No Japão, Zico fala de nova experiência e opina sobre Barbieri: “Mostrou conhecimento”

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Zico recebendo homenagem no Japão (Etsuo Hara/Getty Images)
Zico recebendo homenagem no Japão (Etsuo Hara/Getty Images)

Por Vinícius Vale

Um dos responsáveis pelo crescimento do futebol japonês, Zico está de volta ao outro lado do mundo. Chamado pelo Kashima Anthers, onde atuou como jogador entre 1991 e 1994 e como cartola entre 1996 e 2002, o Galinho foi chamado novamente para a função de diretor técnico com contrato válido até o final da temporada.

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Em entrevista exclusiva para o Yahoo Esportes, Zico falou sobre o novo desafio, os objetivos do Kashima para a temporada e claro sobre o momento do Flamengo que busca os títulos da Copa do Brasil e do Brasileirão.

Zico começou falando das diferenças encontradas em relação a última passagem no clube japonês. “Encontrei muitas diferenças em relação a minha primeira passagem pelo Kashima. O mundo evoluiu e o clube também precisou evoluir principalmente nas instalações. Cresceu muito o trabalho com a base, que fornece muitos jogadores para o time de cima. As instalações ficaram pequenas, sendo necessária uma estrutura só para as divisões de base. É lógico que ainda temos muitas coisas a serem feitas, mas essa evolução é nítida em relação a estrutura. O trabalho é para que exista uma estrutura para a base separada do profissional, integrando as categorias, mas que cada um tenha seu espaço”, projetou.

Disputando quatro competições nesta temporada, o Kashima pode conquistar um título inédito: a Liga dos Campeões asiáticos. Recentemente, o time eliminou os chineses do Tianjin Quanjian de Alexandre Pato com duas vitórias, em casa por 2 a 0 e fora de casa por 3 a 0. “O Kashima sempre briga por títulos. Nosso foco maior é na Liga dos Campeões onde estamos na semifinal, após eliminarmos o Tianjin Quanjian da China com dois grandes resultados”.

Zico também falou sobre as outras competições em curso traçando os objetivos em cada uma delas. “No campeonato nacional estamos na oitava colocação, mas a distância para o terceiro que garante vaga para a Copa da Ásia é só de seis pontos, então nossa briga é para chegar pelo menos nessa terceira colocação, já que os dois primeiros abriram boa vantagem. Além disso estamos nas quartas de final da Copa do Japão e nas oitavas da Copa do Imperador, onde também podemos chegar”.

Nota do editor: Após a entrevista, o Kashima subiu para o sétimo lugar e está a três pontos do terceiro colocado na J-League. Além disso, o time avançou às semifinais da Copa da J-League.

Para o brasileiro, o plantel do Kashima, apesar de alguns desfalques por conta de lesões, pode conquistar os títulos já que segundo ele o equilíbrio entre os times é muito grande, sem grandes favoritos.

Quando questionado sobre a dificuldade do futebol japonês para concorrer com mercados como a China e o mundo árabe, Zico foi categórico em afirmar que os japoneses não têm condições de brigar por grandes contratações. “O futebol japonês está sofrendo pelo poder aquisitivo de outros mercados como a China e o Mundo Árabe. O Vissel Kobe levou o Iniesta porque ele não acertou na China e o patrocinador do clube é o mesmo do ex-time dele, o Barcelona. Em termos de valores o Japão não consegue competir, é um momento de muito equilíbrio, a economia japonesa começa a se estabilizar, então os clubes não estão fazendo grandes investimentos”.

A eliminação do Japão na Copa do Mundo, em virada histórica da Bélgica nas oitavas de final da Copa da Rússia, também foi assunto. O selecionado nipônico chegou a abrir vantagem de 2 a 0 diante da Bélgica, sofreu o empate e já nos acréscimos sofreu a virada que impossibilitou um confronto contra o Brasil na fase seguinte.

Para Zico, o erro dos japoneses foi acreditar em um gol heroico no fim do jogo e se esquecer da marcação. “Acho que o lado emocional ainda afeta o jogador japonês, ao ponto de dar um branco em um jogo que tinham tudo para vencer. Não acho que foi inocência, já que o Brasil tomou um gol parecido da Bélgica no jogo seguinte e tem muito mais experiência. Foi uma decisão errada achando que faria mais um gol em um escanteio, mandando todo mundo para o ataque, o que considero um erro tático”, lamentou.

Claro que o assunto Flamengo também esteve em pauta. O ex-jogador que vestiu a camisa do Mengão em mais de 600 jogos, conquistou diversos títulos e é reverenciado até hoje pela torcida, projetou o fim da temporada rubro-negra.

“Acho que o Flamengo ainda tem chances de chegar aos títulos do Brasileirão e da Copa do Brasil. Mas para isso precisa melhorar o ataque, que não está funcionando. O técnico (Maurício Barbieri) é jovem, mas foi ele que levou o time a brigar nesses dois campeonatos. Ele tem mostrado conhecimento, mas precisa passar pelas etapas que todo técnico passa, não acho que depende só dele. Muito se fala sobre ele ser novo e não conseguir se impor sobre os jogadores mais rodados, mas não vejo esse perfil nos jogadores do Flamengo. São jogadores que durante a carreira sempre mostraram uma bela postura profissional. Eu não acho que ele tem problema com isso não. O Flamengo vem fazendo grandes investimentos e a responsabilidade não deve ser de um só”, finalizou.

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