Casão apoia jogador santista na luta contra as drogas: "Ela é traiçoeira"

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No Globo Esporte, Casagrande manifestou apoio a João Vitor na luta contra as drogas (reprodução/TV Globo)
No Globo Esporte, Casagrande manifestou apoio a João Vitor na luta contra as drogas (reprodução/TV Globo)

Dependente químico e diariamente lutando para não voltar ao vício em drogas, o comentarista Walter Casagrande deu um depoimento no programa Globo Esporte desta terça-feira (21), em favor do jovem atacante do Santos, Diogo Vitor, que testou positivo em exame antidoping em abril deste ano, admitindo uso de cocaína, e está suspenso preventivamente do futebol. O programa exibiu uma entrevista na qual o jogador afirmou ter feito uso da chamada droga social.

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“Usei [cocaína]. Estava numa festa, numa balada, estava todo mundo se divertindo e eu passei do limite e usei”, contou o atleta, que por opção própria abandonou o tratamento, mas que pretende retomar, sonhando com seu retorno ao futebol. “Na minha cabeça passa que tenho que voltar logo, que vou dar a volta por cima e espero que a pena saia pequena para voltar o quanto antes, com a torcida inteira ao meu lado, me apoiando.”

Casão demonstrou respeito pela postura do jovem, de falar sobre o assunto. “Ele tá pedindo ajuda de um modo que ele sabe pedir. Parar um pouco de ir ao tratamento é normal, o início é difícil para qualquer um, mas você vê a coragem do garoto, de sentar na frente das câmeras e falar: ‘Eu usei, fui numa festa, tava fragilizado, caí numa estrada muito perigosa, dá tempo de volta dessa estrada e recomeçar um outro estilo de vida’.”

“É super talentoso, o Santos tem que apoiar, como vem apoiando. Tem que dar toda a sustentação emocional pra ele. As pessoas que gostam dele, aquelas pessoas que ele gosta têm que estar próximas a ele. Espero que ele volte ao tratamento e não desista. Eu faço tratamento há dez anos. Faz dez anos e não dá para virar as costas para essa doença. Não dá, ela traiçoeira. No momento que parece que você está superbem, fica mais fragilizado em relação a ela, e a droga é sempre maior do que você, mais forte do que você. No mano a mano com a droga, você perde. Então tem que ter uma estrutura emocional muito forte”, alertou o comentarista global.

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Fala, Casão!

Respondendo a perguntas de torcedores no quadro “Fala, Casão”, Casagrande falou sobre o momento dos quatro grandes times de São Paulo, sendo o primeiro deles o Santos, de João Vitor. “Não tem time pra cair. Falta entrosamento, esses estrangeiros que o Santos contratou são bons jogadores, o Cuca é um ótimo treinador, já fez algumas modificações, o rendimento do time já vem melhorando. Então, acho que o Santos pode lutar mais pra cima, pode subir bem, pode lutar por uma vaga na Libertadores.”

Luis Felipe Scolari é o maior astro do Palmeiras? Para Casão, sim. Comentarista lembrou de Eduardo Baptista, técnico que passou pelo alviverde e que, segundo o comentarista, tinha menos tamanho do que os jogadores do elenco, situação que não acontece com Felipão no comando. “Quando o Palmeiras foi campeão brasileiro [em 2016] e trouxe o Eduardo Baptista [na temporada seguinte, após a saída de Cuca], os jogadores eram mais do que o treinador e isso é muito perigoso quando acontece, não dá para controlar o elenco. O Felipão é campeão do mundo, da Libertadores duas vezes, é o astro do time do Palmeiras. Ele modificou, [formou] uma defesa forte e faz como fez no Grêmio e no Palmeiras. Tem atacantes rápidos, atacante alto para fazer gol de cabeça, contra-ataque e tem uma estrutura defensiva muito forte.”

Sobre o Corinthians, assim como falou em relação ao Santos, o ex-jogador não crê que corra risco de rebaixamento. “Perdeu muitos jogadores, saiu o [técnico Fábio] Carille, bicampeão paulista e Brasileiro. Chega o Osmar Loss para tentar fazer a sequência de treinadores formados no Corinthians, aí perde um monte de jogadores e fica meio complicado. Não vai cair, mas tem que melhorar muito.”

Com respeito ao atual líder do Brasileirão, São Paulo, Casagrande exaltou o trabalho do treinador uruguaio Diego Aguirre, reafirmando que  considera o Tricolor favorito ao título nacional. “Pé no chão [é o maior mérito de Aguirre], porque a base do São Paulo é praticamente a mesma de dois, três anos, passaram alguns treinadores importantes, nada aconteceu e correu risco de rebaixamento umas duas, três vezes. Aguirre chegou numa situação difícil, consertou completamente. Chegaram alguns jogadores, mas ele conseguiu aumentar a moral de quem estava com a moral baixa, definiu um esquema tático, uma defesa e a equipe está rendendo aquilo que ele esperava. Então, pra mim é um dos grandes favoritos ao título.”

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