No 'Galo Business Day', Atlético-MG detalha dívida de R$ 1,2 bilhão e quer reduzir débito para R$ 341 milhões

Valinor Conteúdo
·6 minuto de leitura


O Atlético-MG realizou nesta sexta-feira, 23 de abril, o seu evento para apresentar um “raio-x” do clube, principalmente na parte financeira. O “Galo Business Day” apresentou os números do alvinegro, detalhando a dívida de R$ 1,2 bilhão. Desse valor, mais de R$ 500 milhões vence em 2021.

No evento, que contou com toda a cúpula alvinegra e três de seus apoiadores, os “mecenas”(Rafael Menin, Renato Salvador e Ricardo Guimarães), o discurso era de que o patrimônio do clube é maior do que os débitos. E, a meta primordial é a redução do passivo financeiro para R$ 341 milhões até 2026.

O vice-presidente do Atlético-MG, José Murilo Procópio, deu confirmou o valor da dívida e a busca pela redução de custos.

- O Atlético tem um passivo de R$ 1, 2 bilhão. Mas o Atlético tem patrimônio superior a isso. O que nos cabe é o que estamos fazendo, reduzir custos. Fizemos economia em média de R$ 100 mil por mês só no departamento jurídico. Não temos mordomia nenhuma no Atlético, não tem motorista ou segurança para ninguém. Eu ando solto por aí. Minha preocupação não é o passivo, e sim reduzir despesa-disse.

O diretor financeiro Paulo Braz ressaltou que houve crescimento do patrimônio alvinegro.

-R$ 1,3 bilhão de patrimônio contábil. Crescimento de R$ 481 milhões de 2019 para 2020. E não tem aqui a mais-valia dos jogadores. O que daria mais do que R$ 1,5 bilhão-disse Braz, que destacou a redução de despesas com a demissão de funcionários, cerca de 200.

- O Atlético tem 531 pessoas (funcionários). Eram 736 pessoas. 205 pessoas foram desligadas. Economia mensal de 1.104 milhão de reais. R$ 1.209 bilhão é o endividamento do Atlético-MG ao fim de 2020. R$ 462 milhões de acréscimos. O Endividamento subiu, mas os investimentos também-comentou para em seguida afirmar que elenco alvinegro tem valor superior a R$ 600 milhões, com investimento de mais de R$ 250 milhões só em reforços.

-Investimos R$ 253 milhões em atletas (2020). O valor do elenco hoje é de R$ 630 milhões. Temos, sim, dívida, mas patrimônio muito maior- completou.

O diretor financeiro pontuou quais são as metas do clube para reduzir a dívida e ter uma gestão sustentável para o futuro.

-R$ 200 milhões de teto na folha salarial anual
-R$ 50 milhões em compras de atletas
-R$ 120 milhões em vendas de atletas
-33% do elenco profissional seja de revelações da base
Paulo Braz encerrou traçando a meta de redução de dívida do Atlético: chegar em 2026 devendo R$ 341 milhões.

O conselheiro e apoiador financeiro do Galo, Rafael Menin, revelou que houve um valor enorme em pagamentos de justos de dívidas na última década.

- São R$ 500 milhões de juros gastos pelo Atlético entre 2010 e 2020. É assustador. Gastar dinheiro a "deus-dará" não dá certo no futebol. O Atlético se equipa para ter maior eficiência no que é investido e no resultado esportivo. São 42% do R$ 1,2 bilhão a pagar em prazo curto. Ou seja, R$ 508 milhões. O Atlético acumula déficit. Acontece há 40 anos. O Galo foi pedalando, e o problema foi crescendo - disse Menin.

Só com o ex-presidente do Galo, Ricardo, Guimarães, o clube deve R$ 105 milhões. Mas, sem juros correções, segundo Rafael Menin. Ele disse que, se fosse um débito com um credor “comum”, o valor seria de R$ 250 milhões.

José Murilo Procópio garantiu que o Galo está disposto a negociar e pagar seus compromissos com os credores.

- Não vamos ficar de esconde-esconde. Queremos um desconto e prazo para pagar.

O Galo Business Day e o futuro do clube

Além das finanças, o Galo Business Day foi dividido em "Nossa equipe", "Indústria do Esporte", "Nosso Projeto" e "Futebol".
O CEO Plínio Signorini oficializou o "órgão colegiado", com a diretoria e os colaboradores no organograma do clube. Os 4 R´s foram oficializados como parte da instituição:

-Sérgio Coelho - Presidente
-José Murilo Procópio - Vice
-Rubens Menin - Apoiador
-Rafael Menin - Apoiador
-Ricardo Guimarães - Apoiador
-Renato Salvador - Apoiador

- Somos quatro empresários apaixonados pelo Atlético. O clube tem executivos do mais alto gabarito. O papel do órgão colegiado não é decidir se o Atlético vai trazer um atacante, ou um zagueiro - disse Rafael Menin.
Plínio Signorini comandará, como CEO, as seguintes pessoas.

-Paulo Braz - Financeiro
-Luiz Fernando - Jurídico
-Rodrigo Caetano - Futebol
-Leandro Figueiredo - Negócios
-Rodrigo Messano - Infraestrutura
-André Lamounier - Comunicação

Indústria do futebol

Pedro Daniel, executivo da Consultoria E&Y, falou sobre a indústria do futebol.
- O futebol é responsável por 0,72% do PIB. São quase R$ 50 bilhões movimentados nos clubes do Brasil-disse, citando que os desafios do esporte no mundo serão acesso ao mercado internacional, calendário, direitos de transmissão, dependência de vendas de atletas, regulações, visão de longo prazo. Para as tendências, falou de inovação e tecnologia, mercado + scouting, apostas esportivas, geração de conteúdo, e-sports.

Arena MRV

- Tem que ser um ponto de conexão com a torcida. Tem que ter um museu, visitação, característica da arena tem que ter alusão ao clube, um caldeirão, com setor popular, as cores da arena. Trazer o torcedor dentro do clube gera engajamento maior-disse Rafael Menin.

Meta de 100 mil sócios

Plínio Signorini apresentou mais detalhes dos planos futuros com base nos seguintes pontos: Equilíbrio financeiro, Melhor infraestrutura, Base reveladora, Time protagonista, além de pensar na alienação de ativos imobiliários), a mudança da sede administrativa para a Arena MRV e parcerias imobiliárias para a sede de Lourdes e na Vila Olímpica, além de naming rights da Cidade do Galo.
A meta de sócios do Galo na Veia, é chegar a 80 mil sócios em 2021 e 100 mil já em 2022.

As receitas de matchday( dia do jogo) do Atlético com seus jogos em casa também foram apresentadas.

-R$ 11 milhões realizados em 2020
-R$ 40 milhões em 2021, mas considerando 19 milhões de bilheteria (o que não deve ocorrer)
-R$ 50 milhões em 2022 (com torcida no estádio)
-R$ 100 milhões em 2023
-R$ 110 milhões em 2026

Diretrizes para o Futebol

O diretor de futebol Rodrigo Caetano falou das Diretrizes e projetos do clube para o futebol.

-Foco na gestão do departamento. Ênfase na utilização da base e investimento maior em mercado e scouting-disse, Rodrigo, que destacou suas funções no clube.

-Compra e venda de atletas
-Integração de áreas técnicas e administrativas do clube
-Controle de orçamento
-Apoio ao comando técnico

-Aumentar o número de convocações para a seleção de base
-Acompanhamento e monitoramento de atletas da iniciação com idades inferiores a 14 anos

- Proporcionar experiências competitivas internacionais aos atletas em formação.

-Temos missão de recuperar no Atlético o fato de ser referência de compra e venda de atletas, com boas negociações-disse Caetano, que também falou sobre uma nova ferramenta de mercado, chamada de Transferoom.
- Aproxima os interesses dos clubes, sem a necessidade de qualquer intermediário. Se joga na ferramenta as nossas carências e os jogadores que temos interesse de negociar-explicou.