No Zenit, Douglas Santos sonha com Seleção e explica não ao Flamengo
De Moscou
Duas taças, da liga e da Copa da Rússia, e a titularidade absoluta do Zenit. Este é o resumo da primeira temporada de Douglas Santos no país eslavo após deixar o Hamburgo. Com personalidade e bom futebol, o lateral conquistou seu espaço e virou peça intocável na equipe, seja na ala ou no meio de campo.
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Com vontade de criar uma trajetória vitoriosa na Europa, o jogador recusou uma proposta do Flamengo no ano passado e agora só deseja seguir colecionando troféus pelo Zenit. Nesta sexta-feira (7) estará em campo na final da Supercopa, contra o Lokomotiv.
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Outro objetivo bem claro é voltar a seleção brasileira principal, a qual defendeu na Copa América de 2016, nos EUA e em um amistoso contra o Panamá. Isso quando o time nacional ainda era comandado por Dunga.
Com Tite, não teve nenhuma chance. Por isso mesmo, cobrou do treinador uma atenção maior à Liga Russa.
“Espero que ele (Tite) possa pensar e olhar mais para cá, que olhe um pouco para gente, sem se importar se é Campeonato Russo. Também existem jogadores fora do radar que podem fazer diferença, espero este contato”, afirmou o jogador campeão olímpico em 2016 em entrevista exclusiva ao Yahoo Esportes.
“Temos bons laterais esquerdos como o Alex Telles, Alex Sandro, Renan Lodi, mas creio que há espaço. Mas a gente sabe que cada treinador tem sua filosofia de trabalho. Uns encaixam, outros não. Espero um dia encaixar na filosofia do Tite. Estou preparado, venho jogando contra grandes jogadores e grandes clubes, tenho bagagem da Olimpíada. Eu venci, o que muitos outros atletas não conseguiram”, completou o atleta de 26 anos.
Confira abaixo a entrevista na íntegra.
AVALIAÇÃO DA PRIMEIRA TEMPORADA NO ZENIT
“Avalio como uma chegada muito boa, venho de um clube onde passei três anos (Hamburgo), jogando com uma intensidade muito alta, contra equipes muito qualificadas e pude aprender muita coisa neste período na Alemanha. Quando cheguei, estava preparado para jogar e pude fazer uma boa temporada, ganhar dois títulos, jogando quase todos os jogos. Isso me deixou muito feliz. Chegar e me adaptar tão rápido com a forma de jogo. Isso me ajudou bastante. Faltou só marcar um gol. Tive uma chance contra o Dínamo clara. Chutei, e assim que chutei, falei ‘é gol’, mas a bola não entrou, faz parte do futebol. E a estrutura do Zenit é ótima, não apenas em questão de campos de treinos, academia. Te ajudam em tudo, achar casa, deixar a família confortável. Isso me deu muita tranquilidade”.
PAUSA NA TEMPORADA POR CAUSA DO CORONAVÍRUS
“Foi difícil. Vínhamos jogando bem, em primeiro lugar e veio o vírus que afetou todo o mundo, mas não deixamos de treinar. Mesmo sem jogos, todas as manhãs treinávamos e isso foi o fator principal para depois da pausa ter voltado com força total e ter vencido quase todos os jogos que jogamos depois da pausa. Estes treinos nos ajudaram muito. Eu também comecei a ler livros tirar um pouco o foco do vírus. Tudo o que passava na TV era sobre o vírus, tentei me desligar de TV e aproveitar tempo com minha família e com a minha filha que acabou de fazer 1 ano”.
SEM FÉRIAS E ESTREIA VALENDO TAÇA
“Eu estava falando com o Malcom que acabamos de conquistar dois títulos importantes e não para, e já vai começar tudo de novo. Temos de estar com mente boa, estar com foco de imediato. Não adianta começar campeonato pensando no outro que ganhou. Temos de encarar a realidade. Infelizmente não tivemos férias. Sexta-feira já tem a Supercopa, tem que estar com foco total, este ano vai ser mais difícil do que o que passou. Acho que começar a temporada com jogo valendo título é muito bom. A gente vem treinando forte pensando neste jogo, todo mundo focado, querendo vencer por ser mais uma taça. Será importante vencendo e jogando bem”.
Nota da redação – O Zenit jogou até o dia 25 de julho pela última temporada e já entrará em campo de novo. Por causa da pausa invernal de três meses, a Liga Russa já inicia em agosto.
COMPARAÇÃO ENTRE O NÍVEL DA RÚSSIA E DA EUROPA
“O Campeonato Russo vem crescendo muito em qualidade. Por muito pouco não fomos a oitavas apesar de termos acabado em último na chave. Infelizmente tivemos muito desfalques contra o Benfica na última rodada, mas vi que na Champions que os jogos fora de casa são muito difíceis.
Mas acredito que estamos bem preparados sim para a Champions. O campeonato vem crescendo, os jogadores estão entendendo a filosofia europeia. Hoje em dia os clubes e treinadores buscam referência da Europa. Este ano creio que será diferente, teremos oportunidade de chegar nas oitavas. Creio que este ano podemos fazer melhor”.
Nota da redação – O Zenit foi último em uma chave que tinha Lyon, Red Bull Leipzig e Benfica, apesar de chegar na última fase com chances de classificação. Além disso, a Rússia não colocou nenhum time no mata-mata da Liga dos Campeões e da Liga Europa.
SELEÇÃO BRASILEIRA
“Estava no Hamburgo e joguei três anos muito bem, apesar da queda para a B. Pensei que em algum momento teria uma ligação, mas não aconteceu. Venho buscando a Seleção. Procuro jogar muito bem pelo clube que represento e penso sim em um dia voltar para a Seleção. Minha última convocação foi em 2016 na Olimpíada e, em 2016 participei da Copa América nos Estado Unidos. O técnico era o Dunga, depois com o Tite não tive oportunidade. Espero que ele (Tite) possa pensar e olhar mais para cá, que olhe um pouco para gente, sem se importar se é Campeonato Russo. Também existem jogadores fora do radar que podem fazer diferença, espero este contato. Acho que não tem explicação por não ter acontecido ainda. Temos bons laterais esquerdos como o Alex Telles, Alex Sandro, Renan Lodi, mas creio que há espaço. Mas a gente sabe que cada treinador tem sua filosofia de trabalho. Uns encaixam, outros não. Espero um dia encaixar na filosofia do Tite. Estou preparado, venho jogando contra grandes jogadores e grandes clubes, tenho bagagem da Olimpíada. Eu venci, o que muitos outros não conseguiram. Se oportunidade surgir, vou agarrar com vontade e garra e representar o país da melhor maneira possível”.
4 ANOS DO OURO OLÍMPICO
“Tem muitas coisas que nos fizeram chegar no ouro. A união que tínhamos foi incrível, o companheirismo. Neymar sendo um cara um parceiro de todos, dando força, falando que ia conseguir. Rodrigo Caio, Marquinhos, Renato Augusto também ajudando. A comissão também unida. E isso foi fator principal da conquista da medalha de ouro. Este foi um fato marcante da minha vida. Muitas crianças irão estudar sobre esta medalha".
FLAMENGO
“Depois que acabou o Campeonato no Hamburgo tive proposta de ir pro Flamengo. Chegou até meu empresário mas eu recusei porque tenho projeto de continuar muito tempo aqui na Europa e este foi o único fator de ter recusado. É um grande clube com projeto que está dando muito certo e que atrai muitos jogadores, mas meu projeto pessoal é continuar aqui. Não penso em voltar pro Brasil agora. Está descartado. Quero passar muito tempo aqui e ganhar mais títulos com o Zenit jogar muito bem uma Champions”.
VIDA EM SÃO PETERSBURGO E MALCOM
“Sou bastante caseiro, gosto mais de ir almoçar e jantar. Passear com filha no parque, jogar boliche quando tem uma boa folga. Vou na casa do Malcom, ele vem na minha, conversamos bastante, jogamos vídeo-game. Nossas esposas são muito amigas e isso nos aproxima ainda mais.”
Nota da redação – Malcom foi destaque do Zenit na reta final do campeonato e seguirá no clube. De acordo com apuração do Yahoo Esportes, o jogador não tem desejo de deixar a Rússia neste momento.
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