Neymar será julgado na Espanha por suposta corrupção na transferência ao Barcelona

O atacante do Barcelona Neymar, em Cornellà de Llobregat, em 29 de abril de 2017

O atacante brasileiro Neymar irá a julgamento por um suposto delito de corrupção em sua transferência ao Barcelona, um caso no qual também serão processados o atual presidente do clube e seu antecessor, informa um comunicado divulgado pela Audiência Nacional.

O juiz José de la Mata, da Audiência Nacional, especializada neste tipo de caso, "abre julgamento oral contra Neymar da Silva Santos, seus pais, o presidente do FC Barcelona Josep Maria Bartomeu e o ex-presidente Alexandre (Sandro) Rosell", indicou o tribunal, que explicou que precisarão depor por um suposto "delito de corrupção nos negócios".

Neymar e seus pais não responderão por um suposto delito de fraude, uma acusação apresentada contra Bartomeu, Rosell e o Barcelona.

Também devem comparecer por esta segunda acusação o seu ex-clube no Brasil, o Santos, e seu ex-presidente Odilio Rodrigues Filho.

O caso envolve as supostas irregularidades nos contratos para a transferência do astro brasileiro do Santos ao Barcelona. O atleta de 25 anos foi investigado tanto na Espanha como no Brasil.

A operação foi denunciada pelo fundo de investimentos brasileiro DIS, que era dono de parte dos direitos do jogador, que se considerou prejudicado.

Em um primeiro momento, o Barcelona anunciou a transferência de Neymar com o valor de 57,1 milhões de euros (40 milhões para a família de Neymar e 17,1 para o Santos), mas a justiça espanhola calcula que a transação foi de pelo menos 83,3 milhões de euros.

O DIS, que recebeu 6,8 milhões de euros dos 17,1 destinados ao Santos, considera que Neymar e o Barça se aliaram para ocultar o valor real da transferência.

Para garantir o pagamento em caso de condenação, o juiz decidiu que os acusados terão que abonar de forma conjunta o valor de 3,5 milhões de euros, que seria a diferença que a DIS deixou de receber.

O comunicado da Audiência Nacional explica que o juiz não levou em consideração a alegação do fundo DIS do que teria deixado de receber, um valor muito superior, mas que inclui outros contratos.

Os acusados têm agora 10 dias para apresentar suas defesas por escrito.

Por este caso, a Promotoria espanhola solicitou para Neymar dois anos de prisão e multa de 10 milhões de euros.

O atacante alegou que se dedicava apenas ao futebol e seu pai era seu agente exclusivo, em quem confiava cegamente.

A mesma defesa utilizada pelo argentino Leo Messi, que foi julgado e condenado a 21 meses de prisão por delito fiscal.

Para a Audiência Nacional, o acordos assinados em 2011 entre o Barça e o Santos para a transferência de Neymar não respeitaram "o livre mercado de contratações dos jogadores".

O clube catalão assinou os contratos com Neymar e a empresa de seus pais, N&N, para garantir seus direitos em 2014.

Mas para o tribunal, os contratos impediram que outros clubes apresentassem uma oferta, violando assim as regras de livre mercado.