Neymar, uma história de amor, ódio e tropeços

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Neymar chora após a derrota do Brasil para a Argentina na final Copa América

Ansiosos por encontrar o herdeiro do estilo de jogo que fez a fama do futebol brasileiro, muitos se aventuraram a chamá-lo de novo Pelé.

Embora tenha grande talento, suas falhas em driblar escândalos e polêmicas o afastaram desta posição. E a derrota para a Argentina em pleno Maracanã na final da Copa América marcou negativamente Neymar.

O Brasil ativou seus olheiros para encontrar um candidato para dar sequência à arte apresentada nos gramados por Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo, Rivaldo e Kaká, que se despediam do futebol.

E foi no Santos, equipe onde Pelé construiu sua história, que esses caçadores de novos talentos encontraram um menino que surgia como promessa de estrela.

Ele estreou profissionalmente pelo Peixe em 2009, aos 17 anos, e pouco depois parecia seguir os passos do Rei do Futebol.

À frente de uma nova geração de 'Meninos da Vila', foi considerado o melhor jogador da Copa Libertadores de 2011, conquistada pela equipe paulista numa vitória sobre o uruguaio Peñarol.

"Neymar é melhor que Messi. Ele bate bem com o pé esquerdo, com a direita, é um excelente jogador", disse Pelé depois que a jovem estrela levou o Santos à sua primeira Libertadores após meio século.

Neymar da Silva Santos Júnior, natural de Mogi das Cruzes, no interior de São Paulo, começou a conviver muito cedo com a pressão para superar o argentino e fazer jus ao legado do grande 'camisa 10' do Brasil.

No sábado, no estádio do Maracanã, templo do futebol brasileiro, Lionel Messi ergueu a Copa América e Neymar chorou, mas no final abraçou seu ex-companheiro de Barcelona que conquistou seu primeiro título com a seleção argentina.

A imagem "diz que existem adversários, não inimigos", declarou Tite, técnico da seleção brasileira.

- Alegrias e tropeços -

Desde criança, Neymar faz malabarismos com a bola para alegria da torcida e raiva de alguns rivais, ontem e hoje.

Além disso, desde muito jovem, dentro e fora das quadras, foi criticado por simulações de falta e quedas bizarras.

“Perder ou ganhar faz parte do jogo. Simular uma situação para tirar vantagem, não. É um péssimo exemplo para o menino que está crescendo”, disse o então técnico do Corinthians Tite em 2012 após um lance protagonizado por Neymar durante uma partida com o Santos.

Essa história virou águas passadas e o atual treinador da Seleção Brasileira tem sido, em grande parte, defensor de seu principal jogador, considerado pela Conmebol o melhor da Copa América ao lado de Messi.

“Talvez aquela forma como o Neymar foi comparado a Messi e tantos outros possa mostrar a grandeza do esporte”, refletiu o técnico após a derrota na final do torneio continental de seleções.

Depois de quatro anos no Santos, onde conquistou seis títulos, assinou com o Barcelona em uma transferência polêmica que gerou mais que uma dor de cabeça para o jogador e os dirigentes do clube espanhol.

Durante seu período no Barça (2013-17) fez amizade e integrou o trio ofensivo histórico com Messi e o uruguaio Luis Suárez. Ganhou oito títulos, incluindo a Liga dos Campeões, mas partiu para o PSG, novamente em meio a polêmica, em uma transferência recorde de 222 milhões de euros.

O atacante justificou a transferência por conta de seu desejo de ganhar uma Bola de Ouro, que não era alcançada por um brasileiro desde 2007 com Kaká. Um sonho ainda não alcançado.

- Controvérsias -

No clube parisiense, conquistou dez títulos, nenhum internacional, mas teve atuações irregulares em meio a lesões, escândalos fiscais e denúncias de violência sexual.

Ativo em suas redes sociais, onde tem milhões de seguidores, no Brasil não é unanimidade. “Neymar não é um ídolo consensual, é uma figura muito polêmica. Ele tem pouco carisma, pouco prestígio”, explica o sociólogo Rodrigo Monteiro, da Universidade Federal Fluminense.

Pela Seleção Brasileira estreou marcando um gol em agosto de 2010, num amistoso com os Estados Unidos. Desde então, disputou 111 partidas e marcou 68 gols, nove a menos que o recorde de Pelé.

Jogou, com pouco brilho, as Copas do Mundo de 2014 e 2018. Devido a uma lesão, não estava em campo na histórica derrota por 7 a 1 para a Alemanha nas semifinais da Copa do Mundo no Brasil, uma profunda marca para sua geração.

Antes, ele conquistou a Copa das Confederações de 2013 e depois a medalha de ouro nos Jogos do Rio-2016.

Não participou da conquista da Copa América em 2019 por conta de uma nova lesão e dois anos foi vice da competição continental.

Na Copa do Mundo de 2022, no Catar, estará com 30 anos. Caso seja campeão, enfim conseguirá ter a admiração dos detratores e os elogios daqueles que sempre o apoiaram.

raa/ol/lca

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