Ninho do Urubu: É hora de mudança, Zé Ricardo!

Por Bruno Guedes

O Flamengo segue invicto no Campeonato Carioca, torneio pouco útil e que só serve para experiências ou desgastes. E foi através delas que o sinal de alerta para a Libertadores e Brasileirão acendeu. O time, que ano passado tinha um padrão de jogo invejável e muito eficiente, este ano não conseguiu funcionar com os novos jogadores. Muito por conta dos atletas contratados que não rendem, mas também por conta de novas ideias que não surtiram efeitos e modelo que precisa de mudanças.

Sempre defendemos o Zé Ricardo neste espaço, já que além de ser o melhor treinador do Flamengo desde o Andrade em 2009 - números comprovam isto - ele organizou uma equipe totalmente sem padrão antes da sua chegada. Usando as características dos jogadores que tinha às mãos em 2016, fez o clube disputar um título Brasileiro, algo inesperado, jogando um futebol bonito e envolvente. Porém, como era de se esperar, este ano os adversários conhecem os pontos fortes e fracos do Rubro-Negro e o time não consegue engrenar.

Dois fatores foram cruciais para essa queda do bom futebol: a pouca velocidade pelas pontas e a falta de agressividade na marcação sem a bola. A primeira é muito por conta das experiências que Zé tentou no time. Como a entrada de Mancuello pela direita, uma tentativa de ajudar o Diego a não ficar sobrecarregado. Função parecida com a que fez, algumas vezes, Alan Patrick em 2016. Sem esses corredores pelo lado do campo, o Flamengo perdeu a sua saída rápida, organizada e que não deixava Guerrero isolado.

Ze Ricardo Volta Redonda Flamengo Carioca 29032017

E ela influiu também na marcação. Os dois atletas que atuavam pelas pontas ajudavam, quando a equipe estava sem a bola, na recomposição defensiva, montando um sólido 4-1-4-1. Eram os casos do Fernandinho, Gabriel e até o Sheik. Assim, dificilmente levava sufoco e conseguia sair rápido para o ataque. Atualmente é o inverso. Sem opções, o time está afunilando pelo meio e deixando com os zagueiros a saída de bola.

Por isso tantos erros do Rafael Vaz, que é quem faz o primeiro passe, já que o time não consegue dar opções pelos flancos e ataque. Rômulo não conseguiu ser este homem e Arão está mais preso à marcação, já que sem a velocidade pelos lados, precisa ajudar os laterais.

Rafael Vaz Flamengo Maranhão Fluminense Brasileirão 26 06 16
(Fotos: Gilvan de Souza / CR Flamengo / Divulgação)

A situação do Flamengo está muito longe de crise ou um time desorganizado. Mas é hora de mudar um novo padrão e adaptar os jogadores atuais com um esquema diferente do que foi usado em 2016. A temporada só começou. A torcida não pode fazer pressão. Ou então só vai piorar uma situação sob controle.