bateria e corpos grossos de plástico nos anos 2000, que ficaram conhecidos como "tijolões". Mas seria isto suficiente para garantir à empresa alguma competitividade num momento de crise?

Leia também

"As Américas são um dos mercados prioritários da HMD desde o seu início. Dentro da região, o Brasil é um mercado globalmente estratégico com enorme potencial para nós e o único mercado importante em que ainda não estávamos presentes", Junior Favaro, Diretor de Vendas e Marketing da HMD Global para o Brasil, ao Yahoo.

Na Europa, a HMD vende um extenso catálogo de smartphones modernos e também feature phones – os famosos tijolões – com a marca Nokia. O clássico 3310, que todo brasileiro teve ou sonhou em ter algum dia, por exemplo, chegou a ser relançado com um visual mais moderno pela empresa finlandesa em 2017, e foi um sucesso de vendas.

Para o retorno da Nokia ao Brasil, nada de 3310 ou outro feature phone por enquanto. O produto escolhido foi o Nokia 2.3, um smartphone com Android e preço sugerido de R$ 899, lançado no início de maio. O preço competitivo e o perfil popular tentam compensar as dificuldades de vendas em um mercado assolado pela covid-19.

Nokia 2.3, primeiro smartphone Android do retorno da marca ao Brasil. Foto: Divulgação / HMD Global
Nokia 2.3, primeiro smartphone Android do retorno da marca ao Brasil. Foto: Divulgação / HMD Global

Desde o início da pandemia, a empresa de análise de mercado IDC registrou uma queda de 70% no abastecimento de canais de venda de smartphones, reflexo das paralisações de fábricas em todo o mundo. Segundo dados da Counterpoint Research, a retração nas vendas na América Latina foi de 20%.

Mesmo assim, a Nokia decidiu arriscar. Para entrar no mercado brasileiro, dominado por marcas mais tradicionais como Samsung, Motorola, LG e Apple, e pouco espaço para a disputa entre chinesas como Xiaomi e Huawei, a Nokia apostou numa parceria estratégica: a Multilaser.

A parceira é responsável pela distribuição dos aparelhos da Nokia no varejo e pelo pós-venda. A princípio, o Nokia 2.3, primeiro smartphone deste retorno, é importado do exterior, mas Favaro garante que a empresa tem "um plano para iniciar a fabricação local" a ser divulgado em breve.

Para contornar a crise no varejo, de lojas fechadas e fábricas paradas, a Nokia aposta todas as suas fichas no comércio digital. "Hoje, dentro do contexto em que vivemos em todo o mundo, o ecommerce se tornou crucial para todos os setores de B2C", diz Favaro.

Mas o Nokia 2.3 não foi o único smartphone lançado na pandemia. No início da semana, a LG anunciou um trio de celulares na mesma faixa de preço para o Brasil. A Samsung lançou um tablet e dois celulares intermediários. Até a Apple aproveitou o momento de crise com seu novo iPhone "barato".

Para Renato Meireles, analista do mercado de dispositivos móveis da IDC Brasil, esses lançamentos no meio da crise têm desvantagens óbvias – o baixo poder de compra dos brasileiros que agora estão desempregados e o fechamento do varejo físico –, mas há também algumas vantagens, o que poderia explicar a ousadia de lançar celulares no meio da pandemia.

"Existe uma demanda reprimida. Ao ficar em casa, as pessoas sentem a necessidade de usar mais o smartphone para streaming, para trabalho. No segundo semestre [o mercado] pode se recuperar", explica o analista. "Mas tudo depende do macroeconômico e fatores que podem frear o sellout."

Siga o Yahoo Finanças no Instagram, Facebook, Twitter e YouTube e aproveite para se logar e deixar aqui abaixo o seu comentário.

Leia também